Esgoto é a causa da floração de algas na Lagoa da Conceição, diz biólogo da UFSC 

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Moradores da Lagoa da Conceição estão preocupados com surgimento de manchas

O lançamento de esgoto é a causa da floração de algas na Lagoa da Conceição, em Florianópolis. O fenômeno ocorre desde os primeiros dias de janeiro e tem chamado a atenção no local, principalmente no Canto da Lagoa. As algas não são tóxicas.

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Amostras das algas foram deixadas na porta do Laboratório de Ficologia da Universidade Federal de Santa Catarina (Lafic) junto com um bilhete. O material foi analisado e o Lafic divulgou uma nota sobre o assunto.

— Foi um presente… mas já sabemos quem foi, foi um colega biólogo, preocupado com as manchas na Lagoa da Conceição. É importante a comunidade estar sempre atenta a essas mudanças. E quando houver algo atípico, entrar em contato com IMA ou Floram, e não entrar na água — afirmou o biólogo Paulo Antunes Horta, da UFSC, em entrevista ao Estúdio CBN Diário desta quarta-feira (8).

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— Quando colocamos esgoto não tratado ou tratado inadequadamente, funciona como fertilizante para as algas, que crescem muito rapidamente, formando essas mares verdes, coloridas muitas vezes, no nosso litoral — explicou Horta.

O biólogo destaca que é preciso fazer um manejo, ou seja, a retirada dessas algas, para permitir o processo de oxigenação natural e deixar o sistema de novo saudável.

A recomendação é não entrar na água, não pelas algas em sim, mas por estar contaminada com material orgânico:

— Nesse caso específico (da Lagoa), temos algas e micro-organismos que não produzem toxinas, o que é muito bom, mas é possível que tenhamos organismos patogênicos. A decomposição da biomassa produz gás enxofre e mau cheiro — alerta.

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Confira a nota do Lafic:

O Laboratório de Ficologia da Universidade Federal de Santa Catarina vem a público esclarecer sobre o evento de floração na Lagoa da Conceição, documentado pela comunidade nas primeiras semanas de janeiro. A massa flutuante observada é composta por algas diversas, como diatomáceas, cianobactérias, algas verdes e vermelhas. Há algas vivas e em decomposição. Destaca-se que não se observou na composição das amostras analisadas espécies produtoras de toxinas.

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Esclarecemos ainda que tal evento é resultado de um processo de eutrofização devido à poluição da lagoa por excesso de esgoto sem tratamento ou não adequadamente tratado. A decomposição da matéria orgânica presente nos efluentes domésticos, transformação promovida por microrganismos, resulta na disponibilização de nutrientes que fertilizam a água, favorecendo o crescimento destas algas. As algas crescem excessivamente e acabam morrendo. O material em decomposição se desprende e é arrastado pelo vento às margens opostas ao mesmo. Destaca-se que o processo está mais evidente no Canto da Lagoa, uma área da Lagoa que apresenta maior tempo de residência da água (menor circulação e dispersão de poluentes). Esses eventos são recorrentes nessa área, especialmente nessa época, quando há maior produção de esgoto, mais luz e maior temperatura.

Destaca-se que o mau cheiro é resultado da decomposição deste material que gera vapores de enxofre. Estes gases são potencialmente tóxicos sendo necessário o manejo destes eventos. Também não é recomendado o contato direto com esse material e as águas de entorno, pois representam acúmulos de poluentes e microrganismos potencialmente patogênicos.

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Pontos impróprios para banho

O último teste de balneabilidade, divulgado sexta-feira (3) pelo Instituto do Meio-Ambiente, aponta dois próprios impróprios para banho na Lagoa da Conceição. Eles ficam junto ao trapiche de embarque dos serviços de transportes, ao lado da ponte, e em frente à rua Manuel Isidoro da Silveira, no centrinho da Lagoa.

O vídeo abaixo foi feito junto ao trapiche: