Choro, limpeza e força: o dia seguinte de quem perdeu tudo com as chuvas em Joinville

De acordo com a prefeitura, 77 pessoas ficaram desabrigadas como consequência da chuva na cidade

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Famílias perderam tudo por causa da chuva (Foto: Guilherme Barbosa, NSC TV)

Um dia após a passagem do ciclone extratropical por Santa Catarina, que provocou fortes rajadas de vento e muita chuva, Joinville ainda tem ruas alagadas e o cenário é de destruição, principalmente em regiões de maior vulnerabilidade social, onde moradores retiram entulhos e juntam com a lama e a sujeira que cercam as casas. 

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Os bairros Morro do Meio e Jardim Sofia foram os mais castigados. Na atualização da prefeitura nesta manhã de quinta-feira (11), 77 pessoas ficaram desabrigadas por causa dos estragos no município. 

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Há os que saíram do trabalho e não conseguiram voltar para a casa, que já estava tomada pela água; outros, acordaram no susto durante a madrugada, juntaram a família e saíram apenas com a roupa do corpo. 

Em uma medida desesperada para salvar o que conquistou ao longo da vida, o idoso Francisco Cardoso resolveu enfrentar a enchente e, com auxílio de baldes, jogou a água pra fora e resgatou tudo o que conseguiu. 

Na casa de Rosemar Kirten, morador do Morro do Meio, em questão de minutos, a água subiu 70 centímetros e não deu tempo de salvar nada. Geladeira, fogão, freezer, guarda-roupas e armários com comida foram tomados pela chuva. 

Com a voz embargada, Kirten, que trabalha como pedreiro, anuncia que esta não foi a primeira vez que teve de recomeçar por causa dos danos causados pela chuva. 

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— A gente já perdeu tudo três vezes. Agora a gente tem que levantar a cabeça e trabalhar pra ver se consegue de volta. Mas não dá vontade nem de chegar [em casa], a tristeza que dá — lamenta. 

A mesma angústia foi sentida por Bruna Nascimento, moradora do Jardim Sofia, que tem uma bebê de cinco meses e viu os itens da filhinha destruídos. Quando começou a chuva, conta, saiu com a criança nos braços e foi se abrigar na casa de parentes. 

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No retorno para o local nesta manhã, não conseguiu conter o choro desesperado. 

— Eu não sei por onde que eu começo [a limpeza]. A minha bebezinha, tudo que ela tinha, as cosinhas dela… foi tudo. 

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Já Micaeli Ribeiro conta que, quando chegou em casa do trabalho, encontrou os pais atravessando as crianças por cima do muro para a casa da vizinha, já que não tinha mais condições de habitar no local. 

— Não conseguimos salvar nada. 

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Ações da prefeitura 

As famílias que ficaram desabrigadas, foram levadas para abrigos provisórios instalados nos bairros mais afetados da cidade. Em entrevista à NSC TV nesta quinta-feira, o prefeito Adriano Silva (Novo) informou que o auxílio à população foi dividido em três frentes. 

Durante a manhã de quarta-feira (10), quando os efeitos da chuva tomaram maior proporção, segundo o gestor municipal, a estratégia foi “preparar a cidade para o pior”, com fechamento de vias alagadas, orientação a motoristas e pessoas no geral e cancelamento das aulas, a fim de mitigar os riscos. 

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No período da tarde, iniciaram os atendimentos de urgência e emergência, com participação de equipes do corpo de bombeiros, Exército e Polícia Militar, Guarda Municipal e até jipeiros que se voluntariaram. 

— O terceiro foi trabalho de acolhimento, com a Assistência Social montando abrigos e recepcionando famílias que precisavam de lugar para ficar durante a noite e alimentação — explicou o prefeito. 

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Ainda nesta quinta, equipes das Subprefeituras e Seinfra estão fazendo a limpeza das ruas. No Centro da cidade, hidrojatos foram utilizados para a retirada dos materiais. O município ainda estuda se decretará situação de emergência. Cidades da região Norte do Estado assinaram o decreto por conta da situação causada pelas chuvas. 

Locais de abrigos e centros de doações

Adriano Silva ainda disse que os abrigos permanecerão disponíveis até que as famílias consigam retornar para casa e recuperar seus móveis e demais itens que foram destruídos. 

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O município disponibilizou 470 vagas para os moradores que necessitam de local para ficar e, caso necessários, novos locais podem ser ativados. Confira a lista de locais: 

– Escola de Ensino Médio Governador Celso Ramos – 100 vagas

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Rua Dr. Plácido Olímpio de Oliveira – Bucarein

– Escola Municipal Senador Rodrigo Lobo – 120 vagas

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Rua Cuba – Jardim Sofia

– Escola Municipal Dr. Ruben Roberto Schmidlin – 200 vagas

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Rua Alexandre da Silva – Morro do Meio

– Escola Municipal Prof. Karin Barkemeyer – 50 vagas

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Rua Márcio Luckow – Vila Nova

Além de abrigo, os desalojados também necessitam de doações. Neste momento, segundo a Secretaria de Assistência Social, a maior necessidade da população é para receber os materiais de higiene, limpeza e alimentação. 

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Para facilitar o acesso das famílias, o ideal é que os itens sejam entregues em locais que ficam próximos aos bairros mais atingidos. Além disso, a SAS mantém uma campanha permanente de doações principalmente de alimentos e produtos de higiene. Os pontos fixos de arrecadação são: o Centro de Atendimento ao Cidadão (CAC), o espaço colaborativo O Farol, o Centro POP, a Casa de Apoio aos Conselhos e unidades do Hipermercado Condor. 

Veja os endereços onde as doações podem ser entregues

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– Escola Municipal Dr. Ruben Roberto Schmidlin (Rua Alexandre da Silva – Morro do Meio)

– Instituto Conforme (Rua do Campo, 315, Morro do Meio)

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– Projeto Resgate (Rua Maria da Graça Gonçalves Schmidt 349, Morro do Meio)

– Paróquia Nossa Senhora Medianeira (Rua XV de Novembro, 8763 – Vila Nova).

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– Assembleia de Deus (Rua Brusque nº 176, Jardim Sofia).

Pontos fixos para doações

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– Centro de Atendimento ao Cidadão (CAC) (Rua Dr. João Colin, 2700 – Santo Antônio). Segunda a sexta-feira, das 8h às 18h.

– Casa de Apoio aos Conselhos (Rua Afonso Penna, 840 – esquina com a Rua Procópio Gomes – Bucarein). Segunda a sexta-feira, das 8 às 14h.

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– O Farol (Rua Max Colin, 550 – América). Segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.

– Super Condor Joinville América (Rua Almirante Barroso, 716 – América). Todos os dias, das 8h às 21h.

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– Hiper Condor Joinville Itaum (Rua Florianópolis, 100 – Itaum). Todos os dias, das 8h às 21h.

– Hiper Condor Comasa (Rua Albano Schmidt, 4.764 – Comasa). Todos os dias, das 8h às 21h.

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– Centro POP (Rua Paraíba, 937 – Anita Garibaldi). Segunda a sexta-feira, das 8h às 19h.

Veja as fotos do alagamento na região central de Joinville

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