Ao abrir a programação das comemorações dos 70 anos da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), com palestra no final da manhã desta sexta-feira, em Florianópolis, o vice-presidente da República começou falando dos problemas políticos dos últimos dias e defendeu a democracia. Criticou a forma como as redes sociais são usadas e disse que, em função desses problemas, parece que o Brasil vive num eterno turbilhão.
– Mais uma vez, os mares não estão tranquilos porque vídeos são divulgados, redes sociais se encandescem, as pessoas, muitas vezes, não raciocinam sobre aquilo que estão escrevendo ou discutindo, emoções são colocadas à flor da pele. E parece que nós vivemos num eterno turbilhão. E esse eterno turbilhão tem que ser superado por uma tríade que desde o ano passado eu venho tentando demonstrar para todos, que é a tríade da clareza, da determinação e da paciência. É só com isso que vamos conseguir chegar aos objetivos que temos pela frente – afirmou Mourão.
Segundo ele, esses objetivos estão na missão colocada pelo presidente (Jair Bolsonaro) no discurso de posse, em janeiro do ano passado.
– Os objetivos são restaurar e reerguer a pátria, libertá-la do jugo da corrupção, da criminalidade, da irresponsabilidade econômica e da submissão ideológica, com a nossa missão de fazer a mais vibrante e mais próspera democracia liberal do hemisfério sul. Aqui, ninguém está atentando contra a democracia. Isso deve ficar bem claro – disse ele, numa referência indireta às críticas recebidas pelo governo após o presidente divulgar um vídeo convocando protesto contra Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal.
Mourão chegou com cerca de uma hora de atraso. Se desculpou explicando que no momento da partida do voo, em Brasília, o aeroporto estava recebendo uma aeronave com órgãos para transplante, o que tem prioridade frente às demais.
O vice-presidente foi recebido pela vice-governadora Daniela Reinehr e pelo presidente da Fiesc, Mario Cezar de Aguiar. Falou para um auditório lotado de industriais, incluindo dois vice-presidentes da Fiesc, Osvaldo Moreira Douat e José Fernando Xavier Faraco, mais o presidente da Federação da Agricultura, José Zeferino Pedrozo e o presidente do conselho da Federação das Associações Empresariais (Facisc) Alaor Tissot. Entre as autoridades e lideranças estavam também o senador Esperidião Amin, o presidente do Tribunal de Justiça de SC Ricardo Roesler, parlamentares e presidentes de grandes grupos empresariais catarinenses.
Coronavírus: "não à histeria"
Na abordagem sobre cenários do mundo e do Brasil, o vice-presidente disse que a recuperação econômica está muito lenta e o coronavírus vai deixar ainda mais lenta.
– Não é algo para ser tratado como uma histeria. Aí, mais uma vez, o papel da redes sociais, o papel da velocidade das comunicações coloca o coronavírus como o primeiro problema a ser enfrentado no mundo. So que se a gente olhar os números, até o presente momento, não é algo para que a gente entre em pânico – afirmou Mourão.
