Como surgiu a Oktoberfest Blumenau: a história aos olhos de Dalto dos Reis

Primeira edição da festa aconteceu em 1984, mas Oktober estava nos planos muito antes disso

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Apresentação de banda musical na primeira edição (Foto: Mário Barbeta, Arquivo Santa)

A Oktoberfest Blumenau se consolidou como a maior festa alemã das Américas e atrai centenas de milhares de pessoas todos os anos para os pavilhões do Parque Vila Germânica. Mas, afinal, como a Oktober surgiu? Como a festa tão tradicional na Alemanha chegou a Santa Catarina e como o município do Vale do Itajaí se tornou um destino turístico em outubro? A explicação seria mesmo criar um evento para reerguer o ânimo dos moradores após a enchente?  A gente explica.

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A história conta que a Oktoberfest Blumenau estava em pauta na década de 1970. Membros do Conselho Municipal de Turismo e empresários locais eram grandes entusiastas de reproduzir na cidade — conhecida pela origem germânica — o que já existia em Munique. O ex-presidente da Câmara de Dirigente Lojistas (CDL) de Blumenau, Emílio Schramm, conta que em setembro de 1980 esteve na Alemanha para tratar do assunto.

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Ele tinha em mãos uma carta escrita pelo então prefeito, Renato Vianna, para se informar sobre como era a organização do evento por lá. À época, a festa não saiu do papel, mas se manteve nos sonhos. Foi só dois anos depois que a Oktoberfest Blumenau ganhou impulso.

Na campanha de 1982, eu estava correndo na busca para ser prefeito. E quando cheguei a área Norte de Blumenau, principalmente na região das Itoupavas, era muito comum alguém nos indagar se, caso eleito, essa festa sairia do papel. Eu, querendo ser eleito, dizia que sim — conta Dalto dos Reis, que recebeu a maioria dos votos e assumiu a prefeitura.

O plano de governo tinha um olhar especial ao turismo por causa da cobrança dos empresários por atrair mais pessoas à cidade. Dalto conta que chamou Antônio Nunes para assumir a secretaria e se encantou ao ver a Oktoberfest nos planos para a cidade. Embarcou rumo à Alemanha e voltou dias depois com todos os detalhes, dos desfiles à sangria do primeiro barril de chope.

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A relação com a enchente

Tudo estava certo para ainda em 1983 sair a primeira edição, mas uma velha conhecida do Vale do Itajaí apareceu.

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— Nesse meio tempo, em julho, aconteceu a terceira maior enchente ocorrida em Blumenau em todos os tempos. Em função de Blumenau ter ficado submersa por aproximadamente 32 dias e faltando cerca de um mês para o início do evento, tivemos de cancelá-la e começamos a reprogramá-la para 1984 — recorda Dalto dos Reis.

O que ninguém imaginava é que depois de quatro enchentes em 1983, uma delas elevando o nível do Rio Itajaí-Açu para 15,34 metros, 1984 reservava mais. Em agosto daquele ano, o nível das águas voltou a subir e chegou a 15,46 metros no dia 7. O cenário, mais uma vez, era de destruição.

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Um repórter do Jornal de Santa Catarina surgiu na prefeitura querendo saber os estragos de uma nova enchente e me perguntou se a festa seria cancelada pela segunda vez consecutivamente. E eu, relembrando das dificuldades enfrentadas no ano anterior para fazer o cancelamento, disse que não. E talvez aí eu tenha enfrentado a maior dificuldade como prefeito de Blumenau ao longo dos seis anos — confidencia o gestor da época.

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A lenda da festa pós-enchente

Essa proximidade entre enchente e a primeira edição da festa deixou em muitas pessoas a impressão de que a Oktoberfest nasceu para reanimar os atingidos pela força das águas. De fato, não foi. Porém, na prática, o sentimento quando o pavilhão abriu naquele dia 5 de outubro de 1984 era de trazer alegria ao público, calejado pelas cheias que fazem parte da história da cidade.

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A ansiedade pela primeira edição não escondia outro sentimento do prefeito.

— O medo maior era o meu, de que não viesse ninguém no dia da abertura da festa. Tinha convidado o governador eleito à época para a abertura e cheguei a pedir para atrasar um pouco a cerimônia, esperando o pessoal que viesse do desfile na Rua XV de Novembro. Eu era o que menos acreditava no sucesso na festa — recorda.

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Dalto dos Reis conta em tom de brincadeira que a baixa estatura o impedia de ver quanto de público tinha naquela abertura no pavilhão da então Famosc – como era chamado o Parque Vila Germânica antigamente. Quando subiu em uma mesa pequena improvisada para a sangria do primeiro barril, se deu conta de que o público compareceu:

Olha, foi um sucesso. Só quando eu subi nessa mesa pude ver a imensidão de pessoas que se acotovelavam na porta do pavilhão para adentrar a primeira noite da primeira edição da Oktoberfest. As críticas cessaram. Eu tenho consciência tranquila de que a festa veio dar uma parcela de contribuição positiva naquilo que era uma lacuna nossa.

A festa de 1984 durou 10 dias e foi crescendo com o passar dos anos. Naquele primeiro ano, o evento reuniu 102 mil pessoas no único pavilhão que existia à época com 3 mil metros quadrados. Quando a Oktoberfest Blumenau chegou à quinta edição, em 1988, levou mais de um milhão de pessoas ao evento.

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