Os negócios no mundo da moda, num mercado de concorrência perfeita, são muito difíceis tanto para marcas novatas, quanto para veteranas ou até mais do que centenárias.
A Cia Hering, de Blumenau, decidiu se antecipar à divulgação oficial do balanço de 2019 e, num fato relevante, informou ao mercado segunda-feira uma dezena de ações que desenvolveu durante 2019 para aprimorar seus negócios no digital e em lojas físicas.
Informou também, é claro, alguns números do seu desempenho. Comunicou que no quarto trimestre do ano passado obteve receita bruta de vendas de R$ 502,9 milhões, 5,2% inferior a do mesmo trimestre de 2018. Essa retração ocorreu principalmente nos canais multimarcas e franquias. As vendas em mesmas lojas caíram 4% no trimestre após registrarem alta nos sete trimestres anteriores.
Isso foi o suficiente para as ações da companhia derreterem na B3, a bolsa de valores do Brasil nesta terça-feira. Os papéis da empresa recuaram 12,5% e passaram a valer R$ 27,42, o que resultou numa perda de valor de mercado superior a R$ 600 milhões em apenas um dia. Também na terça, o índice da bolsa teve queda de 1,54%.
A empresa foi bem nao Black Friday e, depois, parece que faltou algo mais para o consumidor no Natal. A receita bruta de vendas fechou o ano em R$ 1,816 bilhão, 0,5% mais do que em 2018. Perdeu pela inflação, mas nada exagerado numa economia com baixo ritmo, como a brasileira.
A abrupta queda das ações mostrou um investidor focado no lucro e sem paciência. Mas num mundo que avança mais no rumo da sustentabilidade, o consumidor tenderá a ser mais cauteloso nas compras e os investidores terão que entender que as empresas não poderão apresentar sempre alto nível de crescimento de receita e de lucro. Os mercados terão que aprender a valorizar empresas de uma economia mais circular, com menos expansão acelerada e mais atendimento da demanda necessária.
A Cia Hering foi surpreendida com esse resultado na B3 no início do ano em que completará nada menos do que 140 anos de atividades. Uma empresa que enfrentou todas as crises e períodos de bonança nessas 14 décadas vai dar mais uma volta por cima.
