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    Passageiros reclamam de má conservação e descumprimento nos horários de ônibus da Jotur

    Em horários de pico, fila faz a volta na plataforma da estação de Palhoça; conforme funcionários da empresa, com frequência veículos quebram e passageiros ficam desassistidos 

    25/03/2017 - 04h05

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    Por Redação NSC
    (Foto: )

    É difícil achar um passageiro satisfeito com o transporte público de Palhoça. Ônibus cheios, manutenção precária, poucos horários e a tarifa salgada fazem parte da rotina diária de quem precisa do serviço. Isso quando os veículos param no ponto.

    — O ônibus que atende o Jardim Aquarius passa lotado e não para em alguns horários, principalmente no final da manhã. A Jotur uniu a linha Aquarius com a da Unisul. Então ele sai cheio e não tem lugar para os moradores. Essa semana tinha 100 pessoas dentro do busão — denunciou a moradora de 52 anos Maria Helena Duarte, que trabalha na prefeitura de Palhoça como auxiliar de sala.

    Nos horários de pico da estação de ônibus da cidade, a fila pra ir a Florianópolis dá a volta na plataforma. Na semana passada, a empregada doméstica Helenice Correia, de 52 anos, divulgou um vídeo nas redes sociais mostrando a superlotação. As imagens foram vistas por mais de 90 mil pessoas. A passageira pede ajuda ao Ministério Público.

    — A maioria dos ônibus novos, que são poucos, a Jotur tem dado prioridade aos bairros, obrigando a população a super lotação e constrangimento. estamos sendo tratados como gado.

    Nesta sexta-feira (24), a reportagem do Hora de SC foi à estação. Lá estava a cozinheira Maria Roseli Costa, de 46 anos, esperando para pegar o segundo ônibus de sua viagem diária de 2h para voltar pra casa. Todo dia ela pega duas vezes o Estação Palhoça - São José e o Barra do Aririú.

    — Eu estou com problema na coluna de andar nesses ônibus desconfortáveis. Dou graças a deus quando o patrão me dá carona.

    A reportagem conversou também com dois cobradores que não se identificam, um deles com 8 anos de casa. Eles denunciaram o descumprimento à tabela horária e a falta de fiscalização por parte do Departamento de Transportes e Terminais (Deter).

    — Com frequência o carro quebra e o horário dele não tem reposição. Aí os passageiros ficam esperando na parada sem saber que esse horário ficou desassistido — contou o funcionário da empresa.

    Foto: Helenice Correia / Arquivo Pessoal

    "Quase aconteceu uma tragédia"
    Dona Helenice Correia conta que na segunda-feira de carnaval sofreu um acidente num coletivo articulado em cima do viaduto do Roçado. Ela lembra que naquele dia, mesmo não sendo feriado, a Jotur fez tabela de sábado e o ônibus estava com mais de 100 passageiros. Que a peça da sanfona quebrou, a traseira ficou solta e muita gente caiu, idosos e até uma grávida.

    — Os ônibus são sucateados, tem banco solto, o ferro de segurar solto, campainhas que não funcionam. Agora imagina isso num ônibus superlotado. A gente achava que ia cair do viaduto. Quase aconteceu uma tragédia.

    Helenice sofreu um acidente num ônibus articulado Foto: Marco Favero / Agencia RBS

    Jotur reclama da condição das estradas
    O diretor da empresa contesta que os veículos sejam mal conservados. Walter Cruz disse à reportagem nesta sexta-feira (24) que a média da frota é de sete a oito anos e que anualmente são comprados em torno de 20 ônibus.

    Sobre o respeito à tabela horária, Walter nega que ônibus quebrem com frequência e reclama da má condição das estradas, responsável pela depreciação dos carros.

    — Eu tenho inclusive uma empreiteira dentro da empresa, com caçamba e pedreiro, para tapar os buracos dessa cidade.

    Foto: Marco Favero / Agencia RBS

    Deter promete fiscalizar 
    O chefe de gabinete do Deter, Batista Tonolli Junior, informou à reportagem que na próxima semana será feita uma grande fiscalização nos ônibus da Jotur para averiguar a idade dos veículos e o suposto não cumprimento dos horários. Essa foi uma determinação do presidente do departamento, Fúlvio Brasil Rosar Neto. Tão logo a operação tenha o relatório completo da situação, o Deter poderá repassar mais informações.

    A legislação catarinense determina que as empresas que fazem transporte público intermunicipal devem ter frota de no máximo 15 anos, com 20% dos veículos podendo passar dessa idade, respeitando o limite máximo de fabricação de 25 anos.

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