A chuva começou no fim da tarde de terça-feira, tímida, com leve queda de temperatura. Não era exatamente o esperado para um dia de verão: no máximo uma pancada rápida e nada mais, seguida de nova sensação de abafamento. Com o cair da noite a situação se agravou, a chuva apertou e os pontos de alagamento começaram a surgir, como vimos em matérias dos últimos dois dias. Muitos moradores da Grande Florianópolis tiveram que sair de suas casas deixando para trás pertences e, obviamente, o imóvel entregue à própria sorte, apenas torcendo para que o nível da água não subisse mais. Vimos situações tristes nessas últimas 72 horas.
Há ainda um outro lado da história por trás das muitas horas ininterruptas de chuva, vivida por campistas, acampados no chão batido, terra que aos poucos começou a se encharcar. Alguns viram a água invadir a barraca ainda pela madrugada, tendo que levantar do colchão no susto para correr atrás de um calçado ou muda de roupa que ia embora com a correnteza formada.
O Camping do Rio Vermelho, por exemplo, apontou áreas de alagamento que passaram dos 50cm. Isso, para uma barraca, é quase até o teto.
Em entrevista o coordenador operacional do camping, Davis Moreno, contou que os funcionários do local ficaram preocupados com possíveis quedas de galhos. Atentos ao nível da água, observaram que teriam que cortar a energia elétrica se o nível da água subisse um pouco mais, sem dúvidas, para evitar choques no terreno.
“- Os vigias permaneceram atentos a noite toda caso vissem alguma faísca ou se o vento começasse a bater. Ainda bem que foi só a água mesmo.”- comenta Moreno.
O casal de argentinos Damian Carrasco e Agustina Saldivar vieram um pouco mais preparados. O pequeno trailer que veio engatado no carro serviu de abrigo por dois dias. A água cobriu as rodas e o máximo que tiveram que fazer foi apanhar as sandálias a poucos metros, depois que o terreno apareceu novamente.
“- Foi terrível. Ficamos aqui dentro o tempo inteiro, no máximo íamos ao lado do trailer, na cozinha. A sorte é que temos armários aqui e nossas roupas ficaram guardadas. Teve gente que ficou com tudo molhado.” – disse Carrasco apontando para um carro estacionado ao lado de uma barraca para duas pessoas sem lona de cobertura.
Mais ou menos o que aconteceu com Débora da Costa e seus amigos. A água não chegou a invadir a barraca, mas a umidade se encarregou de ensopar muitas mudas de roupas e calçados.
“- Meus amigos europeus se assustaram com a chuva. Eles vieram pensando em sol, praias e trilhas. Claro que eles têm chuva no país onde vivem, mas como a que caiu nesses dois dias foi para assustá-los.”
Aliviado, o coordenador operacional do local, Davis Moreno, ainda aponta que uma pessoa perdeu um telefone celular: “Ouvi que uma pessoa ficou sem o telefone, mas foi só isso. Ainda bem”.