Líderes dos partidos na Alesc adotam cautela ao falar sobre pedido de impeachment de Moisés 

Impedimento do governador deve ser um dos principais assuntos nas primeiras sessões do ano no Legislativo de SC 

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Impeachment deve ser tratado nas primeiras sessões do ano (Foto: Betina Humeres, arquivo NSC Total)

A Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) dá a largada para o ano legislativo com uma sessão especial para leitura de uma mensagem do governador Carlos Moisés (PSL) nesta terça-feira (4). Os trabalhos começam definitivamente na sessão desta quarta-feira (5). E um dos primeiros assuntos a serem definidos pelos deputados estaduais já foi tema de muita polêmica durante o mês de janeiro, mesmo durante o recesso dos parlamentares: o pedido de impeachment do governador Moisés.

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Uma representação apresentada pelo defensor público Ralf Zimmer Junior pede a cassação do governador, da vice Daniela Reinehr e do secretário de Administração Jorge Tasca por crime de responsabilidade. A denúncia questiona uma equiparação salarial feita aos procuradores do Estado, igualando o salário ao dos procuradores da Alesc. O governo do Estado apresentou defesa na semana passada e alega que apenas cumpriu uma decisão judicial que cobrava o reajuste.

Nos corredores da Alesc, os partidos ainda não abrem posicionamento se são contra ou a favor do pedido de impeachment. Líderes das bancadas ouvidos pela reportagem nesta segunda-feira afirmam, em linhas gerais, que somente ao longo desta semana, com a volta das sessões e das reuniões entre os deputados o assunto será tratado para definir posicionamentos coletivos dos partidos sobre o assunto.

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Algumas exceções são o caso da deputada Paulinha (PDT), que em entrevista à CBN Diário nesta segunda-feira disse que não há motivos para o impedimento do governador e afirmou acreditar que o processo não será levado adiante.

Outro caso é o de Kennedy Nunes (PSD), mas em direção contrária à deputada. Embora afirme que a bancada ainda vai definir uma posição conjunta, o parlamentar do Norte do Estado afirma ver indício de ilegalidade e sinaliza apoiar a abertura do processo para apurar a equiparação salarial concedida pelo governador.

Os próximos passos do processo de impeachment

O presidente da Alesc, deputado Julio Garcia (PSD), deve se manifestar na quarta-feira sobre a representação que pede o impeachment. O parlamentar deve ler o pedido e divulgar quais serão os próximos passos.

No pedido de defesa, o governo do Estado pede que o presidente arquive o procedimento, sem necessidade de passar pela análise do mérito pelos parlamentares. Na prática, Garcia deve decidir se arquiva o pedido ou se instaura uma comissão para analisar o teor da representação do defensor público. A assessoria da Alesc informou que Garcia irá ler o pedido de impeachment na sessão de quarta-feira e, em seguida, divulgar quais serão os próximos passos.

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Pelo regimento interno da Alesc, após receber a defesa do governador, o presidente da Alesc deve criar em um prazo de 15 dias uma Comissão Especial constituída de nove deputados, observando a proporção dos partidos. A comissão terá também o prazo de 15 dias para emitir um parecer sobre a representação. Pelo texto do regimento, o prazo pode ser estendido para 30 dias se forem necessárias diligências fora do Estado ou para 60, caso haja diligências no Exterior.

A comissão elabora um projeto de decreto legislativo para receber ou não a representação. É esse projeto que é levado à votação em plenário, onde todos os parlamentares votam. É necessário o voto de pelo menos dois terços dos 40 deputados (27 votos) para aprovar a representação do impeachment.

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Confira o posicionamento dos líderes de bancada dos nove partidos com dois ou mais parlamentares na Alesc:

Luiz Fernando Vampiro (MDB)

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O MDB esteve reunido na tarde de desta segunda-feira, segundo o colunista da NSC, Moacir Pereira, para tratar, entre outros assuntos, do posicionamento sobre o processo de impeachment a ser analisado na Alesc. Até a noite desta segunda-feira, a reportagem não havia conseguido contato com a liderança do partido na Casa.

Sargento Lima, líder do PSL

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O partido do governador é também a legenda que possui deputados que já se manifestaram a favor da sequência do processo de impedimento do governador. O líder do PSL, Sargento Lima, afirma que os deputados da bancada vão se reunir somente após terem acesso a todo o texto da representação do defensor público.

– É um assunto extremamente importante, em que não deve se deixar de lado a justiça. O que for falar fora disso é especulação. Hoje, acredito ser prematuro dar algum tipo de opinião – afirmou.

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Kennedy Nunes, líder do PSD

Um almoço da bancada nesta terça-feira deve definir a posição dos deputados do PSD. Pessoalmente, Kennedy defende que o procedimento seja aberto e investigue a situação mencionada na representação do defensor público de SC.

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– Há forte indício de ilegalidade administrativa, principalmente em se tratando da procuradora e do secretário de Administração. Entendo que é necessário abrir, até para dar uma resposta para a sociedade, mas amanhã (terça) tiraremos uma posição – afirmou.

Fabiano da Luz, líder do PT

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A reunião da bancada petista ocorre na tarde desta terça-feira, mas ainda não está definido se o assunto impeachment estará na pauta.

Maurício Eskudlark, líder do PL

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Os deputados do PL devem se reunir na quinta-feira para tomar uma posição sobre o assunto. O encontro deve reunir também o deputado Ivan Naatz, que está se filiando ao PL.

– Acredito que nossa posição vai ser de analisar com muita prudência e cautela. Não é o momento de definir a favor ou contra, está todo mundo analisando.

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João Amin, líder do PP

O deputado afirma que o objetivo essa semana é conversar com os outros dois deputados do PP e definir uma diretriz. Por enquanto, os deputados pretendem estudar o assunto. O posicionamento de bancada deve ser definido somente no caso de o processo avançar e chegar a uma votação em plenário.

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Paulinha, líder do PDT

Em entrevista ao programa Direto da Redação, da CBN Diário, nesta segunda-feira, a deputada defendeu que não há motivo para impeachment do governador Moisés e disse acreditar no arquivamento do pedido.

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— Não vejo ambiente, nem mesmo na oposição, para impeachment. Não é caso de corrupção, de fraude ou de má intenção – afirmou.

Nazareno Martins, líder do PSB

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O deputado só deve discutir o assunto com o outro parlamentar do partido nesta terça-feira, no retorno das sessões da Alesc.

Vicente Caropreso, líder do PSDB

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O deputado não retornou as ligações da reportagem. Ele se licencia da Alesc esta semana por 60 dias.