Afinal, por que o pico da pandemia de coronavírus nunca chega a Santa Catarina?
Passaram março, abril, maio e chegamos à metade de junho sem que o número de casos pare de crescer. Reabriram o comércio, os restaurantes, os serviços, as igrejas, o shopping de Blumenau foi parar no New York Times, mas a ameaça de colapso não se concretizou. Ao menos ainda não.
Há certa impaciência no ar e a situação de Santa Catarina, melhor que a do Brasil, estimula certo negacionismo. Cadê o pico?
Pandemia não é enchente.
Quando especialistas da Furb projetam o nível de uma cheia do Itajaí-Açu, analisam variáveis como o tamanho da bacia, a meteorologia, a chuva que já caiu e o tempo que a água leva para descer o Vale. Com oito a dez horas de antecedência, indicam uma cota que servirá de indicador para decisões de dezenas de milhares de famílias. Passado o pico, é hora de preparar a limpeza e retomar a vida cotidiana.
Na pandemia de coronavírus, as previsões levam em conta a taxa de transmissão, os números de casos, de mortes, de infecções por síndrome respiratória, a ocupação de leitos, entre outros indicadores. Porém, ao fim da análise, uma variável permanecerá sem controle: o comportamento das pessoas, em especial dos governantes.
Medidas de isolamento social nos aproximam do pico da onda pandêmica e permitem que o gráfico de doentes e mortes mude de direção antes. O contrário significa adiar a chegada ao platô e, por consequência, prolongar o clima de insegurança.
Mais de 98% da população do estado continua vulnerável ao novo coronavírus. Sem ações para virar o gráfico, só alcançaremos o pico por vontade do vírus.
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