Ruas, casas e estabelecimentos decorados de verde e amarelo, união de diversas torcidas rivais e ansiedade lá em cima: coisas que apenas uma Copa do Mundo pode gerar. Em 2026, após quatro anos de espera, o torneio está de volta, com sede nos Estados Unidos, Canadá e México. E, como de costume, Santa Catarina terá representantes dentro e fora de campo.
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Veja todas as capas dos álbuns de figurinha da Copa do Mundo
Torcedores catarinenses já preparam as malas rumo à América do Norte para acompanhar de perto a Seleção Brasileira e os principais jogadores do futebol mundial. Rubens Benevenutti, o Binho, morador de Gaspar, e a blumenauense Bruna da Silva pretendem estar presentes.
Os dois são exemplos claros de que a Copa une todos os tipos de fãs de esporte. Binho é um apaixonado por tudo que envolve futebol; já Bruna é fã especificamente de Copas do Mundo.
Binho, torcedor do Botafogo e da Seleção Brasileira, esteve presente nas últimas três Copas — no Brasil (2014), na Rússia (2018) e no Catar (2022) — e agora se prepara para a sua quarta, com o mesmo sonho: ver o hexacampeonato da Canarinho de perto.
Além disso, acompanhou, do estádio, os títulos do Brasil na extinta Copa das Confederações, em 2013, nas Olimpíadas de 2016 e na Copa América de 2019, todas em solo brasileiro.
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— Em 2014, vi 13 jogos. Só não visitei a Arena das Dunas, em Natal, a Arena da Amazônia e a Arena Pantanal, em Cuiabá; o restante dos estádios visitei todos. Em 2018, na Rússia, vi sete jogos; já no Catar, vi oito partidas. Como sou fã de futebol, não vi apenas jogos do Brasil, mas também de outras seleções e vivi momentos muito emocionantes. O momento que mais me marcou foi Brasil x Croácia, na abertura da Copa de 2014, na Arena Corinthians. Naquele dia, estava realizando meu sonho — relembra Binho.
Até então, ele viu todas as semifinais de perto e duas decisões. Em 2026, pretende ver os brasileiros na grande final para realizar mais um sonho, que começou lá em 1982, acompanhando a lendária seleção de Telê Santana, Zico, Júnior, Falcão, Sócrates, Cerezo e outros ícones nacionais.
— Ali começou aquele amor, com 10 anos de idade, pelo futebol e pela Seleção. A partir daí, vivenciei todas as Copas pela televisão; vi 94, 2002. […] Essa herança de amor pelo futebol vem dos meus familiares. Meu pai era um botafoguense fanático e também pela seleção. Desde os 10 anos, coleciono revistas Placar, ouvindo jogos no rádio porque não tínhamos televisão. Sempre jurei para mim que, se um dia pudesse, iria acompanhar os jogos da Copa do Mundo, e esse momento chegou em 2014. Poder ver o Brasil campeão seria um sonho inédito; eu iria zerar tudo no futebol. Se tem alguém que acredita no hexa, sou eu — afirma Binho, emocionado.

Aos 53 anos, ele é um colecionador nato, com todos os álbuns de figurinhas da Copa do Mundo, camisas lendárias, como a de 2018 autografada por todos os jogadores, além de bandeiras e até uma réplica da taça do torneio.
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Além da paixão, o ambiente familiar contribui para essas viagens. Isso porque, como um bom profissional de contabilidade, é ele quem cuida das economias; já a esposa, Cássia, que trabalha com turismo, fica de olho na logística. Ou seja, já está tudo nos conformes para ir ao Mundial: passagens compradas, malas feitas, com camisas e bandeiras preparadas para torcer.
“A nossa logística aposta no Brasil passando em primeiro na fase de grupos. Como as distâncias são grandes, se o Brasil não ficar em primeiro, temos que ter um plano B para a troca de locais. É um hobby que pratico não só em Copa do Mundo; acompanho muito futebol pelo mundo, como Libertadores, Champions League, Eurocopa, Olimpíadas e Copa América”, conta Binho.
Ele verá os dois primeiros jogos da Canarinho de casa. Após isso, viaja no dia 23 de junho para ver o duelo contra a Escócia, no Hard Rock Stadium, na Flórida, e acompanha os desafios seguintes, além de jogos de outras seleções, em Dallas e na Filadélfia.
“Apesar da dificuldade de comprar ingressos, consegui, por meio da CBF, ingressos condicionais, que são para assistir até onde o Brasil seguir vivo na competição. As entradas saíram por cerca de 60 dólares, diferente do que vem sendo vendido oficialmente, que é acima de 1.200 dólares para os jogos da Seleção na primeira fase”, completa.
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Paixão pela Copa do Mundo
Já Bruna, moradora de Blumenau, tem uma relação um pouco diferente com o esporte. Ela não assiste a jogos de futebol em seu cotidiano. Porém, em período de Copa do Mundo, se transforma. A torcida dela é exclusiva pela Canarinho desde 1994, com a seleção de Taffarel, Bebeto, Dunga e Romário.
— Tenho um filho de 8 anos que gosta muito de futebol. Ele nasceu em ano de Copa, em 2018, e assistimos aos jogos do Brasil em casa. Fizemos ensaio fotográfico dele bebê com roupinha do Brasil e adereços de futebol. Eu assisti a dois ou três jogos em estádio em toda a minha vida, mas, quando descobri que a Copa seria nos três países — México, EUA e Canadá —, comecei a sonhar com a viagem perfeita com meu filho: para um país que eu amo (México) e que sediará jogos da Copa, numa idade em que crianças amam futebol — conta Bruna.
Ela tem o sonho de ver, pela primeira vez, uma Copa no estádio, ainda mais no México, país com o qual tem familiaridade por conta de um intercâmbio que fez por lá.
As passagens para a abertura da competição já estão compradas, mas ela vive um verdadeiro perrengue para adquirir os ingressos, devido ao sistema de sorteio da Fifa. No entanto, o sonho segue vivo, e ela afirma que vai para o tudo ou nada para tentar ver os jogos.
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— Comecei a falar com amigos mexicanos para verificar se eles poderiam comprar para mim. Nada. Ao contrário, me recomendaram não ir nessas datas da Copa, porque está tudo inflacionado: hotel, restaurantes. Mas meu sonho foi mais forte que a recomendação, então decidi comprar as passagens aéreas para garantir. Decidi ir para o México e tentar comprar os ingressos lá. Meu sonho é ver a abertura da Copa no México, e ainda tenho esperança — completa.
Apesar das dificuldades, uma coisa é certa: Bruna tentará viver o ápice do futebol, assim como Binho e sua esposa, levando Santa Catarina para a América do Norte.
Representante catarinense em campo
Se Santa Catarina não deve contar com atletas representando o estado em campo, o árbitro Ramon Abatti Abel, natural de Turvo e atualmente morador de Araranguá, está confirmado no torneio. Ele será o primeiro catarinense a apitar uma Copa do Mundo, representando o quadro da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) ao lado de Wilton Pereira Sampaio e Rafael Claus.

Aos 36 anos, Ramon já apitou Copa do Mundo Sub-20 e as Olimpíadas de Paris, em 2024, sendo, inclusive, o árbitro da final entre França e Espanha. Os espanhóis foram campeões com um placar de 5 a 3. No futebol de clubes, ele apitou, em 2025, o Mundial, comandando inclusive o duelo entre Real Madrid e Borussia Dortmund.
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Apesar de estar em uma das profissões mais difíceis do esporte — que recebe muito mais as famosas cornetas do que o apoio da torcida —, ainda assim ele terá gente torcendo ativamente por ele, nem que seja à distância.
— Família e os árbitros são os torcedores. Sou muito grato por estar desfrutando desse momento incrível — diz o árbitro.
No total, a Fifa selecionou 52 árbitros, 87 auxiliares e 30 árbitros de vídeo para a competição, que terá 104 partidas. A última vez que o Brasil teve três árbitros em uma Copa foi em 1950, disputada no país. Desde então, sempre um único juiz foi selecionado, com exceção de 2022.
Apresentadora do Globo Esporte SC presente na Copa do Mundo
Os 26 convocados de Ancelotti para a Copa do Mundo ainda não foram confirmados, mas quem está garantida no torneio é a jornalista Fernanda Moro, da NSC TV. A apresentadora do Globo Esporte irá representar a emissora na América do Norte, acompanhando de perto as histórias dos catarinenses na maior competição de seleções do planeta, além, é claro, de ver os melhores jogadores em ação.
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Natural de Marema, no Oeste de Santa Catarina, Fernanda Moro está na NSC TV há sete anos. O início foi em Chapecó, como repórter da equipe do Jornal do Almoço local. Em 2022, desembarcou em Florianópolis e, após um ano na casa, tornou-se integrante da equipe de esportes, fazendo reportagens para o Globo Esporte e apresentando o tema no Bom Dia SC.
Nesse período, participou de transmissões esportivas de diversas modalidades, grandes coberturas e até de evento internacional, com a cobertura da largada da The Ocean Race, diretamente da África do Sul. Porém, em meio a tantos esportes, o futebol é seu “xodó” e, claro, se estar na Copa é a realização de um sonho para os atletas, para uma jornalista apaixonada por futebol não é diferente.
— Com certeza é a realização de um sonho de infância. O futebol sempre fez parte da minha vida, muito antes de eu pensar em ser jornalista. Quando escolhi o Jornalismo, eu sabia que queria contar histórias, mas não imaginava que isso poderia me levar até uma Copa do Mundo. Penso que esse é o maior sonho de quem ama o jornalismo esportivo. É um passo muito importante, ainda mais representando a NSC. Espero conseguir mostrar o ambiente, contar boas histórias e conectar os catarinenses com as emoções que só uma Copa do Mundo pode proporcionar — celebra Fernanda.
Relação com o futebol
Porém, além da Canarinho, o coração de Fernanda também tem um espaço reservado para o futebol internacional, principalmente para o Liverpool, um dos maiores clubes da Inglaterra.
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— Em 2005, Milan e Liverpool disputaram a final da Champions League, e eu faltei à escola para assistir à partida. Estava torcendo para o time italiano, que tinha brasileiros como Kaká, Cafu e Dida. Na época, eu ainda não conhecia o Liverpool, que protagonizou uma virada histórica depois de estar perdendo por 3 a 0. Lembro que, durante o jogo, a torcida inglesa cantava o tempo todo. Aquilo me despertou curiosidade— conta.
Em 2025 Fernanda foi conhecer a cidade e o clube do coração, vendo em campo ídolos do clube e outros grandes nomes do futebol mundial, que devem estar presentes na Copa do Mundo de 2026. Mas afinal, quais são os craques que atraem a atenção dela e que podem se destacar no torneio?
— A Copa do Mundo deste ano será especial porque pode marcar a despedida de grandes nomes do futebol, como Cristiano Ronaldo e Messi. Pela minha identificação com o Liverpool, também tenho interesse em ver de perto Mohamed Salah, que vai defender o Egito. A fase artilheira de Harry Kane também chama atenção, assim como o elenco estrelado da seleção francesa. Pela Seleção Brasileira, minha curiosidade fica por conta de um atleta que eu gostaria de ver convocado por Ancelotti. É o atacante Igor Thiago, que vem fazendo história na Premier League e é o brasileiro com mais gols em uma única edição do campeonato até aqui, com 21 gols em 32 rodadas — afirma.
Novo formato e mais seleções
O Mundial terá novo formato a partir deste ano, com 48 seleções, e será disputado em três países: Canadá, Estados Unidos e México. As seleções participantes serão divididas em 12 grupos com quatro equipes cada.
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Os dois melhores times de cada chave e os oito melhores terceiros colocados no geral avançarão à segunda fase, dando início ao mata-mata. Equipes dos países anfitriões, Canadá (B), México (A) e EUA (D) já têm grupos definidos e são cabeças de chave.
Ao todo serão 16 cidades-sede: duas no Canadá, três no México e 11 nos Estados Unidos. As sedes estão divididas em três regiões, levando em consideração a geografia da América do Norte: Oeste, Central e Leste. A Fifa pretende organizar a competição de forma com que as seleções viajem no sentido vertical do mapa mundi, evitando grandes deslocamentos na fase de grupos.
Confira os locais dos jogos da Copa do Mundo
Para ser campeã mundial, uma seleção agora terá que encarar oito jogos, um a mais do que no modelo em vigor até 2022. Isso porque o aumento de times levou à criação de mais uma fase, 16-avos de final, que será o primeiro mata-mata, antes das oitavas. Quem perder na semifinal também fará oito partidas, porque a disputa pelo terceiro lugar geral permanece no regulamento. As equipes que se enfrentaram nos grupos não se pegam nos 16-avos de final.
O Brasil está no Grupo C, com Escócia, Haiti e Marrocos. A estreia acontece no dia 13 de junho, em Nova Jersey, contra a seleção Marroquina.
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Opinião
Rodrigo Faraco
A Copa do Mundo de 2026 começa a ganhar contornos mais claros, e também mais exigentes, para a Seleção Brasileira. A partir dos sinais recentes, especialmente nos amistosos contra França e Croácia, já é possível estabelecer uma régua de comparação. E ela não é confortável. Hoje, no cenário global, há pelo menos quatro seleções que largam à frente na disputa pelo título: França, Espanha, Argentina e Portugal. Não apenas pelo talento individual, mas pela maturidade coletiva, continuidade de trabalho e repertório de jogo.
A França segue sendo o parâmetro mais alto. Elenco, intensidade física e jogadores decisivos em todas as linhas fazem do time francês um modelo completo. Foi exatamente esse enfrentamento que expôs o Brasil: competitivo em momentos, mas ainda irregular, especialmente sem seus principais nomes.
A Espanha aparece logo atrás, com um jogo cada vez mais vertical, menos previsível e sustentado por uma geração jovem comandada pelo talentoso Lamine Yamal, que já performa em alto nível. A Argentina, atual campeã mundial, mantém a base, o espírito competitivo e uma identidade muito clara de sabe sofrer, sabe jogar e, sobretudo, sabe ganhar. Já Portugal talvez seja o time que mais evoluiu coletivamente nos últimos anos: organização, intensidade e uma capacidade ofensiva que o coloca definitivamente no grupo dos candidatos reais ao título.
E o Brasil? Os amistosos recentes foram mais úteis do que confortáveis. Contra a França, mesmo na derrota, houve respostas individuais importantes. Contra a Croácia, a vitória trouxe confiança e reforçou a ideia de um time em construção. Jogadores como Léo Pereira e Bremer deram sinais defensivos relevantes, enquanto o trio Luiz Henrique, Endrick, e Igor Thiago ofereceu energia, profundidade e alternativas ofensivas. Há, sim, material humano.
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Mas o principal ponto está no desenho coletivo. A Seleção de Carlo Ancelotti começa a mostrar um perfil claro: um time preparado para reagir, para atacar em velocidade, especialmente contra adversários de alto nível. Isso não é demérito. Pode ser, inclusive, uma arma decisiva em jogos grandes de Copa do Mundo. O problema é que, neste momento, o Brasil ainda depende mais do contexto do jogo do que o controla.
O hexa, hoje, não aparece como cenário provável. Mas também não é impossível. A distância para os favoritos existe e é real. Só que, se há algo que os amistosos mostraram, é que o Brasil começa a reduzir esse espaço. Ainda não é um time pronto. Mas já deixou de ser uma incógnita.
Chico Lins
E cá estamos nós de novo numa Copa do Mundo! Para quem ama futebol como eu, é o momento esperado ansiosamente a cada quatro anos. E sempre existe polêmica na convocação, e sempre existe discussão sobre quem pode ficar com o título. Pois vamos fazer esse exercício, absolutamente incerto de fazer previsões sobre a seleção brasileira e a Copa do Mundo em geral.

O ciclo da seleção brasileira foi muito tumultuado. Na espera de Ancelotti, três técnicos passaram pelo comando do time. Ramon Menezes, Fernando Diniz e Dorival Jr. Os péssimos resultados foram derrubando um por um, até a chegada de “Carleto” há pouco mais de um ano para a Copa. Em termos de planejamento, demos um péssimo exemplo.
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Não coloco a nossa seleção entre as principais favoritas. França e Espanha estão na prateleira mais alta. Portugal e Inglaterra vêm logo depois. Muita gente coloca a Argentina como uma das favoritas, mas acho bastante improvável ela repetir o que fez no Qatar, e tem chance de ser a grande decepção da Copa. Claro que o Brasil pode ser campeão, mas coloco no mesmo patamar da Holanda, depois das quatro principais favoritas.
Sempre aparece uma zebra em Copas do Mundo. As candidatas são Marrocos, Equador, Colômbia, Japão, Noruega e Uruguai. Claro que isso depende muito do caminho que cada uma tiver, mas vejo essas seleções como possíveis surpresas pelo potencial de seus elencos.
A grande polêmica dos últimos tempos na seleção brasileira é a situação de Neymar. O debate é tão válido quanto cansativo. Sendo realista, se o camisa 10 do Santos se chamasse Antônio, ele não seria nem lembrado. O problema é que ele se chama Neymar, e na opinião de muita gente, inclusive a minha, é, disparado, o melhor jogador brasileiro dos últimos 15 anos. Só que estamos em 2026, e a realidade, pela idade e pelas lesões, joga contra o jogador.
Se ele for, será pelo que fez lá atrás, e não pelo que faz agora. Um argumento que pode pesar a seu favor é que são 26 convocados e é melhor levar Neymar a 50% do que um Richarlyson, por exemplo. Em outras posições não tem tanta polêmica. Ancelotti quer levar mais atacantes do que meias e acho isso perigoso. É bom ter mais opções para o meio de campo até mesmo para uma eventual mudança de sistema tático.
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