Em apenas quatro anos, desde quando “renasceu” em Rio do Sul, o Santa Catarina se tornou uma sensação e saiu da terceira divisão do Campeonato Catarinense para a semifinal da primeira divisão do Estadual. O time é a grande surpresa da atual temporada da competição mais importante do Estado, e enfrenta o Avaí neste sábado (8), às 17h45min, no Alfredo João Krieck, para disputar uma vaga na final e brigar pelo título.

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A criação do Santa Catarina

O Santa Catarina foi fundado em 1998, com o objetivo de reviver o futebol no Alto Vale do Itajaí, região que atualmente agrupa 28 munícipios, cuja principal cidade é Rio do Sul. Os primeiros anos do clube foram instáveis, devido a uma série de desafios para encontrar a “casa” do time.

No começo, o Santa jogou em Blumenau, e em 2002 participou da segunda divisão em Navegantes. Depois de cinco temporadas, o clube retornou à ativa na Divisão de Acesso em 2007, disputando a Terceira Divisão do Catarinense e representando a cidade de São Francisco do Sul. Nesta época, o time mandou seus jogos no Ernestão, em Joinville.

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Depois de passar anos fora da ativa, o Santa Catarina voltou ao futebol profissional em 2015, desta vez jogando em Imbituba. Na ocasião, o time disputou o primeiro turno da Série C do Catarinense, mas foi eliminado no returno.

A “Águia” renasce das cinzas

O começo da grande sensação que se tornou o Santa Catarina foi em 2022, quando o time voltou a disputar a Série C do Campeonato Catarinense. Neste ano, a equipe passou a mandar seus jogos no estádio municipal Alfredo João Krieck, apelidado de “Alfredão”, em Rio do Sul.

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O Santa Catarina foi campeão da Série C do Estadual, garantindo sua promoção para a Série B de 2023, quando terminou na 4ª colocação geral. No ano seguinte, o Santa foi vice-campeão na segunda divisão, ao ser passado pelo Caravaggio na final. Apesar de não ter levantado a taça, o time conquistou o acesso à elite do futebol catarinense.

Da 3ª divisão do Catarinense para a semifinal da Série A

Os bons resultados de um time não são construídos apenas em campo. A boa gestão do clube, o apoio da Prefeitura de Rio do Sul e o engajamento da torcida local também foram cruciais para o levantamento do Santa Catarina.

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Duda Freitas, Secretário Municipal de Esporte e Lazer de Rio do Sul (direita) junto com o prefeito Manoel (PL) e o mascote do Santa (Foto: Arquivo pessoal)

No começo do reerguimento do clube, quando o Santa voltou a disputar a Série C do Campeonato Catarinense, a Prefeitura do Rio do Sul firmou uma parceria com o clube. O Duda Freitas, Secretário Municipal de Esporte e Lazer de Rio do Sul, explica a contribuição da cidade:

— O Estádio Alfredo João Krieck é municipal, e foi oferecido pela Prefeitura de Rio do Sul para a utilização do Santa Catarina. Então, a Prefeitura fica encarregada das reformas. Desde que o Santa chegou aqui em 2022, todo ano foram feitas melhorias, e esse ano a gente finalizou ajustes que a Federação Catarinense de Futebol pediu de melhorias, inclusive a troca da iluminação. Depois que o Campeonato Catarinense acabar, vai ser feita a troca do gramado também. A prefeitura dá toda a estrutura para o Santa, e também cuida das categorias de base, pagando os técnicos, preparador de goleiro, preparador físico.

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Além disso, Duda também destacou a movimentação econômica que o sucesso do Santa Catarina trouxe não só para Rio do Sul, mas para toda a região do Alto Vale. A prefeitura observou a população engajada, ingressos esgotados em poucas horas, compra de produtos do Santa, rede hoteleira em movimentação constante além do normal para a época e procura pelas escolinhas esportivas acentuada.

Duda reconhece que o apoio da torcida do Santa Catarina foi um dos grandes fatores que determinaram o sucesso do clube. A região do Alto Vale tem aproximadamente 300 mil pessoas, que, segundo o secretário, estavam carentes há muito tempo sem futebol – e, por isso, “deu tão certo”.

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Torcida engajada

Para o torcedor fiel do Santa, Luan Brandão, de 33 anos, a chegada do Santa Catarina em Rio do Sul revolucionou o esporte na cidade. Brandão está presente nas arquibancadas do Alfredão acompanhando o time do coração desde a estreia no estádio, uma vitória contra o Imbituba por 4 a 1, em 3 de setembro de 2022. Desde então, ele nunca mais perdeu um jogo.

— Foi amor à primeira vista. Como um apaixonado por futebol e conhecendo a diretoria e o projeto que seria o Santa Catarina, a gente já abraçou desde o primeiro jogo. E o amor veio mesmo ao ver ao time jogar, comandado pelo Laércio, que era o técnico na época. Já era time muito ofensivo, jogadores ótimos e jovens.

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Por ser um time novo, o processo de conquistar o apoio e identificação dos torcedores pode ser complicado. Luan Brandão acompanhou isso tudo de perto, e no segundo jogo já se organizou com amigos e levou instrumentos para animar as arquibancadas. Os locais não abraçaram o Santa Catarina logo de início, mas eventos e divulgações organizadas pela própria torcida ajudaram a trazer mais apoiadores.

— A identificação foi se criando aos poucos. Começou pelo bairro local Canoas, onde fica o Estádio Alfredo João Krieck, e cada torcedor ia convidando amigos e crescendo. Hoje na série A já tem essa explosão, até na semifinal agora contra o Avaí devem vir torcedores que nunca foram ao estádio. […]. Tem muitos amigos que falam, obrigado por ter me convidado, porque eu acho que todo amante do futebol, todo apaixonado, gosta desse futebol ofensivo, de um jogo bonito. E como o Santa Catarina é invicto no Alfredão, nunca perdeu um jogo em casa, eu costumo falar, é fácil se apaixonar, é fácil criar esse amor.

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A certeza de ver uma boa partida no Alfredão trouxe os torcedores para perto. Entretanto, no futebol, bons resultados em campo não são o suficiente para o sucesso de um clube. Uma gestão competente do clube, por parte do presidente e diretores, também é essencial.

Presidente trouxe o clube da C para a elite de SC

Santa Catarina (Foto: Divulgação, Santa Catarina, Rolf Jr)
Presidente do Santa Catarina, Anilton Hegen (Foto: Divulgação, Santa Catarina, Rolf Jr)

O presidente Anilton Hegen, que trabalha no Santa Catarina desde 2022, trouxe a equipe da Série C do Campeonato Catarinense para a Série A com um orçamento curto, e sempre com as contas em dia. Hegen avalia as características da diretoria que contribuíram ao sucesso do time:

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— A nossa gestão é a famosa gestão pé no chão. A gente faz as coisas medidas, a gente não faz nada que não tá ao nosso alcance. E com bastante seriedade e honestidade, assim as coisas vêm dando certo. Além disso, também tem o fator torcida. O Alto Vale estava carente de futebol profissional, a gente trouxe o Santa Catarina para cá e apresentou sempre um bom futebol e a torcida se apaixonou rapidamente.

O elenco do Santa Catarina

O departamento de futebol do Santa Catarina tem uma parceria com empresários de São Paulo desde 2022, e é “dividido” entre os dois estados. Os profissionais de São Paulo montam uma parte do elenco, sugerem nomes, e a outra parte do elenco é montada por atletas que a equipe de Rio do Sul contrata e oferece.

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O objetivo desta parceria é fazer o intercâmbio de atletas. Os jogadores da base do Santa Catarina são lançados em São Paulo, e os empresários de lá “caçam” jogadores e trazem para SC, como é o caso de Cleberson, Gui Lobo, Mendes, Brendon e Bruninho, Gui Nascimento, Renan, Patrick Habibi e Zé Leandro – todos vieram do União Suzano.

Santa Catarina busca vaga na final do Campeonato Catarinense

A partida para conhecer o primeiro finalista do Campeonato Catarinense de 2025, entre Santa Catarina e Avaí, será às 17h45min deste sábado (8), no Alfredo João Krieck. A NSC TV transmite o jogo ao vivo, e o NSC Total traz a cobertura completa.

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Melhor colocado na primeira fase do estadual, o Santa faz o jogo único no estádio Alfredo João Krieck, em Rio do Sul. Quem vencer, avança à final e enfrenta Chapecoense ou Joinville, que jogam no domingo. Em caso de empate, a decisão vai para os pênaltis.

O Santa, que nunca perdeu no Alfredão, pretende contar com o fator “casa” para buscar a vitória. O presidente Anilton Hegen julga que a fase com jogo único, inclusive, é uma vantagem para o clube de Rio do Sul.

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— É um jogo que é mais pegado, mais tenso, contra uma grande equipe que é o Avaí. É um jogo que é definido nos detalhes.Jogo único para nós até a gente acha que é bom, que nos favorece um pouco e ainda dentro da nossa casa. Então é importante que esse fator casa para nós agora é muito importante — disse.

*Lia Capella é estagiária sob a supervisão de Diogo Maçaneiro

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