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Intolerância

Mural feito com apoio da lei de incentivo à cultura é apagado em Balneário Camboriú

Personagens do boi-de-mamão teriam incomodado morador

18/10/2017 - 09h06 - Atualizada em: 21/06/2019 - 22h32

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Por Redação NSC

Bia Mattar, diretora da Fundação Cultural de Balneário Camboriú, diz que já havia recebido um telefonema de um representante do prédio onde foi feito o painel pedindo para que ele fosse apagado. Segundo ela, como o acordo foi entre o condomínio e o artista, a prefeitura serviu apenas como intermediadora.

_ Expliquei que era arte, cultura popular. Que por isso tinha a figura do boi, do dragão _ comenta.

Aparentemente, a explicação não convenceu. Antes de pintar o muro todo de branco e apagar a arte, a pessoa que executou o trabalho escreveu Jesus sobre o graffiti.

A Fundação Cultural se manifestou através das redes sociais classificando o episódio como "agressão": "Uma das mais expressivas obras de arte de Balneário Camboriú acaba de sofrer uma agressão por intolerância religiosa de um cidadão com desconhecimento total da cultura e da história do nosso país. O mural tinha como tema as tradições do boi de mamão e terno de reis. Estamos muito tristes.

Intolerância

Para o professor Francisco Braun Neto, coordenador do curso de História da Univali, o episódio é mais uma mostra de intolerância religiosa.

_ É sinal de intolerância ver um boi e achar que tem uma concepção profana, pecaminosa, se ver no direito de apagar o que é uma manifestação artística e cultural que não é representação religiosa. Estamos vivendo um tempo de conservadorismo, e de leitura equivocada do próprio cristianismo _diz.

Embora a prefeitura tenha divulgado que tomará as ações necessárias em relação ao trabalho apagado, George Varela, presidente da Fundação Cultural, entende que o município não deve interferir.

_ É um espaço público, quem se sentiu lesada foi a população. O poder público só fez o financiamento. O artista ficou constrangido, chateado. Caberia a ele recorrer não pela propriedade, mas pelo patrimônio autoral. Não cabe à prefeitura entrar nessa discussão, não é o propósito da Fundação.

Diant, o artista responsável pelo mural, lamentou o ocorrido e disse que grafittis apagados têm sido cada vez mais comuns. Ele quer autorização para fazer um novo trabalho no muro.

_ Boi-de-mamão, eu não pinto mais _ conclui.

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