Fechamento de vagas de trabalho em novembro é uma ducha de água fria para a economia brasileira

Compartilhe:

Surpreendem os números divulgados nesta quarta-feira pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) que revelam que a economia brasileira eliminou 12.292 postos de trabalho com carteira assinada em novembro, com 14 unidades da federação apresentando resultados no vermelho. Analistas de mercado projetavam saldo (diferença entre admissões e demissões) positivo próximo a 20 mil vagas.

Continua após a publicidade

Curta Pedro Machado no Facebook​​

Leia mais publicações de Pedro Machado​​​

Continua após a publicidade

No contexto, o volume é pequeno – e o desempenho é bem menos pior do que o de novembro de 2016, quando o Brasil perdeu 116 mil vagas. O simbolismo fica por conta da interrupção de uma sequência de sete meses consecutivos de criação de empregos, justamente no período em que a reforma trabalhista, apontada pelo governo e entidades empresariais como caminho para acelerar a retomada das contratações, entrou em vigor.

As novas regras, que passaram a valer no dia 11 de novembro, trouxeram a possibilidade de contratos de trabalho intermitente (também conhecido como esporádico) e com jornada parcial. É verdade que o recorte ainda é pequeno – sujeito a efeitos sazonais e a outros tantos fatores – e uma avaliação mais precisa dos impactos da reforma só poderá ser feita com os volumes consolidados dos próximos meses.

De todo modo, os dados divulgados pelo Ministério do Trabalho são uma ducha de água fria para o mercado. Afinal, a geração de empregos é o sinal mais claro do processo de recuperação de uma economia. Quando isso não ocorre, é normal que se questione a efetividade das medidas adotadas pelo governo e haja desconfiança sobre os rumos do país.

O Palácio do Planalto se apressou em botar panos quentes na questão. O ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, disse que o resultado negativo de novembro não vai afetar o processo de retomada do país, que acumula saldo positivo na geração de empregos no ano – são 299,6 mil vagas criadas de janeiro a novembro. O fato é que os números, embora ainda reflitam uma situação pontual, colocam um ponto de interrogação na velocidade de recuperação da economia, com potencial para esfriar o humor do mercado.

Continua após a publicidade

SC se destaca

Santa Catarina mais uma vez navegou contra a maré e se destacou na geração de empregos em novembro. Com a criação de 4.995 vagas, o Estado teve o segundo melhor resultado do mês no país, atrás apenas do Rio Grande do Sul (+8.753). O desempenho foi puxado pelo comércio, que abriu 5.090 postos de trabalho no período – já efeito das contratações mirando a temporada de verão.

Continua após a publicidade

O setor de serviços abriu 1.592 vagas. A indústria, por outro lado, fechou 1,4 mil – o desaquecimento é comum na reta final do ano, com término de contratos temporários e de estágio e início de férias coletivas. A construção civil também ficou no vermelho, com menos 1.074 postos. No campo, foram abertas 908 vagas.

Somados, outros segmentos, como atividade extrativa mineral, serviços industriais de utilidade pública e administração pública, tiveram saldo negativo de 121 vagas.

Continua após a publicidade

Blumenau também vai bem

Em Blumenau, foram criadas 360 vagas em novembro, elevando para 3.527 o saldo de empregos no acumulado de 2017. Com este resultado, a cidade tem o segundo melhor desempenho de Santa Catarina no acumulado em 11 meses, atrás apenas de Joinville (+7.567), e o oitavo mais expressivo do país no ano.