Vida em tempo de coronavírus: da poltrona da primeira classe para a poltrona da sala 

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(Foto: Divulgação)

O chef de cozinha, Fernando, 41 anos, estava acostumado a voar na primeira classe. Quem já sentou várias vezes com as pernas esticadas dentro do avião, sabe o conforto e o custo de cada centímetro a mais. No entanto, a próxima viagem mais espaçosa do Fernando aconteceria sem ter que desembolsar nenhum centavo extra por isso.

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– Eu tenho cupons de upgrade que vencem no dia 31 de março e que não pude usar antes. Eu iria usar agora no dia 28 – lamenta.

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O verbo "ir" conjugado no futuro do pretérito (o tempo verbal do imprevisto) revela que Fernando teve que mudar os planos. O vírus em formato de coroa proibiu que a majestosa paisagem das pirâmides de Teotihuacán fossem vistas pela primeira vez pelos olhos do Fernando.

Da Cidade do México, ele voaria para Medellín, na Colômbia, para reencontrar amigos.

– Amigos que eu não via desde o final de 2016. Dois deles perderam os pais no ano passado. Queria abraçá-los – conta.

A viagem não terminaria antes de completar outro objetivo: comprar um item para a sua coleção. Fernando coleciona aviões em miniatura. Seriam 15. Agora, continuam 14.

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Ao menos, Fernando não perdeu a poltrona confortável para sentar. Só que tem que ser na sala de casa.

*O nome foi trocado a pedido do entrevistado.