O impacto da crise econômica causada pelo novo coronavírus provoca perdas sem precedentes para a Celesc, especialmente na distribuição de energia. O presidente da companhia, Cleicio Poleto Martins, em entrevista na manhã de hoje sobre o balanço do primeiro trimestre, informou que a Celesc registrou em abril queda de 14% no consumo e a média do Estado, incluindo as empresas que são consumidores livres, recuou 20%. Segundo ele, a companhia teve perda de faturamento de aproximadamente R$ 150 milhões em abril e aguarda ajuda da Conta Covid, que está sendo criada pelo governo federal, para repor perdas financeiras a fim de que que o setor elétrico não quebre.
Conforme Martins, até o momento a Celesc enfrenta perda de receita com reservas próprias. A companhia fechou o ano passado com caixa de R$ 400 milhões. Também fez um contingenciamento de 42% dos recursos para investimentos (Capex) o que somou R$ 240 milhões e contingenciou ainda R$ 92 milhões de despesas controláveis pela companhia (PMSO). Assim está conseguindo cumprir seus compromissos.
Mas para a solvência futura da empresa vai depender da Conta Covid que está sendo criada pelo governo federal a partir de sugestões de todas as entidades do setor, em especial a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para que o setor não quebre. Será feito um repasse à vista para compensar perdas de março e abril e, a partir de maio, serão transferidos valores de acordo com as perdas de cada companhia distribuidora.
– O impacto (da crise) vai atingir também a sustentabilidade econômica da empresa se esse desenho nacional capitaneado pela Aneel não for bem feito – explica Martins.
A forma como esse socorro será pago pelos consumidores ainda não está definida. Conforme o presidente da Celesc, a opção pode ser uma carência de oito meses e, depois, cobrança na conta de luz dos consumidores por 4,5 anos. Quanto ao próximo reajuste da conta de luz, que para SC está previsto para agosto, Martins adianta que a Aneel tem postergado alguns reajustes em função das urgências da pandemia e isso pode acontecer também com a Celesc.
Estiagem e geração
Além da pandemia, a Celesc é afetada também pela seca que atinge o Estado. Em função da estiagem, o parque gerador da empresa, com 12 usinas, está operando com menos de 50% da capacidade. Mas as perdas não são nas mesmas proporções em função da regulação do setor.
Conexão de usinas solares
Quando iniciou o isolamento, a companhia também suspendeu diversos serviços. Depois iniciou retomada e, nesta segunda-feira, voltou a fazer ligações de unidades solares na rede da distribuidora. Como essa conexão querer aproximação pessoal, os servidores estão realizando o trabalho seguindo um protocolo: uso de máscara e álcool gel elo profissional e também pelo proprietário do imóvel.
