A Estação Experimental da Epagri, em Itajaí, desenvolveu a primeira variedade de arroz para risotos 100% catarinense. O arroz Pérola demandou 10 anos de pesquisas, e vai possibilitar a plantação desse tipo de grão especial em larga escala _ o que não ocorre hoje no Brasil. Para os produtores, o arroz para risotos representa um aumento no ganho de quase 500%.
O lançamento oficial será nesta quinta-feira. A Epagri pretende fazer uma chamada pública ainda este ano para escolher a empresa que fará a multiplicação das sementes do arroz Pérola, e espera que a variedade esteja no prato dos consumidores a partir do ano que vem.
Pesquisadora da Epagri e responsável pelo projeto, Ester Wickert diz que há quatro tipos diferentes de arroz para risoto. O Pérola está no grupo dos de melhor qualidade, que é pouco comercializado no país. Hoje, 100% do arroz especial de risotos nos supermercados é importado.
A vantagem do Pérola está na produtividade. Normalmente, variedades de arroz para risoto produzem quatro toneladas por hectare. Os experimentos da Epagri mostram que o novo arroz pode chegar a 10 toneladas no mesmo espaço.
Um dos principais fatores que influenciam o rendimento é o que os pesquisadores chamam de “arquitetura” da planta. Diferente das variedades tradicionais, o Pérola vem de plantas mais baixas, que estão menos sujeitas à queda e ao ataque de pássaros, por exemplo, e permite a automatização da colheita.
O Estado é o segundo maior produtor do país, e a produção de arroz emprega direta e indiretamente 30 mil pessoas. Hoje, 80% do arroz plantado no Estado foi desenvolvido pela Epagri.
Volta ao mundo
A Epagri já desenvolveu em Santa Catarina 30 variedades de arroz. Recentemente foram apresentados os primeiros grãos especiais, “coloridos”, como o vermelho e o preto. Com a apresentação do Pérola, a empresa entra nas variedades para culinária italiana. Há pesquisas em andamento para arroz específico para a culinária japonesa, e também os aromáticos como o arroz jasmine, típico da gastronomia tailandesa.