Merisio vota 17; Mariani almoça com ala Bolsonaro do MDB-SC

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Uma vez escrevi aqui, até como provocação, que Jair Bolsonaro (PSL) é uma ideia – parafraseando a forma como o ex-presidente Lula (PT) se definiu em discurso antes de ser preso e levado a Curitiba. De formas diferentes, ambos são os únicos personagens desta eleição que têm esse poder de despertar amores e ódios e mobilizar times de militantes dispostos a defender cada palavra que digam ou silenciem.

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Aqui em Santa Catarina, revelam as pesquisas, o time de Bolsonaro é o que mais engaja. O militar reformado tem 40% das intenções de voto, revelou o Ibope. Nessa hora, a diferença da ideia Lula para a ideia Bolsonaro fica muito clara. O petista é protagonista do debate eleitoral há mais de 40 anos e construiu um dos maiores partidos do país. Sabemos quem está com o PT e quem não está. Lula é uma ideia com donos.

Deputado federal de muitos mandatos, Bolsonaro sempre foi uma figura isolada na Câmara e nos diversos partidos em que atuou. Catapultado pelas redes sociais como um defensor da ordem e do conservadorismo nos costumes, filiado ao minúsculo PSL em pleno ano eleitoral, Bolsonaro é uma ideia sem donos. Por isso, é tão difícil mapear quem pode se beneficiar da onda que provoca no país e, acima da média, em Santa Catarina.

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Um dos nomes mais próximos de Bolsonaro no Estado sempre foi o deputado federal Rogério Peninha (MDB) – que há pelo menos dois anos vem dizendo que vota no parlamentar para a presidência. Nesta quinta-feira, ele mostra o tamanho dessa afinidade. Em um almoço em Ibirama, ele reúne 32 prefeitos e vices do partido, além 27 presidentes municipais, para declarar apoio a Bolsonaro. O encontro ganha peso maior pela presença de toda a chapa majoritária. Jorginho Mello (PR), candidato ao Senado, é próximo dos bolsonaristas, mas o colega de chapa Paulo Bauer (PSDB) tem o tucano Geraldo Alckmin como nome à presidência, assim como o postulante ao governo Mauro Mariani (MDB) continua dizendo que seu voto é de Henrique Meirelles (MDB). Mesmo assim, ambos não se esquivaram do encontro, muito pelo contrário.

No outro lado da trincheira, Gelson Merisio anunciou na manhã desta quinta-feira que votará em Bolsonaro. A decisão havia sido tomada há alguns dias, mas o pessedista ainda costurava dentro da aliança que montou a melhor forma de fazer o anúncio. Semana passada, o movimento foi iniciado com a declaração do aliado Luciano Buligon (PSB), prefeito de Chapecó. Inicialmente, Merisio imaginava abrir voto apenas no segundo turno, mas vinha sendo cobrado pelo eleitor. O último Ibope mostrou que 55% dos eleitores que declaram voto no pessedista estão com Bolsonaro – percentual superior aos 45% de bolsonaristas entre os eleitores de Mariani. Em vídeo distribuído pela assessoria da campanha, Merisio diz que "neste momento fundamental que atravessa o nosso país, não podemos nos omitir" e que "ou olhamos para trás ou damos uma chance à mudança". Afirma também que a posição é "uma questão de coerência com o que deseja Santa Catarina".

Enquanto isso, O PSL – partido que detêm o monopólio formal da onda Bolsonaro em SC – ainda tenta capitalizar isso para as candidaturas de Comandante Moisés ao governo e de Lucas Esmeraldino ao Senado. Talvez só depois de abertas as urnas a gente saiba quem melhor se apropriou da ideia Bolsonaro entre os catarinenses.