O mundo ridículo

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"Boneca russa" está disponível na Netflix (Foto: Netflix/Divulgação)

O ano de 2019 foi rico em ensinamentos e diversão. Se o recém-começado 2020 seguir a mesma trilha, viveremos momentos de fortes emoções.

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Aprendemos, em 2019, que meninos do novo Brasil vestirão azul e as meninas, rosa. Descobrimos que os peixes são inteligentes e espertos: quando veem manchas de óleo nos mares, usam a cabeça e fogem. Soubemos que não há fome no país, pois temos clima tropical e muitas mangueiras em nossas cidades.

O ideólogo da família presidencial afirmou: “Não estudei o assunto da Terra Plana. Só assisti a uns vídeos de experimentos que mostram a planicidade das superfícies aquáticas, e não consegui encontrar, até agora, nada que os refute.”

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O ministro da Economia ensinou: “Um menino, desde cedo, sabe que ele é um ser de responsabilidade quando tem de poupar. Os ricos capitalizam seus recursos. Os pobres consomem tudo.”

E um burocrata da área cultural vaticinou: “O rock ativa a droga que ativa o sexo que ativa a indústria do aborto. E a indústria do aborto alimenta uma coisa muito mais pesada, que é o satanismo.”

Para ser feliz é preciso levar a vida menos a ferro e fogo. É importante achar graça e compreender um pouco mais os nossos erros, fraquezas, medos, arrogâncias, ambições, contradições. Somos, na maior parte do tempo, patéticos. Simples assim.

Lutando contra o câncer, o jornalista Gilberto Dimenstein dá aula de coragem e otimismo: “Vivemos nos meios digitais a era da indelicadeza, 500 mil pessoas criticando. Eu acabei entrando no mundo das gentilezas. Cada pessoa tem uma palavra, um chá, uma dica de oração, um olhar gentil. O outro mundo vai ficando ridículo.”

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Relativizar, dar peso, medir o tamanho das coisas, tudo isso ajuda a revelar nossas verdadeiras dimensões. Tudo isso nos ajuda a enfrentar e rir das maluquices desse mundo completamente alucinante e sem noção.

Intolerância

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No Rio, ataque ao prédio onde trabalham os comediantes do Porta dos Fundos. Numa pequena cidade do Estado de Nova York, ataque à casa de um rabino ortodoxo.

Ambos, criminosos. Ambos casos de intolerância religiosa – uma praga espalhada por todas as partes do mundo.

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Sorte grande

Pelo terceiro ano consecutivo, uma aposta de Santa Catarina está entre os ganhadoras da milionária Mega-Sena da Virada. Sorte muito grande, como se não bastasse viver num Estado com tantas belezas naturais.

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Dica de leitura

Chega ao Brasil, finalmente, “Cartão vermelho”, de Ken Bensinger, lançado pela Globo Livros. O subtítulo diz tudo: “Por dentro do maior escândalo de corrupção no mundo do futebol”.  A bandidagem na Fifa teve a participação de alguns importantes brasileiros. É livro para virar filme.

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REFLEXÕES SOBRE A FINITUDE

“Boneca russa”, série criada por Natasha Lyonne, Amy Poehler e Leslye Headland, é uma das coisas mais audaciosas e inventivas do mundo audiovisual. Se deseja, neste ano novo, refletir mais profundamente sobre a vida, corra e veja.