Como as dificuldades em função da greve dos caminhoneiros se multiplicaram rapidamente e os preços dos combustíveis realmente estão elevados diante da impossibilidade do setor de transporte transferir esse custo aos clientes devido à crise, cabe ao governo e a Petrobras ceder mais nesse embate. Prova disso foi a decisão da petroleira, no início da noite de ontem, de anunciar redução de 10% no preço do diesel por 15 dias e o governo, mais cedo, admitir que além de suspender totalmente a Cide, vai reduzir as alíquotas de PIS e Cofins.
O fato é que a inércia do governo diante dessa greve até quarta-feira, cujo problema vem de fora, ocorre justamente porque a classe política não fez as reformas. Aí não tem como reduzir a carga tributária sobre os combustíveis sob pena de não ter dinheiro para pagar os salários dos servidores públicos e os serviços à população. Os esforços para encerrar o movimento não foram rápidos e a população paga as consequências com parte da economia do país parada. Além disso, desde o início da greve as forças policiais e a Justiça deram liberdade aos grevistas, sem pressão contrária para defender o lado dos produtores.
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Petrobras reduz preço do diesel em 10% e o congela por 15 dias
O setor produtivo ficou indignado com a falta de ação do setor produtivo frente ao movimento. As agroindústrias foram as primeiras a revelar os impactos negativos da greve dos transportes, mas um médio empresário do setor, Miguel do Valle, presidente da Irmãos do Valle, de Santa Cecília, município que fica no Centro de SC, às margens da BR-116, prefere falar tudo o que está sentindo.
– A greve ganhou proporções estratosféricas no Brasil porque o governo federal está conivente. O governo deixa a greve correr à revelia. Nenhum órgão, nem a Justiça, nem a Polícia está nos locais de mobilização para dizer que não pode sequestrar motoristas para forçá-los a participar do movimento. Temos 20 caminhões. Desses, 15 estão sequestrados em postos de combustíveis. Os motoristas estão sem tomar banho, se alimentando de doações, passando frio, alguns têm mercadorias nos caminhões e são proibidos de sair. Isso é sequestro – lamenta Valle.
A empresa que lidera, a Irmãos do Valle atua há 25 anos, abate 1,2 mil suínos por dia, oferece 200 empregos diretos e vende no mercado interno. Paralisou as atividades terça-feira e já enfrenta perdas superiores a R$ 1 milhão. Outra indústria com perdas elevadas e impossibilitada de exportar é a multinacional alemã Vosko, de Lages, que atua com frango industrializado. Entre as grandes, além da Aurora, ontem a BRF informou que terá que suspender a produção de 13 unidades no país, das quais quatro em SC: Concórdia, Campos Novos, Chapecó e Herval do Oeste. A JBS anunciou o fechamento de uma unidade. Agora, com as medidas anunciadas ontem, a expectativa é de que o movimento seja suspenso e a produção volte ao normal.