A Copa do Mundo de 2026 promete ser histórica dentro de campo, mas também já entrou para a história pelos preços cobrados fora dele. A política de ingressos adotada pela FIFA para o torneio nos Estados Unidos, México e Canadá transformou o Mundial em um evento caro.
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Entradas podem ultrapassar R$ 50 mil e há forte uso do chamado “preço dinâmico”, mecanismo que altera os valores conforme a demanda do mercado.
Na prática, o modelo funciona de maneira semelhante ao utilizado por companhias aéreas e plataformas de shows. Quanto maior a procura, mais caros ficam os ingressos. A mudança rompe com a lógica tradicional das Copas anteriores, quando havia maior oferta de bilhetes com preços fixos e distribuição por sorteio. O objetivo da FIFA é maximizar receitas do torneio, que terá 48 seleções e 104 partidas.
Segundo a própria entidade, os ingressos oficiais variam entre US$ 100 e US$ 6.370, dependendo da fase da competição e do setor do estádio. Na final, marcada para o MetLife Stadium, em Nova Jersey, os preços mínimos já ultrapassam os R$ 11 mil, enquanto os setores premium podem chegar perto de R$ 57 mil na venda oficial.
A alta dos preços gerou reação de torcedores e entidades ligadas ao futebol europeu. O grupo Football Supporters Europe (FSE) chegou a pedir a suspensão das vendas, classificando os valores como “extorsivos” e alertando para o risco de exclusão dos torcedores tradicionais.
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A crítica principal é que o Mundial passa a privilegiar turistas corporativos e consumidores de alto poder aquisitivo, diminuindo o espaço do torcedor comum.
O presidente da FIFA, Gianni Infantino, defendeu a política de preços ao afirmar que o mercado norte-americano possui alta capacidade de consumo e forte demanda por eventos esportivos. Ainda assim, o debate sobre acessibilidade ganhou força após a criação de iniciativas paralelas para oferecer bilhetes populares.
O exemplo de Nova York para minimizar o impacto na Copa do Mundo
Nova York tornou-se símbolo dessa discussão. A cidade anunciou um lote de mil ingressos a US$ 50 destinado exclusivamente a moradores locais, distribuídos por meio de sorteio. Os bilhetes incluem partidas da fase de grupos e mata-mata inicial, além de transporte gratuito até o estádio.
A iniciativa surgiu em resposta às críticas sobre o encarecimento da Copa e à dificuldade de acesso para trabalhadores e torcedores comuns.
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O caso nova-iorquino, porém, é exceção, nenhuma outra cidade-sede apresentou proposta semelhante de ingressos populares em larga escala. A avaliação é que o Mundial de 2026 marca uma nova fase comercial, mais próxima da lógica de entretenimento dos esportes americanos do que do perfil popular das Copas do Mundo.
A expectativa da Fifa é vender mais de seis milhões de ingressos ao longo de toda a competição. Até abril deste ano, mais de cinco milhões de entradas já haviam sido comercializadas, segundo dados oficiais da entidade.
