O surfista catarinense Vinicius dos Santos foi destaque no International Workshop on Waves, Storm Surges, and Coastal Hazards, congresso realizado na Universidade de Cantabria, na Espanha, e considerado o maior do mundo quando o assunto é ondas e tempestades. No centro dos debates, um feito histórico: a onda que ele surfou em Nazaré, em 25 de fevereiro de 2022. 

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O PhD Douglas Nemes apresentou um estudo que chamou a atenção da comunidade científica ao sugerir que aquela onda, formada após a tormenta Eunice, pode ter ultrapassado a marca mítica dos 100 pés (cerca de 30,5 metros), algo nunca registrado no surfe. Se confirmada, o recorde mundial passará oficialmente a ser de Vini. 

Além do estudo, o congresso exibiu o documentário de Hollywood Ground Swell: The Other Side of Fear, narrado por Josh Brolin. A produção, que também conta com a presença de nomes consagrados do surfe e até do campeão mundial de F1, Lewis Hamilton, destaca justamente a onda histórica de Vini. 

Como funciona a medição científica 

A adrenalina de surfar uma onda gigante é indescritível, mas a ciência por trás da sua medição é um trabalho meticuloso e de ponta. O processo que validou a onda histórica de Vini dos Santos, em Nazaré, Portugal, não é apenas um palpite, mas o resultado de duas décadas de pesquisa e mais de 5 mil ondas analisadas. 

— O método utilizado tanto na onda do Lucas Chumbo quanto na do Vini dos Santos é o mesmo, e também o mesmo que está sendo aplicado em qualquer outro lugar de ondas grandes — explicou o Douglas Nemes, pesquisador responsável pelo estudo e que uniu a ciência tradicional com tecnologia moderna para garantir a máxima precisão, através de instrumentação oceanográfica com um GPS fixado no corpo do surfista. 

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A validação não se baseia em estimativas visuais, mas em um método desenvolvido ao longo de duas décadas de pesquisa em oceanografia, o mesmo usado para calcular as ondas de Lucas “Chumbo” Chianca. 

Com funciona o processo

  • Escala humana: o surfista é usado como referência espacial, a partir de fotos. 
  • Matemática e imagem 3D: pela trigonometria, o surfista vira um modelo matemático e a onda é transformada em 3D. 
  • Equações e repetição: fórmulas da mecânica das ondas são aplicadas e o cálculo da altura é repetido mais de 100 vezes. 
  • Banco de dados: os números finais são comparados com mais de 700 medições feitas em Nazaré. 

— Esse trabalho leva entre três a quatro horas e garante que o resultado seja o mais real possível — explicou o pesquisador. 

Nazaré, palco dos limites 

No dia do feito, o mar estava extremo. De acordo com Nemes, a quebra das ondas antes do pico tradicional é um dos sinais de que as séries realmente ultrapassaram a altura e que “possivelmente havia ondas de 30 metros ou mais”.

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Brasileiros como Chumbo e Pedro Scooby já surfaram ondas de 28 a 30 metros em Nazaré. Agora, com a possibilidade de um registro de 100 pés, Vini dos Santos não apenas entra para a história, mas também abre caminho para novas pesquisas sobre a ciência das ondas gigantes.