A Arena Joinville foi cenário de momentos de desespero para a torcida que acompanhava a partida do Joinville contra o Marcílio Dias na noite dessa terça-feira (3). Inconformados com o desempenho do clube, torcedores arremessaram diversos sinalizadores ao campo, o que levou à paralisação do jogo por cerca de uma hora.
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Um dos torcedores que vivenciou o drama do caos na Arena foi Marcos Aurélio Ponciano, de 52 anos, que estava na área coberta. Ao NSC Total ele relembrou como a confusão começou.
— Tudo aconteceu quando o Marcílio fez o terceiro gol, aí a torcida começou a vaiar lá e logo em seguida o número 8 do JEC [Bruno Camilo] foi expulso — conta.
Veja fotos da confusão
Rapidamente, a nuvem de fumaça tomou conta do gramado e levou a paralisação da partida, que já estava no segundo tempo. Logo em seguida, o torcedor, que estava acompanhado do filho de 23 anos, relata que a Polícia Militar entrou no gramado para tentar conter a situação.
— A polícia entrou em campo, começou a dar tiro de borracha, aí a torcida da União saiu do estádio, aí deu vários tiros de borracha lá, (…) foi lamentável. Aí eu fiquei lá até uns 15 minutos, peguei o meu filho e falei “vamos embora que não vai mais ter jogo” — diz.
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O torcedor Rafael Augusto Martins, de 36 anos, que também acompanhava o jogo na Arena, definiu como “tenso” o primeiro jogo do JEC pelo quadrangular do descenso do Campeonato Catarinense.
— Foram dezenas de sinalizadores, rojões e fogos de artifício, o jogo ficou paralisado quase por 1 hora, a polícia ficou de dentro do campo atirando balas de borracha em alguns torcedores, que revidaram jogando latas e outros objetos nos policiais, foi bem tenso — relata.
Veja o vídeo dos sinalizadores jogados ao campo
A partir do momento em que decidiu sair da Arena, com medo de sofrer algum tipo de agressão, até chegar ao carro, Marcos passou por momentos de desespero. Logo depois, pai e filho viveram o choque de presenciar uma confusão dessa dimensão durante um jogo de futebol.
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— Nunca tinha visto isso na história do JEC e meu filho, que é torcedor fanático do JEC, tem tatuagem do JEC e tudo, nunca passou por isso também, né? Um menino novo que é apaixonado pelo Joinville, mas ele falou que até ficou desacreditado com o que ele viu ali — afirma Marcos.
Como sinalizadores entraram na Arena
A principal suspeita é que os sinalizadores seriam usados pela torcida para recepcionar o ônibus do time na chegada na Arena Joinville. No entanto, os torcedores teriam desistido da ideia por conta da forte chuva e conseguiram acessar as arquibancadas com os materiais, que são proibidos no local.
Segundo a Polícia Militar, a responsabilidade pela fiscalização é da equipe mandante da partida que, neste caso, seria o JEC, que não se manifestou sobre o episódio.
O que dizem as autoridades
O tenente-coronel da Polícia Militar Christofer Rudolf Froehner afirmou em entrevista ao Jornal do Almoço que ninguém foi preso durante a ação policial e nenhuma pessoa precisou receber atendimento médico no local.
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— Nós fizemos o policiamento, tivemos uma ação bastante preventiva, mas utilizando instrumentos de menor potencial ofensivo. Nós canalizamos aquela multidão que estava com aquela atitude agressiva, fazendo aquele protesto — diz.
O foco dos policiais, segundo o tenente-coronel, foi conter a torcida envolvida na confusão, dentro da Arena e também no entorno.
O relatório oficial da ocorrência não foi concluído pela Polícia Militar até a publicação desta matéria A previsão é que o documento esteja pronto até o fim da tarde desta quarta-feira (4) e encaminhado à Federação Catarinense de Futebol.
O que acontece agora
Após o caso, a Federação Catarinense de Futebol pode oferecer denúncia ao Tribunal de Justiça Desportiva de Santa Catarina contra o tricolor joinvilense. Isto será feito com base na súmula do jogo.
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Caso a denúncia contra o JEC se concretize, o Tribunal analisa o caso e marca a data do julgamento. O clube pode ser punido com multa, portões fechados ou, ainda, ter que jogar em outro estádio, fora de Joinville.
Como foi o jogo
O Marcílio Dias venceu o Joinville por 4 a 2 na noite de terça-feira (3), na Arena Joinville, no fechamento da primeira rodada do Quadrangular do Rebaixamento do Campeonato Catarinense 2026.
O JEC abriu o placar com o meia Bruno Camilo, aos 34 minutos do primeiro tempo. Logo na sequência, Jonathan empatou a partida em jogada aérea. Ainda na etapa inicial, o JEC conseguiu marcar o segundo gol com Gabriel Terra, aos 43 minutos.
Já na segunda etapa, o Marinheiro marcou dois gols na sequência: o primeiro com o zagueiro Claudinho, aos 17 minutos, e o segundo com o atacante Zé Carlos, aos 20. Poucos minutos depois, Bruno Camilo recebeu o segundo cartão amarelo e deixou o JEC com um jogador a menos.
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O jogo também foi paralisado por quase uma hora por conta dos sinalizadores arremessados no gramado. O caso ocorreu aos 29 minutos do segundo tempo.
A torcida local, posicionada atrás da meta defendida pelo goleiro Matheus Cavichioli, do Marcílio, começou a atirar sinalizadores dentro do campo. No mesmo instante, o árbitro Bráulio da Silva Machado precisou paralisar a partida.
Após a fumaça que ocupava o campo de jogo se dissipar e a limpeza do gramado ser concluída, a partida foi retomada depois de 52 minutos de paralisação. A reinicialização aconteceu após autorização da Polícia Militar.
Com a volta do jogo, o Marcílio Dias marcou o quarto gol com Felipe Cruz, após receber passe de Cesinha.
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Com o resultado, o Marcílio Dias assume a liderança do Quadrangular do Descenso, na única posição que livra do rebaixamento. Enquanto isso, o JEC segue sem pontuar e na lanterna.
O próximo compromisso do Marinheiro será contra o Carlos Renaux, na segunda-feira (9), às 20h, no estádio Gigantão das Avenidas, em Itajaí. O JEC enfrenta o Figueirense na sexta-feira (6), às 20h, no estádio Orlando Scarpelli, em Florianópolis.
Como funciona o quadrangular do descenso
Os dois eliminados de cada grupo farão um quadrangular da morte na disputa pela permanência na primeira divisão catarinense. Serão seis rodadas, de ida e volta, onde o líder desse quadrangular irá se salvar. O melhor quinto colocado da primeira fase entra no quadrangular do rebaixamento com um ponto.
*Sob supervisão de Leandro Ferreira








