Com atividade suspensa no frigorífico de Ipumirim desde o dia 18 deste mês por decisão do Ministério Público do Trabalho (MPT) e nova ação que determina 14 dias de suspensão, ambas medidas que cobram normas de prevenção à Covid-19, a Seara, do Grupo JBS, poderá ter que fazer abate sanitário de 650 mil frangos na próxima semana. A informação foi comunicada pela empresa na manhã de hoje à secretaria de Agricultura de SC. O alerta resultou numa série de ações do governador Carlos Moisés, Ministério da Agricultura e lideranças políticas para evitar essa que pode ser uma grande tragédia ambiental.
A decisão de autorizar ou não a volta ao trabalho na unidade de Ipumirim está nas mãos da juíza da Vara do Trabalho de Concórdia, Paula Naves Pereira dos Anjos e ela ficou de anunciar ainda nesta sexta-feira. Na ação apresentada nesta quinta-feira, o MPT-SC cobra da Seara a adoção do distanciamento de 1,5 metro entre um trabalhador e outro na unidade, mas a empresa alega que está cumprindo as normas estaduais e nacionais, segundo as quais, quando não é possível estabelecer distância, é preciso barreira física como equipamentos de proteção individual.
Se a Seara tiver que fazer esse abate sanitário, será o primeiro das Américas nesta fase de coronavírus para colocar as aves em um aterro sanitário ou enterrar em valas nas propriedades que, nos dois casos, causará grande impacto ambiental. Isso porque quando a unidade da BRF em Lajeado, RS, solicitou recentemente autorização de órgãos ambientais para abate sanitário de 100 mil aves, uma juíza suspendeu. Assim, as aves foram abatidas na empresa e usadas para fabricação de farinha. No caso de Ipumirim, isso não será possível porque o frigorífico está fechado e não há unidade próxima com capacidade para essa demanda.
O problema de abates sanitários também ocorreu nos Estados Unidos, tanto para aves quanto para suínos. Mas lá foi possível abater em frigorífico e fazer farinha de carne.