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Tubos

Vida encanada em São José

11 moradores de rua veem o Sol nascer de dentro de tubos na Avenida Beira-Mar, em São José. Os canos da adutora da Casan, que está sendo construída nos bairros Foquilhinhas a Capoeiras, em Florianópolis, servem de casa para quem não tem um teto

20/11/2015 - 14h01

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Por Redação NSC
Alexandre Buchele improvisa um cobertor para fechar as entradas do seu cano em formato de lar
Alexandre Buchele improvisa um cobertor para fechar as entradas do seu cano em formato de lar
(Foto: )

Diariamente, 11 moradores de rua veem o Sol nascer de dentro de tubos na Avenida Beira-Mar, em São José. Os canos da adutora da Casan, que está sendo construída nos bairros Foquilhinhas a Capoeiras, em Florianópolis, servem de casa para quem não tem um teto.

Aos 41 anos, o metalúrgico desempregado Alexandre Buchele improvisa um cobertor para fechar as entradas do seu cano em formato de lar.

Com um colchão de solteiro, cobertores e outros objetos pessoais, o morador de rua sobrevive entubado há dois meses. O local com poucos vizinhos é a opção um pouco mais segura e "higiênica" para quem já dormiu sob viadutos e marquises.

- Aqui é o projeto Meu Tubo, Minha Vida - brincou quando questionado sobre a reportagem.

Separado da esposa há dois anos, Alexandre tem família no bairro Fazenda Santo Antônio, mas o vício no crack fez o metalúrgico sair da sua residência. Com os dentes perfeitos e com uma comunicação invejável, ele não esconde o motivo que o fez chegar nesta situação.

- Estou aqui porque sou viciado e tenho vergonha da minha filha de cinco anos. O melhor é estar em casa ao lado da família, mas nem sempre as coisas acontecem da maneira esperada - contou.

Alexandre é natural de São José e foi casado durante 22 anos.

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Sol forte é o problema

Os canos trazem uma sensação de segurança para quem vive na rua. Utilizando os tubos mais altos, os moradores de rua não têm problema com bichos, chuva ou vento forte. Em compensação, eles sofrem durante os dias de Sol.

- O calor é infernal e em determinadas horas do dia é impossível ficar aqui dentro. O bom aqui é em dia de vento sul, porque estico o cobertor e fico numa boa - revelou.

Trabalha de flanelinha no Kobrasol

Para ganhar o dinheiro para a comida e o vício, Alexandre trabalha pelas ruas do bairro Kobrasol cuidando de carros. Assim como os outros flanelinhas, ele também tem o seu território.

- Trabalho cuidando dos carros durante à noite e ganho uma média de R$ 60 por dia. Dá para comer e sustentar o vício - contou o usuário de crack.

Alexandre revelou que a polícia passa pelo local, mas não incomoda ninguém. Ele disse o mesmo dos vizinhos, onde ainda pede água com frequência.

Frase

"Ninguém é feliz desta maneira. Felicidade é estar em casa ao lado da família" -

Desabafou o metalúrgico e, atualmente, morador de rua Alexandre Buchele.

Canos devem sair em dois anos

A assessoria de imprensa da Casan informou que a nova adutora irá reforçar o Sistema Integrado de Abastecimento na região da Grande Florianópolis ampliando o fornecimento de água. A obra será implantada em um percurso de 3,7 quilômetros a partir do trevo do bairro Forquilhinha, passando pela Beira-Mar de São José até Capoeiras, em Florianópolis.

O investimento previsto é de R$ 18,9 milhões, com recursos financiados pelo governo federal. A ordem de serviço para a obra foi assinada no dia 24 de abril de 2014, com o prazo de dois anos para ficar pronta.

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