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Natureza

Trilha da Lagoinha do Leste é revitalizada em Florianópolis

Reportagem foi conferir como ficou o acesso a uma das praias mais preservadas da Ilha

07/11/2016 - 05h21 - Atualizada em: 21/12/2016 - 09h09

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Por Redação NSC
(Foto: )

O ar puro, o verde, os sons sutis e os mais nítidos em meio à Mata Atlântica são um convite à contemplação. Se o caminho por si só já é um mergulho para dentro de si mesmo, junte a isso uma praia selvagem, com areia branca e uma lagoa intocada no fim da trilha.

Visitar a Lagoinha do Leste, uma das últimas praias preservadas da Ilha de Santa Catarina, é tudo isto e mais um pouco. Embora sempre tenha estado lá, o homem que muitas vezes trata a natureza como um objeto de exploração, desta vez agiu diferente, revitalizando a trilha que parte do Pântano do Sul para que mais gente tenha a oportunidade de conhecer o paraíso escondido por detrás do morro.

Dizer que o acesso ficou fácil seria um exagero, mas ao menos está mais democrático: não exige a perícia técnica de um "trilheiro profissional", mas continua pedindo pulmões em bom estado, assim como coração e pernas. Ao chegar no topo, mais uma respirada profunda: a vista continua de tirar o fôlego.

Foram cinco meses de trabalho árduo que iniciou com três homens e finalizou com dois. A revitalização da trilha faz parte do programa Roteiros do Ambiente, realizado pela Fundação Municipal do Meio Ambiente de Florianópolis (Floram) em parceria com outras entidades.

Adenir Antônio Ramos, o Maninho, do Instituto do Multidisciplinar do Meio Ambiente e Arqueoastronomia (IMMA) foi um dos que colocaram a mão na massa, literalmente, para mover pedras, melhorar o traçado e colocar os roletes de eucalipto nos pontos críticos da trilha:

_ Fizemos várias visitas técnicas e elencamos os pontos mais críticos, vimos onde poderíamos usar as próprias pedras do local. Em outros pontos colocamos os roletes de eucalipto, pois são seguros contra a erosão e produzem a segurança necessária para as pessoas _ explica Maninho.


Aberta por pescadores

Apesar de ter quem reclame da facilitação no caminho, os responsáveis explicam que se trata de uma questão de segurança. A trilha aberta por pescadores nativos há mais de um século foi ganhando fama entre turistas e moradores ao longo do tempo, porém o caminho nunca havia sido adequado. Cada vez mais degradado pela ação do homem, os buracos no solo foram aumentando, e os usuários abriam espaço entre a mata nativa para fugir da lama, trechos escorregadios e perigosos. 

_ Já tivemos muitos acidentes, pessoas que iam fazer a trilha despreparadas e pegavam informações erradas. Agora está tudo devidamente sinalizado, fizemos o plantio de árvores nativas. A trilha está dentro de uma unidade de conservação, vamos poder fiscalizar também com mais facilidade _ explica Mauro Manoel da Costa, do Departamento de Unidades de Conservação da Floram. 

Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS

O trecho

Logo na entrada na rua Manoel Pedro de Oliveira, no Pântano do Sul, o visitante já encontra todas as informações padronizadas de acordo com as normas da ABNT para saber se tem condições e está disposto a seguir com o desafio. Em uma escala que vai até 5 no nível de dificuldade em quatro critérios, o maior esforço está nas condições do terreno, que recebeu nota 3. O percurso de 2,2 quilômetros leva em média 50 minutos para ser feito, com muitos trechos íngremes. Ao longo da trilha, placas sinalizam quantos quilômetros já foram percorridos, além de existirem dois pontos com água de cachoeira fresquinha para reabastecer. 

Chegando lá, a areia branquinha e o mar bravo de águas geladas são um convite a um mergulho. Surfistas costumam frequentar a praia em busca das ondas. Quem curte mais sossego pode ficar de molho na lagoa que dá o nome à praia, recuperando as energias para a caminhada da volta.

A outra opção de trilha para a Lagoinha do Leste, partindo da praia do Matadeiro, ainda não foi revitalizada. 

Outros locais de Florianópolis serão revitalizados

Em 2015, a Floram criou o Programa Roteiros do Ambiente – Trilhas e Caminhos na Ilha de Santa Catarina e a primeira ação foi a revitalização da trilha do Poção do Córrego Grande. Em 2016, foram elencadas 10 trilhas para serem melhoradas, e a primeira a ser  finalizada foi a da Lagoinha do Leste, por ser uma das mais conhecidas e frequentadas.

De acordo com Mauro Manoel da Costa, do Departamento de Unidades de Conservação da Floram, o objetivo é que até o fim do ano outras oito trilhas recebam melhorias, de um total de 34 que contemplam o projeto. 

_ Escolhemos as que são mais conhecidas e por toda a cidade, mas a ideia é que todas recebam as placas de identificação, sinalização. Um folder explicativo também vai ser distribuído nas escolas para educação ambiental e para as informações turísticas _ explica.

Além da Floram, participaram da revitalização a Secretaria de Turismo, o Instituto Multidisciplinar de Meio Ambiente e Arqueoastronomia (IMMA), a Associação Coletivo UC da Ilha, o Instituto de Estudos Ambientais Trilheiros de Atitude (IEATA), o Instituto Çarakura e a Cooperativa Caipora

Serviço

Trilha da Lagoinha do Leste - Pântano do Sul
Extensão: 2.200 metros
Tempo: 50 minutos
Acessibilidade: limitada
Acampamento permitido, porém não oferece nenhuma estrutura. 


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