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Paulo McCoy Lava: Kimi Raikkonen, o último romântico

Jornalista destaca que o piloto finlandês não disputa o título, mas chama a atenção pelo amor ao automobilismo

21/08/2017 - 02h00

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Por Redação NSC
(Foto: )

Há anos, ouvimos dizer que o automobilismo romântico acabou. E quando o assunto envolve a Fórmula-1, uma situação é quase unânime: muitos dizem que não existe mais espaço para pessoas apaixonadas ou que inexistem pilotos com capacidade de compensar a deficiência de equipamento com talento, genialidade e aplicação.

Ouso, respeitosamente, discordar: existe pelo menos um competidor que encarna esse perfil. Trata-se do finlandês Kimi Raikkonen. Desnecessário relembrar estatísticas ou o mérito de ter conquistado o título em uma temporada (2007) na qual Lewis Hamilton, Fernando Alonso e, quem diria, Felipe Massa eram os principais favoritos.

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Posteriormente atraído por novos desafios, o finlandês deixou o time Ferrari e topou competir em duas classes do certame Nascar — Truck Series e Xfinity Grand National — e no Mundial de Rally. Porém, a saudade de integrar o circo da F-1 falou mais alto. Em 2012, a convite da Lotus/Renault, Raikkonen voltou e... não decepcionou. Para resumir o que seria um longo relato, basta dizer que ele venceu o GP de Abu Dhabi e, graças ao ato de colecionar pontos com dedicação semelhante à de um avarento que coleciona moedas, obteve o terceiro lugar num campeonato monopolizado pela equipe Red Bull Racing. No ano seguinte, abriu a temporada com uma convincente vitória na Austrália. Então, como era de esperar, colecionou colocações entre os cinco primeiros. Por este motivo, não chega a ser surpresa ser chamado de volta pela equipe italiana.

Porém, entre sua contratação e a mais recente prova do Mundial — GP da Hungria, vencida por seu companheiro Sebastian Vettel —, Raikkonen contabiliza 84 corridas sem comparecer ao lugar mais alto do pódio.

Só que ele não se abala. Tanto que, no dia seguinte ao GP húngaro, saiu-se como esta pérola:

— Chegar em segundo seria um desastre para 'Seb' (Sebastian Vettel) ou para Lewis. Mas, para mim, saber que tenho carro para brigar pela ponta, que estou ajudando a equipe pela qual fui campeão de 2007, e que ainda sou regiamente pago para acelerar uma máquina dos sonhos, são motivos suficientes para dizer que ganhei meu dia".

Muitos se contentariam com tão pouco. Mas pensar assim é privilégio de quem pratica o esporte pela essência do esporte. E, convenhamos, em 2017, poderia haver mais romântico?

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