Coronavírus: ”É como se fosse guerra”, relata brasileira que mora na Itália

Há mais de uma semana Berenice Sofiete vive entre as quatro paredes da casa em Milão, e a partir da experiência manda um recado aos catarinenses: ''Não tenham pânico, tenham cuidados''

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Homem usa máscara para se proteger do coronavírus na Itália (Foto: Alberto Pizzoli, AFP)

Há dois anos, Berenice Sofiete trocou o calor e a beleza do Rio de Janeiro pela contemporaneidade de Milão, na Itália. O medo da violência a levou a atravessar o oceano e ficar mais perto da filha. Há quatro meses, ela acompanha de perto o desenvolvimento do neto. Francesco Frederico nasceu e cresce em uma das principais cidades do Velho Mundo, reconhecida pelos fortes laços com o universo da moda.

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Há pouco mais de uma semana, o cotidiano da família mudou drasticamente. Desde que a Itália se tornou um dos principais focos da pandemia do coronavírus, Berenice, a filha, o genro e o netinho sofrem com as restrições impostas pelo governo italiano para frear a transmissão e os impactos do vírus. O dia a dia da família passou a ser entre quatro paredes. Todos atuam profissionalmente no esquema de home office.

– Não podemos sair de casa. Só com motivo sério, como comprar produtos de extrema necessidade, e ainda assim tem que ter uma declaração. Se você não for da cidade e a polícia parar, é passível de multa ou até mesmo detenção – conta Berenice, que conversou com a reportagem por meio de uma ligação por vídeo de um aplicativo de mensagens.

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Das janelas de casa, ela conta que vê as pessoas que precisam circular pelas ruas todas usam máscaras. Os mercados têm filas enormes, com as pessoas respeitando a distância de 1,5 metro. Para evitar esse tipo de situação, Berenice diz que apela para as compras on-line. Porém, os pedidos chegam a levar até duas semanas para serem entregues.

– É como se fosse uma guerra. Por isso, a gente toma bastante cuidado e evita desperdício de comida – conta.

Em meio a esse cenário, Berenice conta que tem momentos de celebração e uma demonstração de humanismo. Diariamente, às 18h, todos vão para as janelas e cantam, no embalo dos sinos das igrejas, em um ritual que os italianos buscam despertar a solidariedade e, de certa forma, se “abraçarem”, mesmo separados pelos vidros das janelas.

Com a experiência que vive há mais de uma semana com restrições, ela procura passar os cuidados adotados na Itália aos amigos que vivem no Brasil. E aos catarinenses, que passam a lidar com o coronavírus mais de perto a partir da última semana, deixa um recado:

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– Não tenham pânico, tenham cuidados. Não pense só em você, pense nos outros. Você pode infectar muitas pessoas com esse vírus. Evitem as belas praias que vocês têm, evitem multidões. É só por um tempo. Tudo passa, e logo as coisas vão voltar a ser como antes – afirma Berenice.