A multinacional EDP Energias do Brasil, controlada da EDP de Portugal, comunicou ao mercado na noite desta quarta (07) a aquisição de mais uma parte do capital da Celesc. Ela comprou 6,5% das ações preferenciais da empresa, um investimento de R$ 63,653 milhões. Com esse negócio, mais a aquisição das ações da Previ em meados do primeiro semestre deste ano e a compra realizada na oferta pública (OPA) encerrada em junho, a portuguesa somou 17% das ações preferenciais e 23,56% do capital total, tornando-se, assim, a maior acionista da Celesc. Supera inclusive o governo do Estado, que tem 20,05% do capital total da empresa.
No comunicado, a EDP informa que adquiriu 1.518.000 ações preferenciais pelo preço médio de R$ 41,93%. Assim, passou a deter 3.945.820 do total de ações preferenciais (17%) mais 5.140.868 ações ordinárias (33%), que juntas representam os 23,56% do capital total da Celesc.
– Na etapa da Opa, tínhamos anunciado a intenção de chegar a 32% do capital total da Celesc. Com essa nova aquisição chegamos a 23% e somamos investimento total de R$ 360 milhões na companhia – explica o presidente da EDP Brasil, Miguel Setas.
PIB catarinense pesou na decisão
Apesar dessa mudança de liderança no capital, tendo a EDP como maior acionista individual, a gestão da Celesc segue com as mesmas estratégias e com o controle acionário pelo governo estadual. Nem a situação para a EDP no conselho muda. Ela segue com três conselheiros que a Previ tinha anteriormente.
A companhia portuguesa é parceira da Celesc desde que venceu uma licitação em conjunto para construir uma linha de distribuição de energia em SC orçada em R$ 1,3 bilhão. Para esse projeto, obteve quase 100% do capital para a sua participação com o lançamento de debêntures.
O presidente da EDP, Miguel Setas, diz que a decisão de investir em SC foi baseada em estudo sobre indicadores econômicos do Estado, especialmente o PIB, que cresce acima da média nacional.
Ações não são de Parisotto
Essas ações da Celesc adquiridas pela EDP foram colocadas à venda no mercado por um fundo investidor. A coluna apurou que não são as do empresário Lirio Parisotto, que continua como o maior acionista individual, com 6,98% do capital da companhia, apesar de já ter vendido parte das ações. Durante alguns anos, Parisotto foi um grande crítico da gestão da Celesc.