O esquema de fraudes cambiais investigado na Operação Line Up, deflagrada nesta quinta-feira, foi utilizado por diversos envolvidos na Operação Lava-Jato, segundo informações da Polícia Federal. A corretora de câmbio de São Paulo, com sócio em Santa Catarina, que é o centro das investigações, é suspeita de falsificar declarações de importação e exportação para esconder o envio de dinheiro para paraísos fiscais.
As remessas para o exterior, sem deixar pistas, atrairia clientes com dinheiro não declarado _ fruto de propinas, por exemplo. Segundo a PF, em pelo menos uma das transações, a empresa investigada utilizou os serviços do doleiro Alberto Yousseff, condenado na Lava-Jato.
Obstrução
A movimentação de dinheiro através do esquema criminoso é estimada em R$ 2 bilhões. Mas a sequência das investigações dirá se o volume pode ser ainda maior.
No início do ano, a Polícia Federal apreendeu uma mochila com dinheiro ilegal, que pertenceria à corretora de câmbio. Tempos depois, um representante da empresa abordou um servidor público, que foi questionado sobre maneiras de reaver o dinheiro _ o que levou a polícia a incluir “obstrução de investigação contra o crime organizado” entre os crimes investigados.
Dois sócios da corretora de câmbio foram presos preventivamente na manhã desta quinta em São Paulo, entre eles um empresário catarinense que atua no setor de eventos em Santa Catarina. Os dois serão trazidos ao Estado de avião, nos próximos dias. Pousarão no Aeroporto de Navegantes e, de lá, serão encaminhados ao Complexo Penitenciário da Canhanduba, em Itajaí.