O anúncio do plano de ação do governo de Santa Catarina para retomada gradual de atividades econômicas, após o isolamento social do coronavírus, chega para entidades empresariais com um misto de aprovação e receio. Se de um lado significa mitigar prejuízos, de outro aponta para os desafios de conviver com a pandemia, o medo de contágio e a possível mudança no comportamento de funcionários e consumidores.
O governador Carlos Moisés da Silva anunciou em entrevista coletiva no fim da tarde dessa quinta-feira (26) que seguem proibidos o transporte coletivo urbano e intermunicipal e a entrada de veículos de passageiros de fora do Estado.
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Essa retomada de atividades vai incluir a abertura de agências bancárias e lotéricas a partir de segunda-feira e, a partir de quarta-feira, a retomada do comércio em geral, shopping centers, academias, bares e restaurantes, construção civil e outras. Tudo isso com limitação de funcionamento para que seja mantida distância entre as pessoas.
Moisés autorizou também serviços de autônomos, trabalhadores domésticos e profissionais liberais.
Auxílios
A Federação das Câmaras de dirigentes Lojistas (FCDL) está otimista com essa retomada, mas enfatiza que o varejo vai precisar de ajuda do governo com financiamentos a juros acessíveis, principalmente as micro e pequenas empresa, segundo o presidente da entidade Ivan Tauffer.
– Era um pedido nosso, para que o governo liberasse as atividades comerciais que não têm um risco maior, que liberasse aos poucos. Nós estamos amargando um prejuízo que ainda não sabemos medir, está havendo demissões, precisamos encontrar com o governo do estado uma solução, como, por exemplo, juros compatíveis com a nossa realidade, sem muita burocracia para socorrer as nossa empresas – pontuou Tauffer.
Receio
Já a Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc), embora reconheça a importância dessa retomada das atividades, antevê uma série de desafios, de acordo com o superintendente institucional Gilson Zimmermann.
– Começa a dar um ânimo, pela necessidade de girar a economia de novo, por outro lado, nos preocupa que não saímos da quarentena ainda. Quer queira ou não, o cenário mostra que é preciso ter todos os cuidados, vamos manter as escolas fechadas. Vão ter pessoas que têm filhos em casa que não vão poder trabalhar – ponderou Gilson.
Zimermann receia que os riscos de contaminação dificultem as relações de trabalho, pela preocupação dos funcionários com compartilhamento de ambientes com outras pessoas, e ainda mude o comportamento do consumidor.
– As pessoas vão mal e mal no mercado, numa farmácia, porque têm que ir. Se não, não iriam, porque gerou uma situação que você não sabe onde pode pôr a mão ou com quem está falando, se pode estar transmitindo o vírus – declarou.
