nsc
    nsc

    Maus tratos

    Polícia vai investigar comunidade alternativa em Palhoça onde bebê desnutrida morreu

    Os pais de Analua, que viviam com a menina de três meses no Vale da Utopia, foram autuados por maus tratos e a pena pode chegar a 16 anos

    04/08/2015 - 14h49 - Atualizada em: 04/08/2015 - 15h26

    Compartilhe

    Por Redação NSC
    O pai da menina de três meses, Guilherme Smanioto Vieira Paula, autuado por maus tratos junto da mãe, aguarda transferência para o presídio
    O pai da menina de três meses, Guilherme Smanioto Vieira Paula, autuado por maus tratos junto da mãe, aguarda transferência para o presídio
    (Foto: )

    A Delegacia de Polícia da Mulher, Criança e Idoso (DPCAMI) de Palhoça vai investigar a comunidade alternativa Vale da Utopia, entre a Praia da Pinheira e a Guarda do Embaú, depois que a bebê Analua morreu no local por volta das 22h do último domingo devido à desnutrição. Os pais, Fabíola Vieira Skowron e Guilherme Smanioto Vieira Paula, de 26 e 30 anos, foram presos preventivamente por maus tratos na última segunda-feira, quando a menina veio a falecer após o chamado do Samu.

    Casal é preso após morte da filha de 3 meses por desnutrição

    De acordo com a Divisão de Investigação Criminal (DIC), os pais informaram que alimentavam a pequena apenas com o extrato obtido a partir de óleo de coco e castanhas trituradas e que se mudaram de Joinville, Norte do Estado, para o espaço a fim de tratar da criança, que havia nascido "miúda".

    A Polícia teme que outras crianças sejam submetidas às mesmas condições de Analua, conforme explica o delegado da DIC, Adriano Almeida, que atendeu à ocorrência durante o plantão:

    - Entendo que eles vivam um estilo de vida diferente da sociedade, mas eles privaram a criança da alimentação adequada e de médicos, porque a bebê sequer tinha registro e nunca tinha ido a uma consulta. Querendo ou não, vivemos em uma mesma sociedade, e eles estão submetidos às mesmas regras - defende.

    O Conselho Tutelar de Palhoça diz que possui levantamento das crianças que já viveram e vivem no local, que pode servir de apoio à investigação da Polícia.

    A reportagem não conseguiu localizar representantes do Vale da Utopia para comentar o assunto.

    Delegado Adriano Almeida, da DIC de Palhoça, atendeu ocorrência. Foto: Betina Humeres/Agência RBS

    Pais detidos e corpo de bebê no IML

    Fabíola foi encaminhada nesta quarta-feira, 4, ao Complexo Penitenciário de Florianópolis, na Agronômica, e Guilherme está detido na DPCAMI enquanto aguarda a abertura de uma vaga no sistema carcerário. A pena prevista por maus tratos vai de quatro a 12 anos, mas nesse caso pode aumentar em um terço pelo fato de envolver menor de 14 anos.

    - No momento da prisão, eles estavam muito calmos. Não entendiam porque estavam sendo levados, porque estavam fazendo aquilo pelo bem da criança. Também diziam que ela não havia morrido, mas transcendido e virado luz. Em anos de investigação criminal, poucos casos me chocaram tanto quanto esse - avalia o delegado.

    A reportagem esteve na delegacia e tentou conversar com o pai Guilherme, que preferiu não falar sobre o caso. O corpo da bebê Analua permanece no Instituto Médico Legal até que o registro civil seja finalizado por familiares do casal e possam ser feitos, então, os procedimentos funerários. Em razão de a criança não ter certidão de nascimento, a certidão de óbito não pôde ser emitida.

    Amamentação era irregular

    Conforme informações do delegado Adriano Almeida, Fabiana resolveu retirar a prótese de silicone dos seios quando se mudou para a comunidade Vale da Utopia. Desde então, foram três procedimentos cirúrgicos em decorrência de complicações clínicas, que acabaram comprometendo a regularidade da amamentação da bebê.

    - No interrogatório, perguntei se ela não dava de mamar. Ela me disse que tinha amamentado na noite anterior [sábado]. O estado de desnutrição já estava avançado. Ela pediu ajuda tarde demais - avalia o delegado da DIC.

    Durante os seis primeiros meses de vida, o leite materno é único e imprescindível à dieta da criança, segundo explica a nutricionista Thaisa Navolar:

    - Nada substitui o aleitamento até os seis meses. Nem mesmo água é recomendado dar ao bebê. Se há alguma restrição alimentar, como intolerância ao leite, sempre há alternativa, geralmente com os leites especiais. Mas a família precisa solicitar ajuda médica e nutricional para isso - analisa.

    Deixe seu comentário:

    Últimas notícias

    Loading... Todas de Polícia

    Colunistas