O problema que paralisa o Brasil é o gasto público muito acima do que é arrecadado em impostos. E quem está com a bola, ou seja, pode fazer esse ajuste para colocar as contas na linha são os parlamentares, não a presidência da República.
Esse alerta foi feito terça-feira pelo professor de economia e pesquisador do IBRE-FGV, Samuel Pessoa, em palestra promovida pela Federação Catarinense dos Municípios (Fecam), na sede da Fiesc.
O evento antecedeu a troca de comando da federação, quando o prefeito de Tubarão, Joares Ponticelli, assumiu a presidência sucedendo a prefeita Sisi Blind, de São Cristóvão do Sul.
Pessoa explicou que as contas públicas da União, Estados e boa parte dos municípios se desequilibraram a partir de 2012, quando a receita tributária passou a crescer no mesmo ritmo da economia e os gastos públicos continuaram subindo num ritmo maior.
– Os políticos (parlamentares) precisam responder ao papel deles, que é abrir o orçamento público, ver onde vai cortar ou aumentar imposto – orientou.
Conforme o especialista, agora é atribuição do Congresso Nacional fazer o ajuste para que o país possa crescer, evitando assim, uma nova crise. Ele aconselhou as pessoas a estudarem o orçamento federal para ajudar os parlamentares a decidir como fazer. Na avaliação de Pessoa, o mais urgente é a reforma da Previdência, mas outras são necessárias, especialmente a tributária.
Pai analfabeto, neto engenheiro
Para explicar parte da última recessão do país, o professor Samuel Pessoa disse terça-feira na Fiesc que uma das causas foi o fato de os governos do PT tentarem imitar o intervencionismo econômico de países como a China e Coreia do Sul para crescer. Segundo ele, não deu certo aqui porque lá eles constituíram um dos melhores sistemas educacionais do mundo – pais analfabetos têm netos engenheiros – e como não há seguro social, as famílias poupam muito, por isso o juro é baixo e facilita os investimentos públicos e privados. Um salto na qualidade da educação básica ajudaria o Brasil, mesmo sem juros baixos.
Parcerias econômicas
A aproximação com o setor privado é uma das estratégias para que as gestões públicas municipais consigam melhores resultados em bem estar social. O novo presidente da Fecam, Joares Ponticelli, disse que fará gestão com esse foco. Uma das aproximações é com a Federação das Indústrias (Fiesc).
O presidente da entidade, Mario Cezar Aguiar, disse que a indústria tem garantido crescimento ao Estado acima da média nacional, com mais geração de empregos. Informou que a parceria entre Fecam e Senai/SC para o uso do nanosatélite que está sendo fabricado pela empresa Visiona vai ajudar na gestão dos municípios.
Alinhando investimentos
O empresário Manoel Calvo (D), presidente da multinacional Gomes da Costa, que está construindo um novo parque fabril em Itajaí, visitou terça-feira o governador Carlos Moisés da Silva (segundo à dir.) acompanhado do prefeito Volnei Morastoni. Foi recebido também pela vice-governadora Daniela Reinehr e pelo secretário de Desenvolvimento Econômico Lucas Esmeraldino.
O grupo espanhol é o maior empregador privado de Itajaí, com 2 mil postos de trabalho direto e 10 mil indiretos. Os investimentos somam R$ 300 milhões e estão recebendo obras de infraestrutura para a nova fábrica. O objetivo da visita foi alinhar com o governo o andamento do projeto.
No IBrX100 da bolsa
A multinacional joinvilense Tupy, a partir deste mês, passa a ter as suas ações na composição do índice IBrX100, que reúne os 100 papéis mais negociados na B3, a bolsa de valores do Brasil que é a ex-BM&FBovespa. A empresa conseguiu entrar nesse seleto grupo após reduzir endividamento e aprimorar sua governança, o que tornou suas ações mais interessantes para investidores.
A presença nesse índice IBrX 100 permite que mais fundos, que investem valores elevados, possam adquirir ações da companhia, fortalecendo ainda mais os negócios. A Tupy também integra outros índices. É uma competitiva exportadora de autopeças para veículos pesados de montadoras do ocidente, especialmente dos EUA.