Estudo inédito feito pela Fundação Instituto de Pesquisa Econômica (Fipe) a pedido da startup 99, de mobilidade, apurou que ela acrescentou R$ 112 milhões à economia de Florianópolis em 2019, um acréscimo de 0,66% ao Produto Interno Bruto local. A Capital catarinense foi a cidade que mais agregou impacto econômico proporcionalmente entre as cidades avaliadas na pesquisa, informa o gerente de políticas púbicas da empresa, Miguel Jacob. O aplicativo foi responsável pela geração de aproximadamente mil empregos no ano passado em Florianópolis, sem considerar os postos diretos dos motoristas que realizam o trabalho.
A Fipe criou uma metodologia própria para isolar o impacto na economia a partir de uma análise de insumo-produto. Considerou efeitos diretos, indiretos e induzidos nas cadeias produtivas de todos os setores. A instituição usou dados da 99, dela própria e de outras instituições como o IBGE. Uma das informações consideradas foi o gasto das famílias dos motoristas que obtém renda trabalhando com a 99. São despesas para alimentação, habitação e outros serviços.
O estudo apurou que no Brasil a startup movimentou R$ 12,2 bilhões, o que corresponde a 0,18% do PIB do país, com a geração de mais de 108 mil empregos em diversas atividades.
De acordo com o professor Fernando Perobelli, um dos pesquisadores da Fipe/Nereus, a metodologia insumo-produto consegue mensurar a interdependência entre setores produtivos. A ideia foi captar como a geração de receita com a 99 se espalha pela economia. Isso ocorre de duas formas. Uma é pelas despesas operacionais do transporte como investimentos em veículos, IPVA, depreciação, combustível e manutenção.
O outro lado é o consumo dos indivíduos como alimentação e aluguel deles e das suas famílias. Isso fomenta a economia como um todo. Por exemplo: o consumo de etanol em Florianópolis aquece a produção do combustível em São Paulo. A aquisição de um seguro de empresa de SC, fortalece a economia local.
– Numa comparação com o corpo humano, imagina que a gente dá uma injeção na economia e ela vai se espalhar através das artérias para todas as partes do corpo. Esse resultado é proveniente da integração do serviço da 99 com os demais setores da economia. Muitas vezes a gente pensa que o serviço online está mais integrado somente com questões de tecnologia, desenvolvimento de sistemas, mas não. Na verdade, está integrado com sistemas off-line como o comércio de atacado e varejo, imobiliárias, transporte terrestre, a questão de saúde privada e outros. É essa integração produtiva que nos permite ter esse resultado de R$ 112 milhões em Florianópolis – explica o pesquisador.
A empresa 99, a exemplo dos demais aplicativos de mobilidade, conecta passageiros e motoristas. Conta com 600 mil motoristas prestadores de serviços no Brasil, uma parte que atua como taxista. Eles prestam serviços para 18 milhões de passageiros em 1.600 cidades brasileiras. A empresa é brasileira, mas foi adquirida pela companhia global chinesa DiDi Chuxing. Presta cinco tipos de serviços: 99Taxi, em todo o país; o 99Compartilha, de corridas compartilhadas em Belo Horizonte e Campinas; o 99Top, serviço de táxis de luxo oferecido em São Paulo; e o 99Comfort, com carros novos e espaçosos a um preço acessível em Porto Alegre, Curitiba e São Paulo.
