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    Precisamos de um VAR para a vida? 10 lições da Copa para o ambiente de trabalho

    Especialistas em carreira apontam: o que aconteceu na Rússia pode servir de exemplo também a quem não entra em campo

    20/07/2018 - 06h48

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    Por Redação NSC
    Sem ter sido cotada entre as favoritas no início da Copa 2018, a Croácia chegou invicta à final contra a França
    Sem ter sido cotada entre as favoritas no início da Copa 2018, a Croácia chegou invicta à final contra a França
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    A Copa do Mundo deixou exemplos para além das quatro linhas do gramado. Quem viu a superação da Croácia, o brilho de Mbappé e a queda precoce da Alemanha pode aprender muito mais do que apenas ensinamentos sobre o futebol.

    — O Mundial nos trouxe grandes lições corporativas. Que possamos aproveitá-las com sabedoria e, mais do que isso, aplicá-las na prática — defende Ronald Dennis Pantin Filho, presidente e fundador da Sociedade Gaúcha de Coaching (SGC).

    Para André Streppel, diretor-executivo da WK Outsourcing, empresa que presta consultoria em recursos humanos, a competição evidenciou ainda que talentos individuais não bastam para formar uma equipe campeã:

    — É aquela história de que, quando a equipe está bem, o talento individual aparece mais. A Copa mostrou bem que até os melhores do mundo, como Cristiano Ronaldo e Messi, têm seus dias ruins, mesmo em momentos tão importantes. É o que acontece também no nosso dia a dia.

    — O grande exemplo desta Copa é que o coletivo superou o individual. Vivemos em uma época em que palavras como cooperação e colaboração ganham cada vez mais importância dentro das empresas, e acredito que essa é uma das grandes lições que a Copa nos trouxe. As empresas devem apostar cada vez mais na sinergia das marcas pessoais dentro de seus times – explica Ilana Berenholc, especialista em presença executiva.

    Inspirados na competição, três profissionais de desenvolvimento de carreira ouvidos por GaúchaZH destacaram exemplos que podem servir de lição para quem quer avançar na profissão ou conquistar mais confiança na vida pessoal. Confira abaixo:

    A força da Croácia

    Desacreditada, sem ter sido cotada entre as favoritas no início da Copa 2018, a Croácia chegou invicta à final contra a França. Só perdeu a última partida, mas saiu com um honroso – e histórico – segundo lugar. Não foi fácil: a Croácia enfrentou três prorrogações (e duas decisões por pênaltis) na fase de mata-mata da competição, contra a Dinamarca, nas oitavas de final; contra a Rússia, nas quartas de final; e contra a Inglaterra, na semifinal.

    — Os jogadores pareciam não se abalar. Mesmo saindo atrás no placar em muitas partidas, se mantinham tranquilos, iam pra cima e revertiam a desvantagem. Isso deve ser tomado por todos como um exemplo de como suportar a pressão e sempre dar o seu melhor – garante Ronald Dennis Pantin Filho, presidente da Sociedade Gaúcha de Coaching (SGC), com 30 anos de experiência na gestão de pessoas em grandes empresas.

    A liderança de Tite

    Mesmo com o resultado adverso, Tite saiu defendido pela maioria dos brasileiros – o que, na avaliação dos especialistas, demonstra um grande amadurecimento inclusive para a população do país, que geralmente cobra do comandante da Seleção nada menos do que o título.

    — O apoio a Tite é uma das poucas certezas para as próximas competições e a Copa de 2022. Ele exerce um tipo de liderança humanizada, em que os integrantes da equipe sentem-se parte de um todo maior. Isso acaba dando um sentido muito forte de missão ao time – entende Pantin Filho.

    Tite
    Tite
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    O rodízio de Tite

    Apesar dos elogios ao técnico da Seleção Brasileira, o coach Pantin Filho aponta dois erros da gestão de Tite: a indicação de um capitão diferente a cada partida – “um time precisa entender quem é o seu líder e reforçar cada vez mais a figura dele” – e a hesitação em fazer substituições na partida contra a Bélgica – “um jogo nas quartas exige do técnico decisões rápidas e ousadia”.

    A estrategista em personal branding Ilana Berenholc acrescenta:

    – Muito se falou da preferência dele por certos jogadores, dando pouca ou nenhuma oportunidade a outros. Não há nada que possa gerar mais insatisfação em uma equipe do que o sentimento de que oportunidades são dadas por preferência, e não por mérito. Outra questão é o fato de não ter escolhido um capitão. As pessoas querem autonomia para realizar seu trabalho, mas ainda assim querem uma figura que seja como uma bússola para aquela equipe.

    A demissão na Espanha

    Dias antes de começar a Copa, o Real Madrid anunciou que, com a saída de Zinedine Zidane, o então técnico da Espanha, Julen Lopetegui, seria o novo comandante da equipe. Sentindo-

    se traída, a federação espanhola não gostou de não ter feito parte das negociações e demitiu Lopetegui. Fernando Hierro assumiu a equipe às pressas na Rússia.

    — Demitir o seu treinador no início da Copa foi um gol contra violento. Seria o mesmo que tirar um presidente de uma empresa em meio a uma negociação histórica com algum cliente. Mesmo que o time tenha dito que isso não refletiu dentro do campo, o desempenho da Espanha na Copa, desclassificada pela Rússia nas oitavas, fala por si só – avalia Pantin Filho.

    Palmas a quem fez seu melhor

    O Panamá perdeu os três jogos que disputou e sofreu 11 gols, mas os dois que marcou foram comemorados como títulos.

    — Muita gente diz que o importante é participar. Mas não acho isso. O importante, como aconteceu com seleções como a do Panamá na Copa, é cada um fazer o seu melhor. Se o seu melhor é conseguir fazer um gol, mesmo tomando seis, vai ficar todo mundo feliz, e isso tem mesmo de ser celebrado — aponta André Streppel, diretor-executivo da WK Outsourcing.

    Mbappé
    Mbappé
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    A ascensão de Mbappé

    Se Neymar saiu contestado e Cristiano Ronaldo e Messi deixaram a Copa sem muito brilho, uma estrela francesa despontou: o agora campeão do mundo Mbappé. E isso, apontam gestores de carreira, não se deve apenas ao seu talento.

    — As competências técnicas, o que chamamos de hard skills, não são suficientes para ser uma referência, seja no campo de futebol ou no meio corporativo. Jogadores que se tornam ídolos apresentam algumas características em comum: além do talento, eles têm soft skills, as habilidades de relacionamento interpessoal, comunicação, inteligência emocional e empatia – diz Ilana Berenholc.

    Ela afirma que Mbappé ainda precisa construir sua reputação:

    — A reputação leva tempo para se desenvolver, o público precisa perceber a consistência na demonstração do comportamento de um profissional em diferentes ocasiões.

    A ausência na Argentina

    Desde os primeiros jogos da Argentina, transpareceu a falta de liderança do treinador Jorge Sampaoli. O técnico acabou fragilizado após rumores de supostas discussões com seus jogadores, sendo vaiado nas últimas partidas.

    — Ficou clara a sua falta de liderança, pois logo depois da Copa foi demitido. Não adianta ter craques/talentos se não houver uma liderança firme e forte no comando. Talentos têm habilidades que devem ser corretamente direcionadas por uma líder carismático e equilibrado — diz Pantin Filho.

    Precisamos de um VAR para a vida?

    Um dos protagonistas da Copa sequer entrou em campo. O árbitro de vídeo, o VAR, foi decisivo em várias partidas, incluindo a final. Também inibiu a deslealdade e a violência, afinal, os jogadores sabiam que estavam sendo mais monitorados.

    Será que nos ambientes de trabalho também é assim?

    — Certamente nos comportamos bem melhor quando estamos sendo observados — diz Streppel, citando as semelhanças entre o VAR e a presença constante de câmeras também nas empresas e no dia a dia.

    Não é só com registros em vídeo que a reputação de alguém pode ser afetada. Os profissionais de desenvolvimento de carreira salientam que falar mal dos colegas pelas costas, espalhar boatos e fazer críticas enciumadas no trabalho podem nem ser gravadas, mas, invariavelmente, acabam descobertas. E quem fica mal nessa história, como em uma revisão do VAR que mostra a farsa de um jogador, é quem estava mais buscando diminuir o reconhecimento de outros antes do que se preocupar com os próprios feitos.

    A decepção com Neymar

    Neymar
    Neymar
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    O futebol abaixo de seu potencial e as encenações em campo levaram Neymar a sair da Copa contestado pela torcida brasileira – e ainda como motivo de piada internacional.

    — Neymar demonstrou, mais uma vez, que sente o peso de ser cobrado e referenciado como craque. Fica evidente a falta de inteligência emocional em momentos adversos — afirma Pantin Filho.

    Comparando a decepção com Neymar ao dia a dia das empresas, ele diz que seria equivalente pensar que um grande executivo, em meio a uma situação de crise nas vendas ou no faturamento, se mostre fraco diante do seu time e perante os seus superiores.

    — Com uma grande diferença: o executivo não deu resultado, "tchau", vai embora. A empresa coloca no lugar alguém que dê. Já no caso do Neymar, não é assim.

    E como recuperar-se de uma imagem manchada? Com o camisa 10, foram as encenações, mas e quem passa por um vexame na festa da firma, por exemplo? A ordem é entender o problema, aprender com o que aconteceu e tentar evitar novas recaídas.

    — Todo profissional tem um lado sombra: aqueles comportamentos que podem influir negativamente na carreira e nos relacionamentos profissionais. É preciso saber administrá-los, já que são os maiores fatores de risco, independentemente de quão talentoso ele seja – afirma Ilana.

    A queda das grandes

    Para os especialistas, a queda de Brasil, Alemanha e Argentina antes das semifinais encontra paralelo com a situação por que passam grandes empresas em um mundo globalizado. Streppel afirma:

    — Cada vez mais gigantes estão tendo sérios problemas para lidar com mudança, com inovação.

    Para ele, seleções tradicionais, assim como empresas reconhecidas, têm dificuldades naturais para lidar com novos processos: enquanto nelas mudanças demoram mais a acontecer, start-ups – ou equipes como uma Bélgica ou uma Croácia – têm mais facilidade para inovar, assim pegando de surpresa quem já está no mercado, seja o corporativo ou o esportivo, há mais tempo.

    — Seleções maiores vivem o mesmo dilema que as empresas muito grandes, que é o de conseguir mudar de maneira significativa em um curto espaço de tempo – conclui o diretor de RH.

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