Reino Unido se torna segundo país com mais mortes por coronavírus no mundo 

Já são mais de 30 mil mortos pela doença

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Reino Unido se torna segundo país com mais mortes por coronavírus no mundo (Foto: Andy Buchanan / AFP)

O Reino Unido se tornou o primeiro país da Europa a superar 30.000 mortes provocadas pelo coronavírus e agora ocupa o segundo lugar na lista de nações com mais vítimas fatais no mundo, atrás dos Estados Unidos – apontam números oficiais publicados nesta terça-feira.

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Os dados semanais das diversas agências regionais de estatísticas do país somam 32.313 mortes por Covid-19 como suposta causa indicada na certidão de óbito. E o número atual é provavelmente muito superior, pois estes dados incluem as mortes até 24 de abril na Inglaterra (28.272), Gales (1.376) e Irlanda do Norte (393), e até 26 de abril na Escócia (2.272).

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Esse triste registro parecia impensável há dois meses, quando os britânicos registraram sua primeira morte e o primeiro-ministro Boris Johnson disse que continuava cumprimentando todos.

Desde então, o líder conservador ficou gravemente doente e teve que ser hospitalizado, incluindo três dias em terapia intensiva, enquanto o saldo de vítimas aumentava dia a dia.

A contagem do Ministério da Saúde subiu uma semana atrás, quando o governo começou a somar as mortes da Covid-19 em lares e asilos aos seus saldos diários nos centros hospitalares.

Assim, o Reino Unido superou no primeiro lugar a Espanha (25.428 mortes até segunda-feira) e agora a Itália (28.884). Somente os Estados Unidos, que totalizaram 67.682 mortes desde o início da crise, têm saldos piores.

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No entanto, cada país conta de maneira diferente e as comparações não são fáceis.

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Com 66 milhões de habitantes, o Reino Unido tem 6 milhões a mais de pessoas do que a Itália e quase 20 milhões a mais que a Espanha, que só contava mortes em casas de repouso quando tardiamente começou a realizar testes nesses locais.

— Eles podem não ter feito contagens exaustivas de mortes como estamos fazendo aqui agora – disse doutora Yvonne Doyle, chefe de saúde pública inglesa, na semana passada.

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"Não está absolutamente claro se as mortes na Espanha incluem todas as mortes em casas de repouso", disse, reconhecendo que "a obtenção desses dados é muito complexa".

Resposta lenta e confusa

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O governo Johnson, cujo principal consultor científico disse em março que um patamar de 20.000 vítimas seria "um bom resultado", insiste que sempre seguiu o conselho de especialistas.

Sua estratégia, entretanto, foi denunciada como tardia e confusa.

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— Sou muito crítico a essa resposta lenta – disse recentemente o ex-conselheiro científico do governo, David King, à BBC.

Alguns também alertaram que os saldos do Ministério da Saúde eram baixos em comparação à realidade.

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O novo líder da oposição trabalhista, Keir Starmer, já havia calculado uma semana atrás 27.241 mortes com base em dados de hospitais e do escritório nacional de estatística ONS. E "provavelmente é um eufemismo", disse ele à Câmara dos Comuns.

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Mudança de estratégia

A estratégia inicial do governo britânico era insistir na importância de lavar as mãos e rastrear os contatos dos primeiros infectados.

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Uma combinação intensiva de testes, rastreamentos e quarentenas permitiu que países como a Coreia do Sul contivessem sua taxa de transmissão e seu número de mortos. Mas, depois de um relatório alarmante do Imperial College London de que a imunidade coletiva levaria a 250.000 mortes, Johnson mudou de estratégia.

Ele optou primeiro por um tímido distanciamento social. Mais tarde, intensificou sua resposta, ordenando o fechamento de escolas, restaurantes, academias de ginástica e cinemas. Três dias depois, impôs o confinamento geral.

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Promulgada inicialmente por três semanas, essa medida durou até 7 de maio e, embora Johnson deva anunciar seu plano para reativar a economia neste domingo, espera-se que o distanciamento social continue por muito mais tempo.

Sob crescente pressão para encontrar uma estratégia de longo prazo, o país deseja retornar ao rastreamento de contatos.

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O ministro da Saúde Matt Hancock conseguiu aumentar o número de exames diários para mais de 120.000, e o ramo digital do serviço público de saúde desenvolveu um aplicativo móvel que começou a ser testado na terça-feira na Ilha de Wight, localizada ao norte do Canal de a mancha.