O registro de mais casos de Covid-19 em alguns frigoríficos no Estado, tendo inclusive levado ao fechamento de uma unidade de aves em Ipumirim, é um dos principais desafios do setor produtivo catarinense atualmente.
O assunto foi abordado na reunião desta terça-feira do grupo econômico do Estado, que trata de medidas em função do novo coronavírus. O presidente da Federação de Agricultura e Pecuária do Estado, José Zeferino Pedrozo, alertou que o risco de fechamento de unidades preocupa porque o abate sanitário de aves não é fácil de ser feito.
Também presente na reunião, o procurador-chefe do Ministério Público do Trabalho, Marcelo Neves, destacou razões que levaram ao fechamento da unidade, como número elevado de trabalhadores infectados e uso irregular de equipamentos de proteção individual (EPIs). O fechamento da unidade foi feito pela Subsecretaria de Inspeção do Trabalho, órgão do Ministério da Economia.
O secretário da Fazenda, Paulo Eli, que coordena o grupo, também mostrou preocupação com o problema. Há um esforço grande, tanto do setor público quanto do setor privado catarinense para que frigoríficos não sejam fechados no Estado. Lideranças do setor informam que o protocolo nacional, que acaba de ser elaborado e aprovado com a participação conjunta de diversos ministérios prevê uma série de ações, mas não o fechamento de unidades.
Nesta quarta-feira, o secretário Paulo Eli informou que o governo monitora com atenção dois dados importantes sobre a evolução da Covid-19 no Estado: óbitos por milhão de habitantes e disponibilidade de leitos de UTI. O Estado está bem nesses dois indicadores em relação aos demais estados e o mundo, destacou o secretário.
Diante do desafio de manter as atividades, o setor agroindustrial explica que está tomando rígidas precauções com assessoria de especialistas, que o problema acontece nas cidades e é levado para os frigoríficos. Já foram fechadas unidades de abate de aves no Rio Grande do Sul e, agora, em Santa Catarina.
Atividade considerada essencial, o setor de proteína animal terá que reforçar medidas de preservação à saúde nas suas unidades, com melhor uso de equipamentos de proteção, busca de um distanciamento maior entre as pessoas e afastamento imediato de trabalhadores com sintomas ou com a comprovação da doença. Caso a prevenção não seja eficaz, as agroindústrias estarão sujeitas a enfrentar interrupções temporárias de produção. É o que impõe a realidade da pandemia.
