O ex-jogador de basquete Oscar Schmidt, lenda da modalidade e que morreu nesta sexta-feira (17) aos 68 anos, jogou em quadras de Santa Catarina na reta final da carreira, entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2000. Vestindo a camisa do Flamengo, o maior nome da história do basquete brasileiro atuou em confrontos contra o Ipiranga, de Blumenau, e a equipe de Brusque em duelos pelo campeonato nacional da época.

Continua depois da publicidade

A competitividade e a garra de Oscar em quadra foram alguns dos traços que marcaram nomes do basquete catarinense que o enfrentaram nesses duelos. Mas um episódio em especial ficou na memória de Sérgio Carneiro, o Serjão, na época auxiliar-técnico do Ipiranga e hoje presidente da Federação Catarinense de Basketball: uma cabeçada entre ele e um jovem talento de SC que viria a se tornar astro da NBA.

Em um duelo entre Flamengo e Ipiranga no fim dos anos 1990, no ginásio Galegão, Oscar Schmidt estava em quadra e recebeu uma marcação diferente na reta final da partida. À época com apenas 16 anos, o jovem Tiago Splitter era ainda uma promessa que entrava nas partidas apenas na parte final, em geral com o resultado já encaminhado.

Veja fotos de Oscar Schmidt

Motivado pela oportunidade e pelo desafio de marcar o “Mão Santa”, Splitter foi para cima e em um dos lances, acabou batendo a cabeça com força no queixo de Oscar.

Continua depois da publicidade

— Eles deram uma cabeçada bem forte um contra o outro. Foi quase no final do jogo, o Splitter jogou pouquinho, era muito novo, entrou para marcar ele [Oscar] no final e eles acabaram tendo um choque forte. Acabou sendo pior para o Splitter, mas o Oscar se machucou também. Lembro que depois ele falou: “pô, o garoto tem a cabeça dura” — conta Serjão.

Passagem de cedro

Após ser revelado pelo Ipiranga, Splitter fez carreira na Europa e brilhou na NBA, a liga de basquete norte-americana, tornando-se o primeiro brasileiro campeão da NBA, em 2014. Atualmente, ele é treinador do San Antônio Spurs e foi o primeiro brasileiro a chegar aos playoffs da competição como treinador.

Ao comentar o episódio ocorrido já na reta final da carreira de Oscar e lembrar da trajetória posterior de Splitter, Serjão não consegue não relacionar os casos.

— Hoje a gente vê como uma passagem de coroa, uma cabeçada para “passar o cedro”, vamos dizer assim — ilustra o dirigente, em razão do papel de destaque na modalidade que Splitter ocupou na geração posterior.

Continua depois da publicidade

Serjão também enfrentou Oscar Schmidt anos depois quando era treinador do Brusque, na quadra da Sociedade Bandeirante, também pela liga nacional.

— Era um fenômeno com a bola na mão, acertava muito. Jogador de 2,04m, jogando de ala, ia bem de frente para a cesta, de costas para a cesta — elogia Serjão.

Desafio de marcar Oscar também envolveu outro jovem de SC

Treinador do Ipiranga nas disputas da liga nacional, João Camargo Neto também se recorda das vezes em que enfrentou Oscar em quadra.

— Lembro de uma passagem muito legal com o Oscar jogando e o Ricardo Probst, que chegou a ir para a seleção brasileira, começou comigo no mirim e foi um atleta muito bom. Quando ele era juvenil, foi marcar o Oscar em um jogo contra o Flamengo. Foi muito desafiador para ele, um garoto tendo que marcar o Oscar, mas foi uma experiência ótima para ele — conta.

Continua depois da publicidade

Veja fotos de nomes de SC com Oscar Schmidt

Camargo afirma que Oscar Schmidt deixa um legado de inspiração.

— Em qualquer atividade, ele foi um exemplo de, além do dom, da qualidade que ele tinha, de saber que sem trabalho não iria ter resultado. Ele se esmerou, treinou a vida inteira para sempre ser o melhor. É uma perda muito grande para o esporte — afirma Camargo Neto.