“Movimento da aviação executiva foi maior que o da comercial”, diz diretor geral da Floripa Airport

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Ricardo Gesse: 'O aeroporto está operando a chamada malha aérea essencial' Foto: Felipe Carneiro, Divulgação

O setor aeroportuário é um dos mais afetados pela crise econômica resultante dos impactos do coronavírus. O Aeroporto Internacional de Florianópolis opera com redução de 93% da capacidade e os voos executivos superaram em 28,57% os comerciais em abril. Foram 207 de jatinhos frente a 161 da aviação comercial. Uma das novidades é a retomada de voo comercial direto para o Rio de Janeiro, com a Gol, dia 24 deste mês.

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O diretor geral da concessionária suíça Floripa Airport, Ricardo Gesse, informa que os cuidados para evitar a Covid-19 são rigorosos e o terminal trabalha para aumentar a atividade de carga. No mês passado, foram movimentados produtos no valor de R$ 43 milhões e, na próxima semana, o terminal passa a ter capacidade para receber aviões de carga maiores.

Gesse, que assumiu o cargo em janeiro sucedendo o CEO Tobias Markert, tem profunda experiência no setor de aviação, no qual ocupou posições de liderança em empresas de assistência ao transporte aéreo em terra, companhias aéreas e aeroportos. Em Florianópolis, ele foi responsável não apenas por conduzir, como diretor, as operações do aeroporto, mas também pelo complexo processo de transferência para o novo terminal, que entrou em operação dia 1º de outubro do ano passado. Confira a entrevista:

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Como está funcionando o aeroporto de Florianópolis nesta fase de isolamento social com relação aos cuidados sanitários?

A Floripa Airport, em parceria com a prefeitura, tomou algumas ações que são pioneiras no país, como a barreira sanitária no desembarque e o teste rápido de coronavírus para passageiros sintomáticos. Há uma série de outras ações implementadas pelo próprio aeroporto, como avisos sonoros de distanciamento mínimo, marcadores de fila, uso de máscaras e luvas por todos os funcionários, álcool gel espalhado pelo terminal, proteções de acrílico nos balcões de atendimento e uma rigorosa rotina diária de desinfecção do aeroporto, que engloba diferentes tipos de higienização várias vezes ao dia.

E como está o movimento comparando aviação executiva com a aviação comercial?

Com relação aos voos comerciais, o aeroporto está operando a chamada malha aérea essencial, com uma média de 6 voos por dia (chegadas e partidas). O número de passageiros diários está em torno de 600. É uma operação extremamente reduzida, 93% de diminuição em relação a uma operação normal para Abril.

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Sobre os jatinhos executivos, considerando aviação particular e táxi aéreo, no mês de abril foram, foram 207 voos, média de quase 7 voos por dia. É um movimento 53% menor do que no mesmo período do ano passado. Porém, ao comparar a aviação executiva e a comercial no período de abril de 2020, o movimento da executiva foi maior do que o da comercial, representando, 207 voos, contra 161 da aviação comercial.

Diante da performance da aviação executiva, a Floripa Airport vê potencial de crescimento deste segmento neste período?

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A Floripa Airport está implementando melhorias nos serviços da aviação executiva, como o uso do pátio principal e disponibilização de uma nova sala.

Outros incrementos estão sendo estudados como possibilidade de reservas online, visando um crescimento futuro.

Dos serviços de apoio, quais estão funcionando?

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A maioria das operações comerciais do aeroporto está fechada. Considerando Alimentação, Varejo, Serviços e Mobilidade, temos cerca de 30% dos estabelecimentos abertos, como as locadoras, supermercado, farmácia e a Starbucks, localizada no hall do checkin . Nesta semana, a Sala Vip voltou a operar, com todas as recomendações de segurança e alimentos porcionados individualmente.

É uma operação bem reduzida também, que acompanha o movimento mínimo da malha, mas que atende às necessidades básicas dos passageiros. O terminal de cargas está operando regularmente, inclusive, tem um importante papel neste momento, fazendo o transporte de insumos, produtos e equipamentos médicos e hospitalares.

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Existe alguma perspectiva de crescimento do Terminal de Cargas neste atual momento?

Estamos trabalhando para que o crescimento do Floripa Airport Cargo no Brasil. O interesse tem crescido e estamos sendo procurados por inúmeras tradings de diversas localidades do país. A intensificação de consultas por parte das empresas de importação é resultado de um trabalho nosso de desenvolvimento estratégico para consolidar o nosso terminal de cargas como pólo logístico do Brasil, tendo em vista as nossas vantagens em relação ao restante do país: estrutura pronta para diferentes tipos de carga, elevado nível de segurança e agilidade nos processos de liberação de cargas.

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Na próxima semana já teremos condições para que o nosso terminal de cargas possa atender, por exemplo, aeronaves de grande porte, como um 747-400 Jumbo. A nossa estrutura de pátio também já permite o atendimento simultâneo de até 3 aeronaves desse porte. Só no mês de abril, movimentamos um valor total de mercadorias de mais de R$ 43 milhões no terminal de cargas.

Que voos estão em operação e para onde?

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Florianópolis está operando voos para o estado de São Paulo, nos aeroportos de Guarulhos e Viracopos. As 3 cias aéreas, Gol, Latam e Azul, estão operando no aeroporto. Acabamos de receber a confirmação que a partir de 11 de maior a Azul retomará a conexão direta de FLN para com Chapecó 3 frequências semanais.

Foi confirmada agora a volta de um voo direto para o Rio de Janeiro, certo? Como será e qual é a importância dessa retomada?

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A partir de 24 de maio, de fato, a Gol retoma o voo para o Rio de Janeiro, com 3 frequências semanais. O Riogaleão é um hub da cia aérea Gol, por isso, a partir da capital carioca, os passageiros podem têm maiores possibilidades de destinos no país.

O Rio também é um importante polo econômico do Brasil, e então, aumenta a possibilidade de transporte de cargas. Novos voos são sinais positivos porque ampliam nossa conectividade com o resto Brasil.

Quais são as expectativas de volta gradual do movimento aéreo para este ano?

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Eu percebo que estamos em um estado, em que as autoridades fizeram um excelente trabalho logo no início e, com a colaboração e empenho dos catarinenses, Santa Catarina conseguiu ter uma situação de controle da doença até agora. Hoje, nós podemos acompanhar o relaxamento gradual das restrições e gradualmente retomar a nossa vida e, ainda assim, nós fizemos projeções bem conservadoras por aqui.

Acreditamos em uma retomada maior do movimento a partir de setembro. Nossa expectativa é que o Aeroporto Internacional de Florianópolis registrará em 2020 metade do número de passageiros que teve ano passado, ou seja, cerca de 2 milhões de passageiros.

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Qual é o percentual de queda de receita da concessionária Floripa Airport nessa crise e como a empresa está procedendo para manter as contas em dia?

A única atividade que se manteve estável é o transporte de cargas. O restante teve queda expressiva no mês de abril, o que representa uma redução de cerca de 80% na receita total da empresa. Como medida, desde o início da pandemia, nós criamos um comitê de crise, analisamos, estudamos e executamos algumas ações, como postergação de alguns pagamentos, renegociação com fornecedores, diminuição do escopo de contrato com terceiros, já que estamos operando uma malha mínima no aeroporto, e otimização do uso do terminal para reduzir custos. A empresa também fez uma readequação do quadro de colaboradores, mantendo a segurança operacional e a eficiência que sempre foram umas de nossas principais características.

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O setor aeroportuário está tendo alguma ajuda especial do governo brasileiro?

Está. O governo federal editou uma medida provisória autorizando para toda a indústria a postergação do pagamento da outorga a Anac referente a 2019 de maio para dezembro. Além disso as parcelas do empréstimo feito com o BNDES para a construção do novo terminal, começarão a ser pagas em 2021, não mais em 2020.

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Além disso, para garantir nosso fluxo de caixa, estamos em negociação com o BNDES para o descongelamento da conta reserva do nosso empréstimo, pleito aliás também de grande a indústria e de uma linha de capital de giro.

Muitos setores admitem que essa pandemia vai mudar o comportamento do consumidor. Que tipo de impacto pos-Covid-19 é esperado pelo setor aéreo?

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Estamos diante de uma crise sem precedentes. A confiança do passageiro em voar vai depender tanto da estabilização da pandemia, quanto da rapidez da indústria em implementar medidas sanitárias adicionais e também da habilidade em informar os cuidados já existentes, demonstrando que voar é seguro.

Por exemplo, pouca gente sabe que as aeronaves possuem o chamado filtro de ar particulado de alta eficiência (HEPA, em inglês), que promove um sistema de recirculação que renova o ar da cabine a cada 2 ou 3 minutos.

De uma maneira geral, tanto aeroportos como companhias aéreas sempre tiveram altos padrões de eficiência sanitária. Esta é a hora de reforçar estes padrões e demonstrar a todos que viajar de avião é seguro, em todos os sentidos.