Quando o apito final soou no duelo entre Brasil e Noruega, o fim do jogo representou não apenas um ponto final à Copa do Mundo para a Seleção, como também o fim de um ciclo para muitos jogadores que lá estavam. Muito além de Neymar, que provavelmente vestiu pela última vez a camisa amarela na competição, a derrota representa também o desfecho de outras histórias: seja de Alex Sandro, aos 35 anos, Danilo, Fabinho e Casemiro, 34, ou mesmo de Weverton, o mais velho do elenco, aos 38 anos. 

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Os 26 convocados do Brasil para a Copa do Mundo 2026

O epílogo desses jogadores com a camisa da Seleção Brasileira, porém, abre brechas, espaços, e já faz surgir a inevitável pergunta: qual será o time de 2030? Como será o ciclo do técnico Carlo Ancelotti, de contrato renovado, para a próxima Copa, que ocorrerá em Portugal, Espanha e Marrocos?

A resposta para essa pergunta muito provavelmente reúne alguns nomes-base, como Vinicius Jr e Rayan, em uma lista com outros 24 nomes que abrem um leque de possibilidades pelos quatro anos que virão pela frente. 

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Mas afinal, qual será o futuro da Seleção e quais os próximos passos da Canarinho após mais uma eliminação precoce em Copas? A solução passa longe de ser simples e rápida, e não se apoia apenas na lista de jogadores — até porque nomes podem surgir e outros podem até “desaparecer” do radar da Seleção. 

E ao contrário do comum e corriqueiro, que é a demissão do treinador logo após uma derrota dura, desta vez, o mister seguirá no comando, com contrato renovado. Agora, de fato, Ancelotti terá tempo para montar a sua Seleção, estabelecer os seus padrões e, quem sabe, criar um grupo. Claro, não há certeza de sucesso, porque outras seleções devem fazer o mesmo. Mas apesar da eliminação contra a Noruega, o currículo invejável do treinador italiano dá esperanças de um futuro promissor. 

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— Eu acho que quando você investe em um técnico como o Ancelotti, você tem que dar um tempo mínimo para ele. Ele ficou um ano, e não fez uma boa Copa, não fez. E eu acho que vale a pena mantê-lo, até porque o contrato tá feito. Acho que agora ele vai levar muita pancada, porque as pessoas estão muito ressentidas, mas é o Ancelotti, um cara que marcou a Champions League, técnico vencedor, e acho que com quatro anos ele pode ter as ideias arejadas. Vai se livrar do fantasma do Neymar e buscar uma seleção mais equilibrada. O que não garante uma Copa do Mundo conquistada, mas garante uma Copa mais bem disputada — avalia Lédio Carmona, comentarista da Globo e Sportv. 

— Você está trazendo um treinador de clube para um universo de seleção, inclusive como foi com os brasileiros. O trabalho dele precisa ser confrontado a partir de agora que ele passou um mês confinado com os jogadores — completa Gilmar Ferreira, comentarista do Sportv. 

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As esperanças para 2030

A Copa foi marcada por uma passagens de bastão e despedidas de jogadores que foram, de forma justa ou injusta, a cara do insucesso do Brasil nos torneios de 2014, 2018, 2022 e 2026. Os protagonistas desta geração devem enfim se despedir, com um gosto amargo, dando lugar à figurinhas novas. 

— É mais fácil olhar para aqueles que encerraram o ciclo. Jogadores da geração 91, 92, como Casemiro, Neymar, Alex Sandro, o próprio Marquinhos, esses atletas já deram o que tinham que dar, não vão fazer mais. Quem deve ganhar ainda mais espaço é Wesley, Vitor Reis, Beraldo, Kaiki, Andrey, Danilo Santos, Endrick, Rayan, Vitor Roque, Estêvão. Além deles, tem jogadores como Rodrygo, Vini Jr, Bruno Guimarães, Martinelli, Igor Thiago, que são jogadores que podemos ter certeza que irão iniciar esse ciclo — analisa Gilmar Ferreira.

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Rayan celebra com jogadores da Seleção Brasileira (Foto: Reuters, Annegret Hilse)

É praticamente impossível cravar quais serão os convocados de Ancelotti em 2030, até porque quatro anos é muito tempo, e até lá novos Endricks, Rayans e até Igor Thiagos podem aparecer. Porém, é possível brincar com futurologia e tentar prever uma Seleção para o próximo mundial, com nomes carimbados e algumas apostas. 

No gol, alguns nomes conhecidos podem ser opções, como Bento, Hugo, Carlos Miguel e John. Outras apostas também surgem, como Luiz Junior, do Villarreal, Kauã Santos, do Frankfurt, Otávio, do Cruzeiro, e Pedro Morisco, do Coritiba. 

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Na zaga, jogadores como Murillo, Beraldo e Vitor Reis devem ganhar espaço. Na lateral, bom, talvez um dos setores mais carentes da Seleção, após aposta em experiência no último torneio, a tendência é que os lados esquerdo e direito sejam rejuvenescidos. Wesley, Vanderson, Yan Couto, Kaiki Bruno, Souza, Juba e até Abner Vinícius podem aparecer.

No meio-campo, Gabriel Sara, Andrey Santos, Breno Bidon, João Gomes e outros jovens, como Thiaguinho, do Grêmio (e um dos destaques da seleção sub-20) devem entrar no radar. 

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O único setor que inspira mais certezas do que dúvidas é o ataque, com diversos atletas testados por Ancelotti e que devem seguir sendo chamados. Porém, meio-campo e defesa, em especial laterais e goleiros, geram dúvidas. Quem substituirá Alisson, goleiro de três copas, que terá 38 na próxima? Quais serão os nossos laterais? E quem ganha vaga no meio-campo? 

— Acho que a comissão técnica do Ancelotti, não sei se Taffarel vai continuar, deve apostar no John, no Hugo Souza, ou no próprio Carlos Miguel, do Palmeiras, um desses três goleiros. Ou nos três, mas um deles para ser titular. E acho que a seleção do meio para frente precisa pensar no Bruno Guimarães, um jogador que apesar de ter perdido o pênalti, foi muito bem na Copa, e acho que a célula-mãe do time passa por Estevão, Rayan e Vini Jr, e talvez o Rodrigo. Tem que renovar o meio-campo, com o Bruno e achar dois jogadores para completar esse meio. Pode ser o Danilo Santos, tem que olhar um pouco mais, tem que achar um camisa 10, talvez o Estêvão, enfim, o tempo vai dizer — analisa Lédio. 

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Quem irá assumir o protagonismo? 

Além do nome mais óbvio, que é o de Vini Jr, e pilares como Bruno Guimarães, Magalhães e Rodrygo, jovens que pedem passagem devem aparecer com o peso do protagonismo na próxima Copa. 

É preciso ficar de olho especialmente em Estêvão, do Chelsea, que foi cortado da Copa por conta de uma lesão muscular grau 4. É difícil projetar o retorno do atleta, após uma lesão grave, mas com saúde, ele é um dos “favoritinhos” de Ancelotti, e quando vestiu a camisa da Seleção, deu conta do recado. 

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Endrick, de 19 anos, pode ser uma das grandes incógnitas. O talento é evidente, mas demonstra-se ainda imaturo para inúmeras situações, algo que parece ser visto por todos os técnicos que o comandaram. No entanto, apesar disso, ainda sim é um dos jogadores mais promissores da geração e, dependendo de seu futuro no Real Madrid ou em outro clube, pode ser um dos craques dessa reconstrução. 

Já Rayan, 19 anos, parece ter pulado à frente de muitos jogadores na fila da Seleção e ganhou o carinho de Ancelotti. Mas o cria do Vasco é um jogador que vai além do que demonstrou na Copa. No Bournemouth é um artilheiro, um atacante letal, que pode atuar tanto pelas beiradas quanto centralizado. 

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Seleções de base e a formação de talentos

Apesar de ser divertido projetar o elenco, quem vai ser titular e quem pode ser a surpresa do Brasil na próxima Copa do Mundo, o futuro da Canarinho depende de muitos fatores além dos jogadores. Para Gilmar Ferreira, mudanças estruturais precisam acontecer, com olhar para a base e a formação de atletas. Afinal, por que tanto se discute a escassez de laterais, a falta de opções no gol, a necessidade de um “clássico” camisa 10 ou até a carência por meio-campistas organizadores?

— Tudo isso depende de qual será o olhar da CBF para o futebol de base. O Brasil, assim como a própria Argentina, Colômbia, tem dificuldade muito grande de formar jogadores de base. Porque as competições não tem a obrigação de clubes europeus liberarem os atletas. O Ancelotti pode ser importante no processo de contato com os clubes europeus para esse tipo de liberação, para que o Brasil possa começar a trabalhar um modelo — finaliza Gilmar. 

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Davide Ancelotti ao lado do pai no comando da Seleção na Copa do Mundo (Foto: REUTERS)
Davide Ancelotti deixou a Seleção Brasileira para assumir um clube como técnico principal (Foto: REUTERS)

O desempenho recente das seleções de base do Brasil têm sido aquém do esperado, ainda mais em cenário mundial. No quintal sul-americano, os garotos tem brilhado, com títulos e boas atuações, mas quando se trata de Copa do Mundo ou torneios envolvendo seleções europeias, o cenário é diferente. 

O desempenho do Brasil no último Mundial Sub-20, no Chile, em 2025, foi o pior da história da Seleção, sendo eliminada pela primeira vez na fase de grupos. Sob o comando do técnico Ramon Menezes, o Brasil ficou na lanterna do Grupo C com apenas um ponto somado. Já na última edição da Copa do Mundo Sub-17, em 2023, na Indonésia, o Brasil foi eliminado nas quartas de final — perdeu para a Argentina por 3 a 0.

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Mas apesar das más atuações, alguns jovens podem surgir como Endrick e Rayan surgiram. Entre eles estão Gabriel Mec, do Grêmio, Phillipe Gabriel, do Vasco, Igor Felisberto, do São Paulo, entre outros. 

Quem pode surgir na lista de convocados do Brasil para 2030

Um exercício de futurologia para tentar vislumbrar quem serão os jogadores da Seleção Brasileira na Copa de 2030.

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  • Goleiros: Hugo Souza, Carlos Miguel e Pedro Morisco
  • Zagueiros: Magalhães, Vitor Reis, Militão e Murillo
  • Laterais: Kaiki Bruno, Wesley, Vanderson e Souza
  • Meio-campistas: Bruno Guimarães, Danilo Santos, Éderson, Andrey Santos, João Gomes, Breno Bidon e Lucas Paquetá
  • Atacantes: Vini Jr, Rodrygo, Estêvão, Endrick, Rayan, Martinelli, Matheus Cunha e João Pedro