“Decidimos fazer em Santa Catarina um belo trabalho”, diz a presidente da Fruki, que patrocina o futebol

Compartilhe:

Aline Eggers, presidente da Fruki Crédito: Divulgação

A gestão eficiente e a velocidade do futebol na busca de vitórias inspira muitas empresas, mas existem empresas que também jogam um “bolão” na forma como desenvolvem suas atividades e, por consequência, inspiram o esporte, outras companhias e setores. É o caso da quase centenária Bebidas Fruki, de Lajeado, Rio Grande do Sul, que patrocina pela segunda vez o Campeonato Catarinense de Futebol.

Continua após a publicidade

Questionada sobre as razões do sucesso da Fruki, a nova presidente da companhia, Aline Eggers Bagatini, destacou o trabalho sério e o ótimo relacionamento com todas as partes interessadas: consumidores, fornecedores, governos – pagando todos os impostos – e com a sociedade.

Com forte atuação no RS, a empresa que produz refrigerante, suco, água, energético, cerveja, outros itens e tem o guaraná como carro-chefe, estreou no mercado catarinense há três anos. Em 2019, ao patrocinar o futebol de SC, cresceu 50% em faturamento no Estado e projeta repetir essa marca este ano.

Continua após a publicidade

Em setembro do ano passado, inaugurou um centro de distribuição em Blumenau. Neste ano está implantando um moderno parque fabril em Paverama, RS, com investimentos de R$ 130 milhões, que vai substituir o atual. Maior indústria regional de refrigerantes no Sul do país, a Fruki oferece cerca de 900 empregos diretos e faturou R$ 393 milhões em 2018. Confira a entrevista de Aline Eggers, a seguir:


Por que a decisão da empresa de patrocinar o futebol catarinense?

Está sendo uma experiência muito interessante. Estamos muito satisfeitos com esse patrocínio. O catarinense, assim como o brasileiro, é apaixonado por futebol. Então a gente consegue se aproximar das pessoas por algo que tem um valor importante para elas. Temos tido um retorno expressivo do público, que gosta muito desse tipo de marketing. Recebemos esse retorno das pessoas principalmente pelas redes sociais.

O que motivou a Fruki entrar no mercado catarinense e, agora, acelerar essa expansão?

Continua após a publicidade

O nosso crescimento passa pelo mercado de Santa Catarina. A Fruki já está no mercado do Rio Grande do Sul há 95 anos – uma bela caminhada -, e chegou a hora de expandir. A gente enxergou elevado potencial no mercado de Santa Catarina. Muitos gaúchos que estão no Estado conhecem o nosso produto, mas estamos trabalhando para criar uma relação de confiança com os consumidores catarinenses. Por isso, decidimos fazer em SC um belo trabalho, como fazemos no RS, nos aproximando do mercado, dos supermercados e criando uma relação de confiança com o consumidor do Estado.

A empresa inaugurou um centro de distribuição em Blumenau. Quais são as expectativas com esse investimento?

Continua após a publicidade

Fizemos essa inauguração no final de setembro (do ano passado). É um CD pequeno, mas acreditamos que logo será necessário fazer um investimento maior, aí vamos avaliar se será próprio ou num espaço locado. Acreditamos que em dois anos necessitaremos de um espaço muito maior do que esse. A gente foi direto para Blumenau por ser uma cidade com uma população importantes e pelo fato de, no entorno de Blumenau, ter também cidades populosas.O Vale do Itajaí ter outras cidades fortes.

Hoje, temos aproximadamente 40 pessoas, entre equipe direta e indireta na unidade. Trabalhamos com freteiros, muitos quase exclusivos. Com certeza, teremos que abrir outros CDs em SC porque não podemos atender o Estado a partir do RS. Atendemos bem o Sul catarinense, no máximo até Florianópolis. A partir daí, a operação fica pesada em função do frete.

Continua após a publicidade

Que produtos a Fruki oferece ao mercado e quais são os destaques?

Atualmente, temos no nosso mix tem 59 produtos, considerando inclusive embalagens diversas. Costumamos dizer que temos produtos para todos os momentos dia, desde um suco natural para o café da manhã, água mineral, refrigerante, a cerveja. O guaraná Fruki é o nosso carro-chefe. Há dois anos entramos no segmento de cervejas, com o lançamento da Bellavista, muito bem recebida pelo mercado. E há três anos estamos com o Elev, que é o nosso energético, consumido tanto no trabalho, quando as pessoas estão cansadas, quanto à noite, na balada.

Continua após a publicidade

Como foi a evolução da Fruki, uma empresa familiar, e como está sendo a transição agora, com a sua posse na presidência?

Eu sou da quarta geração. Quem fundou a Fruki foi o meu bisavô Emílio Kirst, em 1924.
Uma das filhas dele, a minha avó, casou com um Eggers. O meu pai, da terceira geração, entrou na empresa em 1959 e agora, em dezembro, completou 60 anos de Fruki e foi para a presidência do conselho da empresa. Eu assumi em 2019. Há três anos começamos a desenhar para ver como essa transição aconteceria e estamos ainda numa passagem de bastão. Atuamos muito juntos para que essa transição ocorra de uma forma saudável, que não ocorra uma ruptura na gestão. Está sendo bastante interessante para mim. Ter o meu pai pertinho é muito bom.

Continua após a publicidade


Quanto a empresa cresceu em 2019?

A nossa projeção para 2019 foi de um crescimento de 11% em faturamento. Para 2020, é repetir esse mesmo crescimento. Em Santa Catarina, fechamos 2019 com crescimento de 50% em faturamento e temos essa mesma projeção para 2020 frente a 2019.

Continua após a publicidade

Quais são as razões do sucesso da Bebidas Fruki, há quase 100 anos no mercado?

A Fruki é uma empresa que procura construir um crescimento sólido. Ela nunca tomou uma decisão extremamente ousada ou agressiva. A gente sempre procurou planejar e crescer com um pouco mais de conservadorismo, mas com a certeza de que as coisas aconteceriam. Isso foi mostrando ao mercado a seriedade da empresa, a intenção da empresa. Sempre tivemos um ótimo relacionamento com todas as partes interessadas: consumidores, fornecedores, governos – pagando todos os impostos – e a sociedade, com participação nos momentos especiais das comunidades.

Continua após a publicidade

A gente sempre fez esse trabalho para criar relação com todas as partes interessadas. E também há o fato de a Fruki, por ter 95 anos, ter passado por várias gerações. No RS é comum as pessoas lembrarem da Fruki relacionando a marca com momentos de família e eventos alegres, especialmente com o nosso guaraná. Isso tudo ajudou a criar a nossa imagem, o que, obviamente, precisamos construir em Santa Catarina.


Hoje há uma pressão de órgãos de saúde para as pessoas consumirem menos açúcar, menos refrigerante. Que estratégias a Fruki já adotou para atender essa tendência?

Continua após a publicidade

Nos últimos anos, a gente vem reduzindo consideravelmente a quantidade de açúcar dentro do refrigerante. A gente já se adequou a uma legislação que vai entrar em vigor daqui a um ano para refrigerante e estamos adaptando outros produtos. Mas ainda existe uma camada expressiva da população brasileira que consome refrigerante. Há movimentos que atingem algumas camadas sociais, mas ela não ocorre em toda a população.

O que a gente vê ainda no refrigerante é uma oportunidade de continuar crescendo. Devemos continuar substituindo ingredientes. Hoje existe a possibilidade de usar açúcar e um pouco de adoçante. Antigamente isso não era permitido. Podemos produzir, no futuro, refrigerantes 100% naturais, apenas com adição de gás, que vai continuar vendendo muito bem. Existem grandes oportunidades dentro desse mercado. O brasileiro, em especial, gosta de coisas doces.

Continua após a publicidade


Vocês estão investindo em nova fábrica no RS. Pensam em ter unidade produtiva também em Santa Catarina?

Estamos instalando uma nova unidade fabril no município vizinho de Lageado, em Paverama. Não estamos fazendo na fábrica atual porque não há espaço. O terreno da nova fábrica tem 90 hectares. Para Santa Catarina, nossos planos são instalar novos centros de distribuição