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    Tráfico e desavenças motivam três em cada quatro homicídios ocorridos em Florianópolis

    Menos da metade dos crimes de 2017 já têm autoria definida e apenas três prisões e uma apreensão foram concretizadas

    06/03/2017 - 23h00

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    Por Redação NSC
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    A apuração dos 42 homicídios registrados em Florianópolis desde janeiro não revela apenas que trata-se do início de ano mais violento na Capital — a cidade já soma quase metade dos 92 casos ocorridos em todo o ano de 2016, considerando também mortes em confronto policial, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte.

    Levantamento da Delegacia de Homicídios da Polícia Civil, divulgado no "RBS Notícias" desta segunda-feira, aponta que menos da metade dos crimes já têm autoria definida e apenas três prisões, além da apreensão de um adolescente, foram concretizadas desde o início do ano.

    Segundo os inquéritos, praticamente três em cada quatro crimes praticados este ano têm como motivação o tráfico de drogas ou desavenças entre os envolvidos. A mancha criminal ainda expõe a concentração das ocorrências em duas regiões: só o bairro Monte Cristo, que reúne as comunidades Chico Mendes e Novo Horizonte, no Continente, foi cenário de pelo menos uma em cada quatro mortes.

    O Norte da Ilha soma 19 casos, com maior concentração na comunidade do Siri, onde a prefeitura chegou a demolir casas erguidas em áreas irregulares. Criada em 2008, a Delegacia de Homicídios da Capital nunca registrou estatísticas tão alarmantes como nos últimos meses.

    —A Polícia Civil trabalha em cima de informação. Quando a prova não chega, a gente não consegue fazer nada. A gente procura tentar conversar com as pessoas, mas o medo de represálias, de ser mais uma vítima, não deixa com que eles falem. Infelizmente, é um processo a mais que vai para o arquivo — aponta o titular da DP de Homicídios, delegado Ênio Matos, em declaração à RBS TV.

    A dificuldade de se reunir provas para comprovar a autoria dos crimes também é apontada como um desafio pelo juiz da Vara do Júri de Florianópolis, Marcelo Volpato de Souza, responsável pelos processos que julgam os crimes contra a vida. Além de confirmar que as estatísticas crescentes já têm reflexo no trabalho judicial, com maior demanda por medidas cautelares e interceptações telefônicas, o magistrado ainda expõe preocupação particular com o medo das testemunhas.

    —Até por conta dessa onda de violência, as pessoas que presenciaram um fato têm medo de falar. Dificulta bastante o trabalho da polícia e acaba prejudicando o processo judicial — reforça o magistrado.

    Hoje, segundo o delegado Ênio, a DP de Homicídios conta com um grupo de dois delegados, nove agentes e apenas um escrivão. O efetivo, reconhece, está longe do que seria ideal para atender à demanda.

    Tanto para o delegado quanto para o juiz ouvidos pela reportagem, a percepção é de que uma fatia significativa dos homicídios em Florianópolis resulta de conflitos entre grupos locais, sem necessariamente envolver grandes facções.

    —Algumas situações envolveram briga de facções, mas as motivações não têm nenhuma novidade diferente dos anos que passaram — alega Ênio.

    Praticamente nove em cada dez assassinatos foram praticados com uso de arma de fogo.

    Leia também: "As pessoas que presenciaram um fato têm medo de falar", aponta juiz da Vara do Júri de Florianópolis

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