As fake news do amor

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Foto: Pexels, banco de imagem

“Quando existe amor, a relação se torna fácil”.

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Nunca, jamé. É sempre um desafio, mesmo entre pessoas experientes e bem resolvidas. A maturidade ajuda, é verdade, mas supor que exista uma relação em que um não queira esganar o outro de vez em quando é acreditar muito em conto de fadas. Aliás, os contos de fadas só mostram o idílio pré-nupcial, nunca revelam as discordâncias, as concessões e a exaustão daquela parte chamada “felizes para sempre”.

“Para sempre?”

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Aos que conseguem se divertir e evoluir juntos por 40 anos, por 50 anos ou mais, meu respeito e admiração, mas a persistência pode ter motivos menos nobres, como preguiça, medo, preservação de patrimônio, manutenção do status social. “Duração” não é um valor em si. Quando temos coragem de encerrar um ciclo e nos abrimos para novos começos é que podemos de fato ir mais longe. Dois, três, quatro grandes amores durante a vida? Frivolidade nenhuma. Bendita oportunidade de expandir nosso autoconhecimento.

“Só relações sérias e firmes é que importam”.

Todas as relações que nos emocionam de alguma forma e que aprimoram a arte da convivência amorosa são “sérias”, incluindo as breves, soltas, leves, que não fazem a gente sentir que está arrastando uma bola de chumbo acorrentada aos pés.

“É num relacionamento que encontramos palavras de incentivo e carinho”.

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E é também onde somos mais atacados e criticados – intimidade demais dá nisso: bullying conjugal. O amor é para os fortes.

“O melhor de uma relação amorosa: sexo à vontade, quando quiser”.

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Você deve ser jovem, aproveite. Eu, que também já fui meio tarada, ultimamente ando a fim de lançar a campanha “Conchinha é o novo sexo”. Meu namorado discorda 100%.

“É impossível ser feliz sozinho”.

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João Gilberto era um gênio, mas este romantismo às vezes confunde as pessoas. Muita gente ainda acredita que é preciso formar um casal a qualquer custo. Fundamental é mesmo o amor? Sim, mas só nos casos em que o amor é melhor do que a nossa solidão. Se não for, não é preciso se conformar com qualquer coisa.

“O amor é o lugar em que você pode ser absolutamente sincero”.

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Aconselhar, pedir, chorar, se abrir? Pode. Confidenciar seus traumas infantis? Que fofo. Pode. Dar uma opinião franca sobre os parentes um do outro, meter a colher sobre a educação dos enteados? Não pire. Narrar as fantasias eróticas que costuma ter com o garçom da churrascaria? Se você é do tipo que produz provas contra si mesmo, vá em frente. Falar tudo, tudo, tudo o que você pensa sobre sua alma gêmea, a fim de demonstrar a ela sua atenção plena? Acredite: ela prefere sua desatenção prudente e educada.

Um brinde ao fascinante amor de verdade, que não é menos amor, é apenas um amor mais generoso e eficaz. E alma gêmea não existe, também é boato.

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