Na primeira oportunidade que tiveram para votar sobre a qualidade dos serviços do novo Aeroporto Internacional Hercílio Luz, de Florianópolis, os usuários do terminal deram nota máxima para boa parte dos 38 indicadores sobre os quais foram questionados na Pesquisa de Satisfação do Passageiro do último trimestre de 2019.
O aeroporto da Capital catarinense construído em apenas 15 meses pela concessionária Floripa Airport, que também faz a administração, passou da nota 3,90 do último trimestre de 2018 para 4,78 no mesmo período do ano passado, o que significa um salto de 22,5%, o maior do país desde que a pesquisa passou a ser feita pela Secretaria Nacional de Aviação Civil em 2013.
O aeroporto catarinense foi o primeiro colocado na categoria até 5 milhões de passageiros/ano; o de Campinas, com nota 4,8 liderou na categoria entre 5 a 15 milhões de passageiros e o terminal de Brasília ficou em primeiro lugar entre os acima de 15 milhões de passageiros/ano.
Em função do expressivo avanço do desempenho do aeroporto catarinense, o secretário nacional de Aviação Civil, Ronei Glanzmann, veio a Florianópolis para divulgar os resultados da pesquisa. Segundo ele, enquanto os gestores de terminais se concentram nas notas maiores, a pasta olha as razões das avaliações menores, mais preto de 4, para identificar problemas e encaminhar soluções para que os passageiros tenham qualidade no atendimento. Mas diante da satisfação de 94% dos passageiros, ele conclui que, com as privatizações, o Brasil passou a contar com alto padrão de serviços, a exemplo das principais cidades mundiais.
O exemplo do aeroporto de Florianópolis, concluído após atraso superior a 20 anos, mostra o quanto os cidadãos catarinenses e brasileiros perdem tempo, recursos e qualidade de vida apenas porque o setor público é ineficiente e extremamente moroso para decidir sobre privatização de serviços.
Novo leilão
Glanzmann aproveitou a visita a Santa Catarina para falar sobre a sexta rodada de leilão de aeroportos, cujo bloco principal é o da Região Sul do Brasil, tendo o terminal de Curitiba como âncora, mas que inclui também os de Navegantes e Joinville em Santa Catarina, Londrina e Foz do Iguaçu no Paraná, Bagé, Uruguaiana e Pelotas no Rio Grande do Sul.
Questionado sobre a evolução dos passos necessários para fazer as próximas concessões, ele disse que não há expectativa de atrasos.
– O cronograma da sexta rodada está totalmente em dia. Publicamos os estudos de viabilidade esta semana. Vamos para consulta pública ainda neste mês de fevereiro, teremos audiência pública no mês de março e depois vamos ao Tribunal de Contas da União (TCU) e seguiremos com a publicação de edital. Até agora não há atraso nesse cronograma, devemos fazer leilão no final de novembro e início de dezembro para entregar a 6ª rodada ainda em 2020 – explica.
Depois do leilão há um período de transição operacional, que varia de quatro a seis meses dependendo do aeroporto. Então, a previsão é de que a transição operacional será em abril, maio ou junho do ano que vem. A partir daí, a concessionária assume e entra em fase de obras, tendo três anos para entregar a infraestrutura a um determinado nível de serviços pré-definido. Conforme Glanzmann, alguns desses aeroportos estão recebendo investimentos da Infraero. Um deles é o de Navegantes, que recebe uma expansão expressiva com investimento perto de R$ 50 milhões, com cerca de 40% das obras já concluídas.
Impacto do coronavírus
O secretário nacional de Aviação Civil disse que o governo federal vem acompanhando de perto o problema do coronavírus. A América do Sul ainda não foi atingida com casos da doença, mas admite que o setor aéreo será afetado de alguma maneira.
Mas como o Brasil não é muito representativo na aviação mundial e tem um mercado interno cativo bastante relevante, com cerca de 100 milhões de passageiros, a expectativa, a princípio é de que a aviação do país seja pouco afetada, embora a preocupação persista.
