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Haitianos e senegaleses

"Nosso povo é filho de imigrantes e precisa ser generoso com o tema", diz Ângela Albino sobre estrangeiros em SC

Secretaria de Assistência Social, Trabalho e Habitação do Estado diz que vinda dos haitianos e senegaleses pode sersolução para mão de obra

24/05/2015 - 18h56 - Atualizada em: 25/05/2015 - 12h41

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Por Redação NSC
Líder da Assistência Social de SC diz que políticas de imigração devem ser atualizadas
Líder da Assistência Social de SC diz que políticas de imigração devem ser atualizadas
(Foto: )

Desde a última sexta-feira, equipes de Assistência Social, Trabalho e Habitação do Estado e de Florianópolis têm se mobilizado após a informação da vinda de dois ônibus com haitianos e senegaleses vindos do Acre.

Na tarde deste domingo, entre uma reunião e outra, a secretária da mesma pasta do Governo de Santa Catarina, Ângela Albino, conversou com a reportagem por telefone.

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A infraestrutura para acolhimento dos estrangeiros, o encaminhamento dessas pessoas e, principalmente, a reflexão acerca das políticas de imigração foram detalhadas pela parlamentar.

Leia a entrevista na íntegra:

Hora de Santa Catarina - Quantas pessoas estão atuando no acolhimento dos haitianos e senegaleses em Florianópolis?

Ângela Albino - Estamos com uma ação de muita colaboração com a Prefeitura de Florianópolis. Nós temos seis pessoas da nossa equipe mobilizadas e a Secretaria Municipal de Assistência Social, que é titular desse serviço, tem uma quantidade mais expressiva, que aí mobilizou outras equipes. Também há a participação do Conselho Estadual de Afrodescendentes, que está mapeando quem tem domínio do creóle e pode ajudar na comunicação com o grupo.

HSC - Quais são as principais dificuldades nesse momento?

AA - A maior dificuldade é de informações mesmo. No sábado, ficamos até tarde da noite aguardando a chegada deles, mas que só foi confirmada para hoje à noite [ontem]. Essas informações erráticas prejudicaram um pouco o serviço, mas no geral estamos conseguindo contornar isso e dar conta de dar resposta nessa questão.

HSC - O que está previsto nesse suporte e acolhimento iniciais no ginásio Capoeirão, em Florianópolis?

AA - Nós vamos atuar em três frentes. Na primeira delas, faremos esse acolhimento humanitário, que é levar para lá, hospedar e fornecer kits de higiene, por exemplo. A Secretaria da Saúde também está nos ajudando porque recebemos a informação de que eles não têm todas as vacinações, então vamos fornecer as doses necessárias.

Em um segundo momento, a nossa Secretaria de Estado promoverá a inclusão produtiva deles. Faremos um mapa com as capacidades de cada um, com experiência profissional ou estudos realizados, e encaminharemos para capacitação profissional e domínio da língua portuguesa. Nós temos um grupo de pessoas que já possui experiência com haitianos e se dispôs a nos ajudar para que eles possam o mais rápido possível dominar o português. No cadastro, também providenciaremos inscrição no CPF e carteira de trabalho.

HSC - Essas ações devem acontecer por quanto tempo?

AA - Nós esperamos que eles possam rapidamente se dirigir ao mercado de trabalho e, como qualquer pessoa, sustentar sua própria vida. O Estado de Santa Catarina não tem hoje as condições para sustentar indefinidamente, como qualquer outro brasileiro que se encontrasse em uma situação de miséria. A gente precisa promover a saída da pessoa dessa condição e não ir mantendo isso. Nosso horizonte é o de superar a dependência o mais rápido possível, mas é claro que isso depende de condições objetivas.

HSC - Que análise pode ser feita acerca das atuais políticas de imigração?

AA - A nossa política de imigração é do período da Ditadura Militar. Ela ainda é pautada por uma visão do inimigo externo, muito burocrática. E o Brasil vive um momento inédito que é de receber imigrantes que buscam trabalho. Há poucos anos eram os nossos filhos que iam para os Estados Unidos, Japão ou Europa buscar qualificação e melhor colocação no trabalho. Portanto é uma situação nova para o Brasil. E está claro para nós que essa situação precisa ser revista, o próprio Ministério da Justiça também enxerga dessa forma.

A vinda dos haitianos e senegaleses pode se transformar em uma solução de mão de obra, se a gente souber transformar esse pessoal que está vindo com disposição de trabalho. A grande tarefa do Estado catarinense hoje me parece que é a de analisar como é possível tornar essas pessoas capazes de serem atrativas para o mercado de trabalho.

É importante a gente frisar que, na verdade, o povo catarinense é quase na totalidade filho de imigrantes. Então precisamos ter um olhar generoso. Eles estão em uma situação que o Brasil já viveu. Além do mais, tem muitos setores da economia catarinense, como a construção civil, que não exige interação com o público, que precisam de trabalhadores que os nossos já não se dispõem mais.

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