Os números da pandemia do novo coronavírus deram um salto nesta terça-feira (28) em Santa Catarina, com o acréscimo de 519 casos à estatística oficial do Governo do Estado. O secretário de Estado da Saúde, Helton Zeferino, disse que a inclusão dos testes rápidos dos municípios na contagem foi responsável pelo boom. Mas, diante da flexibilização do isolamento social em Santa Catarina nos últimos dias, a relação entre uma coisa e outra se impõe.
O monitoramento dos celulares pela Polícia Militar indica que o índice de isolamento social, neste início de semana, é de 46% – o mais baixo desde o dia 18 de março, quando começaram a valer as regras de quarentena no Estado. Santa Catarina chegou perto de 80% de adesão ao isolamento nos primeiros dias do decreto, um dos melhores índices do país. A cada semana, o nível reduziu um pouco mais. Até que caímos praticamente pela metade.
Há dois motivos para a redução. Por um lado, a liberação de novas atividades fez mais gente sair para trabalhar, o que era esperado. Por outro, há muita gente que se comporta como se não estivéssemos em meio a uma crise sanitária mundial. Há passeios urgentes, encontros inadiáveis, compras que não podem esperar. Há quem duvide do vírus, quem não acredite no alto grau de transmissão, e ainda quem ache que está imune a uma doença para a qual não existe vacina.
É simbólico que esse aumento no número de casos ocorra uma semana após o governo ter permitido o ensaio de “normalidade” em Santa Catarina, e após o Estado ter virado notícia nacional pela avidez com que os catarinenses voltaram aos shoppings. Fomos o primeiro estado no país a afrouxar as regras de quarentena.

A justificativa dada pelo governo para explicar o aumento na quantidade de casos, com a junção da base de dados, faz sentido. Mas também mostra que havia mais contaminação do que mostravam os dados oficiais – e não demos suficiente atenção a isso.
Os próximos dias mostrarão como as estatísticas, agora unificadas, vão se comportar e responderão com mais clareza sobre as consequências da "volta à normalidade" para o comportamento da pandemia no Estado. Se a abertura ocorreu mais cedo do que deveria, a resposta virá dos números.
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