Sonhos simples: para durante e depois da quarentena

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Foto: Unsplash

Nosso curso presencial precisou ser online e, durante o próximo trimestre, vamos nos ver bastante pelo whats e pelos hangouts. A turma está no melhor estilo-unida e isso tudo tem sido bastante gratificante. O que descobri quando abri a empresa em 2010 é que nós não temos dificuldades com metas e que os nossos sonhos – quando bem claros – já fazem parte da nossa rotina de escolhas. Sei que é quase um contra senso porque, quando fiz meus cursos, eu primeiro acreditei que nós estávamos desprovidos de ideias. Mas conhecemos os nossos sonhos – a gente só não acredita que são relevantes o suficiente.

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Como não valorizamos a simplicidade de alguns dos nossos desejos, a gente começa a querer as coisas que consideramos admiráveis. São possivelmente admiráveis, mas nem sempre obedecem ao nosso fluxo ou ao nosso momento.

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Uma participante da turma  disse que com o início dessa imersão a quantidade de conteúdo disponibilizado estava sendo tão grande, que seria incrível estabelecer uma rotina de estudos, com leituras, cursos, desenvolvimento de competências…mas que a medida que o tempo foi acomodando o novo cenário percebeu algo muito profundo em uma frase que meu irmão nos deixou de herança: "Segue o fluxo". E ela disse: "Eu não sou preguiçosa, eu sei disso – mas o fluxo agora é parar". Mal posso expressar o quanto aquela frase foi tão lindamente dita.

Meu "trejeito" com as crises se dá em etapas – naturalmente. E umas das etapas é a observação e o silêncio. Procuro "subir na cadeira", olhando de fora, construindo uma visão externa  para que eu não me identifique demais com a mudança e suas provocações – e, então possa ter com a crise um diálogo esclarecedor sobre minha próximas necessidades de crescimento. Quanto menor o barulho, melhor.

Um dos livros que mais gostei de ler foi um que demorei meses para conseguir completar. Cada página se dava com tanta força, e o diálogo com a autora estava tão rico, que eu não poderia torná-lo prisioneiro do desprazer da pressa. Realizar nossos sonhos têm relação com descobrir o ritmo que cada coisa tem e as crises nos convidam para um "não me apresse". Observe. O que precisamos crescer?

Nosso objetivo deve ser ser quem somos. Se queremos ler a quantidade de livros que o Bill Gates costuma ler, estamos nos desfazendo do quanto precisamos e da forma como a leitura nos servirá. Surdos no relacionamento com as nossas necessidades, as nossas escolhas mais verdadeiras ficarão encobertas por algum número admirável mas nem sempre envolvidos de nosso contentamento.

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Do que estamos precisando agora? Aproveitei o fluxo e abri cada gaveta da minha casa, estou abrindo cada pasta do computador, revendo mensagens, eliminado meus atrasos, trabalhando bastante.