Aos 23 anos e após 20 dias de uma mudança completa de vida, Tainah Castro teve todos os seus planos interrompidos. Natural do Pará, ela e o namorado, com quem mantinha um relacionamento há nove meses, decidiram se mudar para Joinville no início de março deste ano após uma proposta de emprego recebida por ele. Entretanto, na madrugada do último domingo (29), Tainah foi assassinada a facadas pelo companheiro dentro de casa.
Além de toda a dor que os familiares sentiram após receber a notícia da morte, a possibilidade de não conseguir enviar o corpo de Tainah para ser velado e enterrado no Pará foi outra situação que a família teve de enfrentar. Conforme uma prima de Tainah, Pamella Reis Machado Jatahi, os familiares não estavam conseguindo translado do corpo em razão da pandemia do novo coronavírus. Empresas aéreas estavam fazendo cobranças acima de R$ 50 mil para realizar táxi aéreo e outra possibilidade seria o translado via terrestre.
Os familiares se mobilizaram nas redes sociais e conseguiram contato com o Governo do Estado do Pará e também de Santa Catarina. Às 14 horas da última segunda-feira, Tainah pôde ser velada e, nesta terça-feira, às 10 horas, ela foi enterrada em sua cidade natal.
— O governo disponibilizou um voo que já passaria próximo à região de Curitiba. Eles assumiram o custo aéreo, e a família, o custo funerário – completa a prima.
Sonhos foram interrompidos
Tainah era educadora física e ainda não havia encontrado um emprego na cidade catarinense, afinal, estava em Joinville há apenas 20 dias. A prima conta que o objetivo era focar na carreira do namorado, neste primeiro momento. Segundo Pamella, a informação que a família tem até o momento é a de que os vizinhos ouviram as brigas durante a madrugada, por volta das 4 horas.
— Os vizinhos informaram que foram até lá, viram que ele estava armado, mas ficaram com medo porque não identificaram que tipo de arma era; se era uma faca, uma arma de fogo. Ele [o namorado] dizia para os vizinhos não se meterem – conta.
Eles acionaram a polícia, mas relataram que, em dado momento, as brigas haviam cessado e não foi mais possível ouvir a voz de pedido por socorro de Tainah. A polícia chegou ao local por volta das 6 horas, mas Tainah já estava sem vida. Ela foi atingida por golpes de faca. O namorado foi preso em flagrante. A reportagem tentou contato com a Dpcami (Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso) de Joinville para mais detalhes sobre a investigação, mas não obteve retorno até o momento desta publicação.
Segundo Pamella, a relação do casal era conturbada, com brigas e crises de ciúmes por parte dele.
— Eles tinham aquelas brigas que, geralmente, as pessoas chamam de brigas normais de casal. Quando foram morar juntos, ele ficou muito mais possessivo. Aonde ela ia, ele tinha que ir junto – detalha.
Conforme a prima, Tainah relatava às amigas que ele estava tendo um comportamento mais agressivo e possessivo, mas, até o momento, a família não tem a informação de que ela já teria recebido ameaças ou não. Entretanto, ela falava sobre a insegurança em razão dos ciúmes dele.
— Ele era mais fechado, distante, eu não tinha muita proximidade com ele. Até pelo pouco tempo de relacionamento dos dois – pontua a prima.
Familiares falam sobre Tainah
Morar em Joinville fazia parte dos planos de Tainah quem, conforme a família, era muito batalhadora. Ela deixou tudo no Pará, inclusive o carro próprio, para seguir esses planos em Joinville. A prima conta que as duas cresceram juntas e, por ser seis anos mais velha e também por Tainah ter sido filha única, o sentimento de Pamella por ela era comparado ao de irmãs.
— Tainah não encontrava dificuldade para ela mesma. O que ela queria, ela conseguia conquistar. Era sempre muito determinada, muito sorridente e positiva. Até o fato de ela ir a Joinville é uma amostra disso – destaca Pamella.
A família espera, agora, por justiça.
— Tem tantas mulheres nesta situação, o índice está cada vez maior e a gente nunca imagina que pode ser do nosso lado. Infelizmente foi a nossa Tainah, amanhã pode ser uma outra filha, irmã, sobrinha, prima. A gente pensa, às vezes, que esse assunto está muito na mídia, mas o índice não para de crescer. Então acredito que a gente precisa de ainda mais voz para que outras filhas e outras famílias não venham a ser destruídas – ressalta.
