Embaixador dos EUA diz que negociações visam duplicar negócios entre os dois países

Compartilhe:

Todd Chapman, novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil Foto:Divulgação

O intercâmbio comercial entre o Brasil e os Estados Unidos totalizou US$ 105 bilhões no ano passado. O novo embaixador americano no Brasil, Todd Chapman, há seis semanas no cargo, afirma que além de atenção especial para a colaboração com o Brasil no enfrentamento à pandemia do coronavírus, a embaixada dos EUA no país trabalha constantemente para aumentar os negócios entre os dois países.

Continua após a publicidade

Como os dois governos têm relação amigável – Donald Trump e Jair Bolsonaro -, os trabalhos envolvem vários ministérios e a meta é um pacote de medidas que colabore para duplicar os negócios entre os dois países em cinco anos, disse o diplomata em entrevista a jornalistas do Sul do Brasil na tarde desta terça-feira. Conforme Chapman, entre os temas em negociação está um acordo para economia digital.

Chapman afirmou que além das negociações entre os governos, uma série de avanços acontecem constantemente. Há pouco saiu uma nova regulamentação para exportação de peras e há uma enormidade de novos produtos de pesca que podem ser exportados aos EUA.

Continua após a publicidade

Sobre eventual acordo comercial entre os Estados Unidos e o Mercosul, o diplomata disse que não há conversas com esse objetivo.

– Sobre um acordo com o Mercosul, não temos falado. Sei que o Mercosul está passando um tempo diferente. Então eu vou deixar o Mercosul com o Mercosul. Nosso desejo é ampliar a relação e chegar a um tipo de pacote e entendimento com o Brasil para expandir as oportunidades. Esse e nosso objetivo – afirmou Chapman.

Em relação à pandemia do coronavírus, ele disse que os EUA trocam informações com o Brasil na área científica e colaboram de outras formas, inclusive com a transparência sobre como a doença tem afetado os americanos, que enfrentam o maior número de casos no momento. Questionado sobre o comportamento do presidente Jair Bolsonaro, ele afirmou que esta é uma nova pandemia, as pessoas estão aprendendo a enfrenta-la e têm entendimentos diferentes sobre a mesma.

Mas o embaixador enfatizou que os países vão proceder de forma diferente após a crise do coronavírus. Isso vai mudar a forma de produção visando mais segurança. Questionado sobre a vinda de mais investimentos americanos ao Brasil, afirmou que o país é o maior investidor no Brasil, mas alergou que as condições para se fazer negócios no mercado brasileiro são difíceis. O capital vem quando tem segurança, observou.

Continua após a publicidade

Vale destacar que o intercâmbio comercial entre Santa Catarina e os Estados Unidos é relevante para o Estado. Nos últimos anos, o mercado americano tem revezado com o chinês no destino de exportações do Estado, após décadas os EUA serem, de forma destacada, o maior mercado. SC sedia unidades de multinacionais americanas, entre as quais a Whirpool, GM e WestRock, enquanto os EUA sediam unidades de multinacionais de SC como a WEG, Tigre, Neoway e Neogrid.

Todd Chapman conhece a região Sul do Brasil. Já esteve em Santa Catarina e Rio Grande do Sul quando o seu pai era executivo de uma multinacional americana em São Paulo e a família visitava estados brasileiros. Por isso é fluente em português. Na entrevista, ele disse também que a atuação do novo consulado dos EUA em Porto Alegre surpreendeu positivamente. Além do apoio aos negócios, em três anos já concedeu 168 mil vistos.