“Aprendi sobre simplicidade com ele”, diz amigo de músico que morreu por Covid-19 em Joinville

Adilson do Nascimento tinha 47 anos e morreu no último domingo depois de contrair coronavírus

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Adilson do Nascimento tinha 47 anos (Foto: arquivo pessoal)

Em Joinville, 399 pessoas já perderam a vida após contrair Covid-19. Só no último dia 29 de novembro, seis pessoas faleceram no município. Uma delas foi o músico Adilson Nascimento, 47 anos. Ele apresentou os sintomas de coronavírus, deu entrada no hospital e lá permaneceu internado por oito dias até que amigos e familiares receberam a pior notícia que poderiam receber: Adilson não resistiu e faleceu no último domingo (29) pela manhã. 

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Músico há 30 anos e conhecido na cidade, Adilson dava aulas de guitarra e técnica vocal. Sua vida era movida pela arte e foi neste meio que conheceu um de seus melhores amigos: o também músico André Steuenagel, 48 anos. 

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Os dois dividiram o palco juntos diversas vezes. Para André, que é professor de bateria, Adilson era como um irmão. 

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– No domingo, eu tinha ido votar, cheguei em casa e li a mensagem da esposa dele [sobre a morte de Adilson]. Despenquei no choro. Eu estava acompanhando e pedindo a Deus para que ele saísse disso; a gente sempre crê que as coisas vão melhorar. Me veio um filme na cabeça com tudo o que a gente viveu – destaca André. 

25 anos de amizade 

Os amigos se conheceram durante um evento religioso em 1995 e, desde então, não se separaram mais. André acompanhou Adilson não só na trajetória profissional, mas também viu a família dele crescer. Casado há 29 anos, Adilson teve dois filhos.

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A última vez em que os amigos saíram para “fazer um som” juntos foi no início de março, antes da pandemia. Desde então, eles não se viram mais presencialmente em razão do isolamento, mas planejavam as retomadas assim que a pandemia acabasse. 

– Ele tinha muitos sonhos. Terminou licenciatura em música no ano passado e estava muito animado. A gente planejava gravar um CD agora no fim do ano, também íamos apresentar no Expomusic, em São Paulo, se o evento não fosse cancelado. Tínhamos uma banda chamada Rivo Trio, com composições dele também, que tinha como proposta acalmar as pessoas… mas não conseguimos em tempo – conta André. 

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Segundo André, Adilson era extremamente querido por todos e não tinha receios de expressar o que sentia. Isso é evidente em uma das últimas mensagens que eles trocaram em redes sociais.

– Ele nos olhava nos olhos, sabe? – conta. 

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Para André, uma das maiores características de Adilson era a simplicidade e a forma como ele levava a vida. Ele admite que aprendeu com o amigo a como desacelerar o ritmo das coisas a aproveitar momentos. 

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– Ele sabia o momento de parar. Ele gostava de pescar, então fazia isso para desacelerar; aprendi isso com ele, a desacelerar o ritmo da vida. Ele me mostrou que dá tempo de curtir a coisas simples da vida, como pegar um barquinho, voltar, fritar um peixe e tocar violão ao mesmo tempo olhando para o mar. Ele vai fazer falta – detalha.