O lutador brasileiro do UFC Carlos Prates, atual 5º do ranking da divisão meio-médio, enfrenta o primeiro colocado da categoria na luta principal do UFC Perth, na Austrália. Dono da casa, Jack Della Maddalena acaba de perder o cinturão e busca a nova chance de recuperar.

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A divisão meio-médio do UFC tem como limite superior atletas com até 170 libras (77, quilos). Dentro da MMA, o peso da cada categoria é tratado como o mínimo que o lutador pode atingir na semana da luta. O objetivo é fazer o atleta bater o peso um dia antes, para que possa entrar no octógono mais pesado.

A pesagem oficial do Ultimate acontece na manhã do dia anterior da luta. Este é o único momento em que o lutador tem o peso atestado, e o atleta deve estar dentro do limite, caso contrário, ele pode até mesmo ser retirado da luta.

Deste modo, é feito o tão temido “corte de peso” — uma estratégia de desidratação forçada e brusca que permite ao atleta atingir o limite da categoria, e voltar ao peso normal na mesma velocidade.

Carlos Prates pesa naturalmente 90 quilos, e inicia o corte de peso na semana da luta. A estratégia mudou com o tempo, com apoio de nutricionista, o lutador admitiu que agora busca estar mais pesado no dia da luta.

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— Antes da luta com Neil Magny, eu estava com 81, 82, 83 quilos, cortando só 4 quilos para bater o peso. Depois, falei com o nutricionista: ‘Vamos ficar mais fortes’. Agora, estou cortando desde os 90 quilos. Mas estou bem, estou muito mais forte — contou Carlos Prates.

Entenda como Carlos Prates faz para perder 13 quilos em dias

A estratégia começa com uma mudança da alimentação, onde diversos alimentos ficam restritos para consumo no mês da luta — entre doces, açúcares, ultraprocessados e gorduras. Carlos Prates corta totalmente o consumo de álcool.

Para inibir o apetite, em especial na semana da luta onde é cortado da dieta os carboidratos, Prates aumenta o hábito de fumar atitude muito perigosa e prejudicial a saúde, mas que o atleta faz uso por já ser tabagista.

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Esses primeiros passos derrubam as medições do atleta na balança, que chega a perder 10 quilos em menos de duas semanas. Porém, a alimentação não é suficiente para bater o limite da categoria.

É neste momento que o processo fica extremamente arriscado e perigoso para a saúde — o atleta entra em desidratação profunda e jejum. Nos dias que antecedem a luta, o atleta basicamente não ingere mais alimentos e água.

A manobra hídrica ainda precede o jejum. Atletas de luta costumam ingerir quantidades altíssimas de água durante semanas — uma média de nove a 10 litros por dia para a divisão. Na semana da luta, dia por dia a quantidade é reduzida até chegar a zero.

Esta tática tem o intuito de fazer o corpo eliminar elevadas quantidades de líquidos na urina durante o mês, incluindo a semana de jejum.

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Por fim, vem a etapa de retirada de líquidos subcutâneos — feita através do suor. Os lutadores passam por diversos movimentos que os obrigam a suar até não existir mais água por debaixo da pele. Sauna, roupas quentes, cobertores térmicos, banheiras quentes, treinos intenso com roupa de frio são algumas das técnicas utilizadas.

Vale ressaltar que esta tática para perder peso é extremamente arriscada e danosa para a saúde. Não é recomendado que pessoas a façam no cotidiano. Diversos atletas profissionais já foram internados ou tiveram problemas físicos severos durante o corte de peso.

*Sob supervisão de Marcos Jordão